sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Um "a parte" político

"A parte" capilar

Nesta terça-feira, às 16:40 - não tenho certeza se o horário era este..., mas essas miudezas, fiquem aos jornalistas superficiais, não é o que interessa -, algo me prendeu em casa. A saber: preguiça. Tinha para ir um encontro. Não fui. O que fiz?
Como há tempos não me via, a televisão olhou bem pra minha cara com aquele fundo escuro e disse:
- Zapeie à vontade, que a vontade eu trato de te dissipar.
Me pareceu justo. Lenitivo!... Eu precisava de um lenitivo... Cinco horas de Châtelet e resenhas de filosofia cansam muito o cérebro... Um narcótico era justo. Eis que um estalo me ativou. Era a TV Senado.
- Ah, o Senado? Não há coisa melhor para se falar?
Sim, o Senado. Não é à toa, "política é lugar para sociopatas"¹. E sou eu um sociopata também. Onde já se viu pensar em um não-Estado? E garanto que tu és também enquanto matas qualquer outro tipo possível de sociedade com a fórmula simples da repetição nessa vida desgraçada de máquina.
Bom, voltemos ao Senado.
Algo me enredou profundamente. A mídia - ou tenho eu visto assim a político-económica pelo menos - só fala em CPMF. No Senado os pronunciamentos funcionam mais ou menos assim:
1. Alguns se inscrevem para falar.
2. São dados dez minutos para o inscrito.
3. É-lhe incitado ser generoso e conceder um "a parte" quando alguém o pedir - o que, em geral, ocorre quando o presidente o indica.
Wellington Salgado (PMDB - MG) foi o 4º a falar. No meio de uma ardorosa defesa pela manutenção do imposto e de alguns elogios a Lula, disse qualquer coisa que o efeito narcotizante da TV me impediu de captar em plenitude. Dizia respeito à aposentadoria que todos merecem. E fazendo referência a si mesmo, disse que todos ficam, mais cedo ou mais tarde, com menor quantidade de cabelo. Para os muitos que não conhecem Salgado, digo que é alguém que não perde muito de mim no quesito capillus.
Não tenho muita certeza do contexto em que se inseria a frase, mas a defesa do senador era, naturalmente, a mesma do governo - embora não sejam do mesmo partido! -: o imposto deve continuar, caso contrário, um rombo de 41 bi (isso mesmo...) afetará áreas como saúde, educação, e mesmo os investimentos no tal de PAC. A oposição, como sempre: o imposto não cai só sobre os ricos, mas asperge os pobres também, numa aspersão que muito absorve.
A discussão estava séria, e por isso mesmo cansativa... Até que um "a parte" foi pedido pelo paraense Flexa Ribeiro (PSDB).
Sobre o que? Espere o amigo, vamos fazer um suspense - não sou muito bom nisso...
Sobre a calvície como deficiência...
- "É um desrespeito, sr. Wellington, o que disse para com os deficientes capilares" - disse o senador.
Qualquer "a parte" sobre conseqüências político-econômicas seria muito mais importante. Mas senadores em pé de guerra é mais interessante. Tanto que se teve até closes de imagem... Na verdade, era um aparte, um afastamento da briga. Um quer, outro não quer, como sempre foi a política brasileira... "CPMF sim!". "Não à CPMF!". Vão pro inferno!, liberais e conservadores há desde o nascimento do Império... Ganhar tempo, emperrar questões importantes e seriamente discutíveis, mas não há tempo - ou não deveria haver, mas há para se discutir falta ou não de cabelo - para estudar o impacto da prorrogação ou não da cobrança...
Eu aindo penso o Estado tão nocivo quanto a economia de hoje... Eles se sustentam... Mas vivo num Estado, e não quero que, enquanto ele haja, as coisas sejam prejudiciais ou tratadas banalmente em nome de interesses próprios.
Ponho fim ao discurso de hoje (coisa nojenta, aliás...).
Sidney Azevedo
Estranho amanhecer político?
(eu achei que este blogue fosse de arte...)
¹ A idéia de sociopata político surgiu no seminário de filosofia foucaltiana, num dia em que a psicanálise sobressaiu-se... O sociopata tem um "instinto" destrutivo em relação à sociedade.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Pare os aforismos, Sidney!...

A escrita aforista – ou será aforismista?… – que adoptei nos últimos tempos deu-me uma muito maior liberdade de propor idéias que normalmente são banidas de qualquer discussão, ainda que de forma desordenada e necessariamente abrupta. E creio que essa mesma liberdade levou Nietzsche a aderir ao aforismo, a publicar não mais que coletâneas deles.
Mas este blogue necessita de algo mais inteligível…
Por isso volto, após algum tempo, a publicar uma crônica.

Curandeiras inquisidoras

Não sei se é só comigo, mas ocorre que uma certa senhora (não sei se certa é certo termo, mas assim fica) aparece quase sempre pelos lugares em que estou no Centro. À entrada da Catedral, uma vez, a encontrei. No Terminal, umas três. Próxima ao Mueller, duas. Entroutros locais de que a memória não é capaz de se lembrar, mais de dez. Eu estaria seguido?… Ou seria ela seguida? Seguidamente víamo-nos: eis a verdade.
Quereria algo? Não sei, mas a julgar pelas vestes – embora julgar seja algo subjectivo –, qualquer um a poderia afirmar mendiga, ou, melhor, catadora de papel ou algo semelhante. Não me parecia, entretanto, isto.
Se não enganado estou, deveu ela vender Trimania. Mas pouco importa, vamos às vestes. Uma blusa entre o marrom e o amarelo. Saia bordada ao estilo bicho geográfico (perdoem-me, mas minha noção de estampas é horrível). Sempre uma bolsa, tecidos ou alimentos – quando não alimentos tecidos em restaurantes. Cabelos grisalhos à altura dos ombros e um arco a ordená-los. Estava mais para uma feiticeira. Uma dessas bruxas benignas de que falam os manés.
Bem, minha avó conhece alguns benzeres, mas nada que atiçasse à Inquisição uma possibilidade de ressuscitar como o Cristo que cria defender. Seria a senhora uma Inquisidora? Não… Aparência benigna. Mas é um olhar diferenciado o com que olha. Lembra as histórias das Pítias délficas, as que contavam os destinos tramados aos gregos.
Atemorizante… Quando entro no ônibus, adivinhem quem acho à minha frente? Não, não era Sílvio Santos, era a senhora, cujo nome não hei de conhecer. Falava como que apercebendo possíveis relações entre mim e a moça que a meu lado estava no ônibus. Uma muito bela, não nego. Mas ela não falava alto, de modo a não poder entender o que estava a dizer. Sem dúvida, nada era sobre tecidos alimentícios… Mas passei a ter medo de olhar para o interior do ônibus. Queria chegar logo em casa…
É sofrer por não saber o que fazer. É como que diante da televisão estar preso à poltrona, sem poder buscar a batata por que o ecrã algo despeja de interessante aos olhos, mas leniante à Razão. É horrível.
Terminal Sul. N’outr’ônibus – perdoem o modo de escrita – fico a pensar, seria uma maldição? Não, não era, pois seu olhar era esperançoso, embora me sentisse mal de encará-lo. Ela só queria o bem meu e da moça. Feliz em seu papel de Santo António (aquele que após sumiço, já reapareceu, e que foi motivo da última crônica, inclusive).

Sidney Azevedo
Retornando às origens
(Um texto artístico – nada de filosofia por hoje…)

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

O auto da barca do espaço

O discurso nosso de cada dia...

O preistoricismo recente - e ressentido - das máquinas é algo estranhamente...
- É preciso um bom anestésico para que se passe algum tempo em frente a um computador de 1 GB de HD! - diz o puto da lanrause.
Aliás, que diabos nos fazem ouvir tais siglas (GB, HD, HP que têm inclusive muitos além-significados) que não outros virtuais virtuosos defensores do tal de tecnologismo, que não mais são que conspiradores da maquinização humana - ou dito melhor, humanizada -, de um desespero em tornar velozes as coisas?
Isso é recém-peça da tecnologia cultural. E que raio de povo teria inventado, e pior, exportado isso? Um despovo, certamente. Ou, como se melhor ajusta ao antitítulo deste antíblogue: um Antípovo. Pois que sublima (no sentido da Física...) a discussão real entre os homens. Um anticontacto. Pelo menos um anticontacto directo.
Contou o incompreendido Juvenal - e não fui eu a compreendê-lo - em estes dias de seu computador:
- Precisa de um fio-terra, a memória já está a queimar!...
- Caso se queime, e até lá todos os computadores do mundo, poder-se-á certamente construir a primeira noção de estar livre de limitações - temporais, no caso. Foi o que respondi.
Aos mundanos a escuridão. Às luzes os racionais. Mas que raios!... Esta é então uma razão que se há só de preocupar com a contagem do escasso tempo que tem. Sim, de muito rarefeito que é. O tempo é sempre fechado às boas coisas - e entenda-se como bem quiser esse "boas". O razoável é o conhecido possível dentro do tempo. E para ser breve como ele, só com rigorosos esquematismos e provas que não podem ser idealmente concebidas, só testadas. Eis a ciência!... E a ciência tudo destrói com a tecnologia. Em nome do melhor modo de conhecer...
Uma pausa, raros leitores...
É só o que peço...
Praticastes tua reflexão, ascese, obra ou prática de hoje?
Ou as perdestes para a correria?...

Sidney Azevedo
Um auto e só
(de barcas?... não, de móveis...)

O logro do social

O antimárquis

Penso já que as coisas aqui escritas não passam de um grande contra-senso, um dano de distúrbio interno que um nazireu esquisito - por não ser puro como devem ser estes seres - pode afligir mesmo às calmas abadias onde se produz o conhecimento autêntico da verdade - as academias.
Pensava que podia mudar o mundo com o olhar e nem sequer a esquina, porque a esquina estava encoberta de gente com bolsas. À interpretação e aí também não feliz. Mas que raios!... Deve-se deixar de escrever?
Não!... Por favor, que absurdo é esse? É um desespero essa gana do "social" que todos têm - os acadêmicos... Não será o "social" uma aberração lingüística? Um desagrado de algum louco que se não queria só? Pois eis que penso assim. "Social" vem de sócio, não de classe trabalhadora. Uma sociedade = uma reunião de sócios que negociam, em que alguns cedem em favor de outros para se manterem cômodos. Administrar é tarefa árdua... É! Sociedade é a maior ficção da história. Só há comunidade. E a comunidade recuou ante a cidade - outro logro considerável.
Cidade é absurdo, é invenção da racionalidade científica da indústria..., e principalmente da do pensar.
E eu a querer pensar numa sociedade industrial de pensamentos.
É por isso que não mudo nem a esquina. Há lá muitos deles.
Sidney Azevedo
Mais um logrado
(... erros, erros...)

Porque não Contrátudo?

Contra-soneto

Houve um a sair de casa.
Às chaves dera um jeito
de deixá-las em má rasa:
sobre o televisor rarefeito.

Este que saiu, bem fez.
E tão bem que esqueceu
as ociosas que tinha. Tez
clara sob pêlo de nazireu.

(Um tanto muito sem sentido
é esta última estrofe, e eu
a tentar consertar no mote

seguinte do soneto de lote
que nem soneto é, é breu
em um escuro anoitecido)

Sidney Azevedo
Um contra-poeta
(... um ocntra-sesno...)

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Medos de nós dos marujos da Babilónia pós-moderna

O medo da razão...

Como o tempo dá-me à graça de ser curto, levanto hoje somente uma visão diferenciada.
O QUE NOS FAZ MANTER A RAZÃO É O MEDO
Os loucos, tidos por irracionais, ainda assim, mantém uma razão, a razão da irracionalidade, que é manter-se no mundo que conhecem. Eles têm medo do exterior. Ele é pavoroso!...
Só vos faço uma pergunta, e quanto a nós? Será medo também... Olhai com atenção, pois outra coisa não é. Não é progresso, desenvolvimento ou evolução, pois isso nem existe e é só uma ficção do medo. Não será um desejo, uma vontade de poder, um poder que queremos ter sobre o exterior pavoroso e que lutamos arduamente para dominar? Não, porque não se sente satisfeito. Há-nos sempre o temor. Queremos deixar de tê-lo, mas não é suficiente, e o máximo que se faz é cobrir a cabeça na hora de dormir.
Segurança: eis o nome de nossa vontade (se é que isso pode ser chamado de desejo). É uma descoberta? A vontade tem algo anterior? Tem o medo de não existir também...
O medo é a força de unificação dos símbolos em enunciados claros. De uma invertida ordem medo todos têm diante (entender podem-na entretanto). Mas os que não conhecem, mesmo disso terão medo.

SEUS MEDROSOS!

Sidney Azevedo
Agradecido estou, menina!
(há tempo queria falar sobre, mas tinha medo...)

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Poder d'Ovni HO (favor beber vinho antes de ler isto...)

O alcoviteiro


O vinho na estratosfera. Ah, há vinho na adega... E tem mesmo.
O acético líquido eleva os homens à ascese. Uma vida acética. E acética por que quem crê, pode duvidar do que crê. Quem não crê por que não quer é cri-cri. O vinho faz crer, e crescer até às alturas. Crer, crescer, querer. Quero crer que cresçam logo as videiras, para não faltar aquilo de que gosto.

Um ascetismo acético. E viva o vinho no vivo que o sorve.

Alvíssara amaríssima


O vinho e a cerveja:
O doce e o acre.
O vinho e o cigarro:
O doce e o acre.
O vinho e o caboclo:
O doce e o Acre.
Acre será algo ruim?

O coveiro


Pobre, morreu de tanto beber. Morrer e viver todo dia, que fazer? O vinho o salvou da tristeza, pobre acreano que saiu de lá para a cá vir e cair. E não um pequeno tombo que foi, foi algo alvo de muita atenção.
O vinho já me não é tão bom, é seco. Pai, traga-me tinto, por favor, mas um que não seja tingido de sangue de gente honesta...

Sidney Azevedo
Uma nova escrita
(... e viva o vinho filosofal...)

domingo, 18 de novembro de 2007

A porta só é fechada para os que não podem abrir...

- Falta o texto -
- Falta o texto -
- Falta o texto -
- Falta o texto -
- Falta o texto -

Não mais falta. Pois que qualquer coisa tem em si a plena possibilidade de virar texto.
Vejamos, estás tu a frente de um ecrã, correcto?
Cê tá na frenta duma tela, certo?
Vamos então ler a tela, e não o que nela aparece.
Deixe-te levar pela imaginação... A tela te conta, conta-te uma história...
Veja:
Havia um punhado de areia numa qualquer praia.
Chegou uma caçamba e homens com pás retiraram-na.
O que retiraram? Bem, começou pela areia... e mais tarde a caçamba com alguns galões de gasolina... e, finalmente, e após repetidas vezes, a própria praia, para a contrucção de um porto.
Os homens que aí viviam foram embora como a areia. Após algumas brigas e matanças no povoado vizinho, integraram-se à cooperativa de pesca. Esta, por um tratado de protecionismo firmado em pouco tempo, só pode vender a um grande mercador do novo porto.
Umas vinte empresas, e só, valem-se do porto. Uma delas trabalha com transformação de areia em vidro (e em escala industrial). O ecrã que vês à tua frente é o que sobrou da praia, hoje deserta, mas modernizada e maquinizada, na qual antes levaria tua namorada para passear... Existe? Não mais!
Fique nos teus sonhos, puto!...
E pelo menos leia agora o tijolo e a telha, como exercício de casa, que é fácil. O celular, o computador, o mp3, o salgadinho de dona Elma, o refrigerante que cola, os tênis ardidos, a jaqueta com nomes ingleses que vestes apesar de o calor ser insuportável, o desespero em participar de festas e outros comportamentos menores necessitam que faças aquele treinamento antes...
Se derem todos na mesma, pelo menos, deixarás de ser cego.
Sidney Azevedo
A caminhar na loucura diária
(Azevedo-Caminha-Cervantes, a heráldica diz que...)

sábado, 17 de novembro de 2007

O Anticopérnico

Uma posição insustentável... Será?...

Já me disseram que uma luta contra a Ciência é insustentável. Não creio... Não enquanto ciência for única e exclusivamente o saber sistematizado das coisas. Não há aí espaço para ciência enquanto o saber humano em geral, a scientia romana... A arte, a religião, a sabedoria "dita popular" (que no entanto seja talvez a única sabedoria) e mesmo a filosofia somem ante o refinamento (isto é irónico para quem não se deu conta...) da Ciência.
No entanto, ela já nos levou a absurdos incomensuráveis... Pois que se tornou INSTITUIÇÃO (é a ela que me refiro em inicial maíuscula). Institucionalizados, foram montros já aqueles outros campos que citei... E a instituição está aí para dividir. Dividir num sentido perverso. A arte nada é. A religião tornada inútil. A sabedoria é a matéria-prima e a filosofia um instrumento. Ciência: uma improbidade administrativa no campo do saber.
Sidney Azevedo
Já assustei muito com essas idéias
(inclusive a mim mesmo)

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Signaes somáticos

Massivas individuais de música
Sozinho na noite um barco ruma, para onde vai?...,
entre a neblina com o sol a nascer...,
uma prenda tua sem levar, uma prenda dela...,
mais do que a um partido, que a uma equipa ou religião...,
já não demora e vou correndo para ti...,
oh!, Ana Júlia!...

Viva a sociedade alternativa!...,
o cara mais underground que eu conheço é o Diabo...,
pensava em ti e em que sorte era a tua...,
porque quem pensa melhor pensa sempre melhor parado...,
as saudades que eu já tinha de minha alegre casinha tão modesta quanto eu...,
they pray for the eternal salvation!...,
I'm still loving you!...

Making two possibilities of reality...,
o que é que a ciência tem?...,
voltar a zero num planeta distante...,
quando o dia da paz renascer...,
nesta nave de Noé!...,
meu Deus, como é bom morar no modesto primeiro andar a contar vindo do céu...,
Um pouco de fé!...

Aonde está a boa vontade de se ouvir um concerto (ou um conserto mesmo... que seja!)? Parece-me que se perdeu na boa vontade do poder-se ouvir de tudo. Ecletismo já não é opção, é não saber colocar-se n'algum espaço... Containers de bites andam conosco às algibeiras. Podemos ouvir aquilo que nos der à viga que ostenta a telha. Mas logo nos lembramos que algo mais conforme há adiante, umas trinta músicas p'ra frente...
Resultado: perda de convicção, de força de vontade, a vontade de poder parece se dissipar, pois que o poder parece estar todo já às mãos, entretanto, fortalece-se, pois precisa voltar a ter pelo que brigar. Que seja esse brigar ainda o fim da tecnologia...

Sidney Azevedo
Vais ver o sol brilhará!...
(Créditos à Raulzinho, Baleiro, Tim, System e Escorpiães)

R$ 10 no 022, porra lá!

Procura-se Santo Antônio




É estranha a linguagem do bicho. Talvez por ser marginalizada. O bicho está na mata, mas às vezes aparece na nossa casa. O tigre está com uma arara na boca! A tigresa tem muito além de um milhão delas. Sim, aquela que anda na Zona Industrial…
- Dez reais no zero vinte e dois!, porra!, lá!
A virgulação mais indicada para esta frase não é, com certeza, esta! A gramática do êxtase é algo de bastante inflexível para que uma língua qualquer a possa abranger. Mas me pôs intrigado…
Talvez, noutra interpretação, não seja o felino com a ave aos caninos, mas a apurada família real de Araque, em visita à cidade. Viram um séquito de nove pessoas a acompanhar o rei, e viram logo o cumprimentar. Mas não… parece-me pouco provável. Os araquianos não gostam muito de sair de sua terra, nem de ter relações com povos estranhos…
Mas há uma terceira.



Sumiu Santo Antônio!… Sim, sumiu!… Quem entrar à Catedral São Francisco Xavier pela rua do Príncipe (e que, obviamente, faça-o com alguma regularidade…) há-de perceber que o espaço reservado ao santo está vazio. E por quê? Bem, creio que aí a frase nos ajuda… Um grupo de monarquistas tomou as imagens das igrejas e catedrais para retomar o poder perdido por seu glorioso trisavô, a quem chamamos D. Pedro II, através do voto (ou veto…) democrático das desesperadas moças solteiras que sonham encontrar seus maridos em breve tempo. E o zero vinte e dois? É um número simbólico, próximo 22/10 começará o golpe de Estado (é aniversário do marquês de Querala, antiga colônia ultramarina portuguesa sob comando inglês desde um tratado de monopolização do algodão que não sei a quem beneficiou…).
É muita conspiração. Pobre bicheiro ao dizer aquilo, mal sabe que minha imaginação poderia distar tanto. Mas isto foi só para dizer uma coisa, nada há que impeça uma longa e animada teoria. Uma frase aparentemente maluca e explicação para ela ainda mais doida compõem um mundo novo. Occam e sua maldita tesoura, entretanto, mandariam-ma jogar fora. Um disperdício de imaginação. Mas que é útil pela crença na utopia.
E o grande Barbo, filósofo de Araque…, bem, este foi jogar no bicho. Não ganhou que eu saiba. Foi decapitado pelo jacaré…

Sidney Azevedo
Criação de textos inúteis aqui...
(Re-criação de interpretações também)

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Fugir do comum...

A catraca não está trancada, pode-a pular...

Durante algum tempo lutei para livrar minhas charges, meus cartuns, meus quadrinhos do poder maligno do estereótipo. Até hoje não consegui. Mas creio estar já bastante próximo deste ideal. Vos aparece uma idéia de arte abstrata nesta concepção? Sim, vos parece mesmo, e pereceis justamente por isto... E mais, o problema não está na minha mensagem, ela é muito clara. O livrar do lugar-comum de que falo deve partir do observador, enquanto alguém que quer sim descobrir novos sentidos...


Se a imagem não te faz reconstruí-la por si, precisas então refazer seu olhar. O melhor modo para isso, não sei, mas tem de ser alguma espécie de espiritualidade...

Sidney Azevedo
Às vezes os temas "sociais" me preocupam...
(..., e olhem que acho que essa categoria é muito restritiva)

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Computador, com puta dor vo-lo apresento...

Seres desnecessários

Há, e em muitos cantos, que vejo um ser estático, que parece conseguir entrar no intelecto e perturbar o silêncio reinante que normalmente mantém. Esse ser, cujo nome é incerto, exige dedicação total a tarefas que são fúteis.
Impede-me de escrever aquele texto sobre a sisudez nos ônibus, aquele outro sobre o infeste das baratas e aquele terceiro sobre as paragens de Araque.
Ocorre que já me parou quando fiz parar Kant e Hegel que não se conseguiam entender e logo voltaram a brigar, dando-me mais dores de cabeça. Ele me pára a toda hora, e sem necessidade alguma!…
Se passar à estrada alguma bela moça, perco-a. E por quê?… Alguns de meus mais velhos e considerados camaradas dedicam seu tempo ao melhoramento dessa coisa. Ele me faz passar o tempo, ser asqueroso… Já não consigo nem ter bons jogos de palavras diante dele, e como isto assola… É torturante… Tudo sob a égide da objetividade. Tornar as coisas rápidas Entretanto, minha avó não alterou sua rotina por causa dele. Continua em seu mesmo passo de alguém que só o ignora.
Maldito computador, só me corrói a criatividade, o tempo e a existência. A única defesa que ouço contra a condenação desta merda é a de que é útil. Pois não é, antes dele, ninguém o necessitou, entretanto, nasce já na casa de um. Os meninos de meu tempo falavam sobre videogueimes, os de hoje façam sobre placas-mãe, terabites, jogos que rodam ou não em que configuração, e assim por diante…
O navio já chegou aos limites da terra. Sim, daquela que existia antes de Copérnico. Despenca com a correnteza. Água há muita, e a humanidade a afogar-se…

André: olha só aqueles guris…
Mohandas: fraco!, devem tá na quinta série!…
Renato: se amassam melhor que na Malhação…
Mohandas: mas Malhação é falsidade total, os caras nem sabem interpretar…
Sidney: sabem o que eu acho…
André: o quê, da Malhação?…
Renato: eu acho que o Sidão nem vê tevê…
Sidney: acho que ficamos velhos antes do tempo…

O discurso do computador é um só: CORRAM! O TEMPO ESTÁ ACABANDO!, como, aliás, tudo o mais da (pós-) modernidade.


Sidney Azevedo
Um tanto nostálgico pela noite…
(e um algo de irritado com a tecnologia…)

sábado, 10 de novembro de 2007

Um pseudo-estudo pseudo-literário

Prolegómenos à psicossociologia do zarco

Uns chamam bãs, outros busão, outros ainda amarelo-velho (lenda de Araque...). Um lusitano sofreu para se fazer entender que buscava um autocarro em Luanda, enquanto aí não o há. Teria de se contetar numa candonga. Conhecia por quia, e lhe seria desconfortável. Uma vam ou perua poriam-no a correr.
Não sabe, provavelmente, que em uma obscura cidade do obscuro sul brasileiro, chamada Joinville, dão, aos primeiros veículos, o nome de zarcos. Bem, dito a verdade, há joinvilenses que nem sabem dessa denominação...
Ninguém sabe precisar muito bem a origem do nome. A melhor versão que já conheci versa sobre 1943, ano em que os nativos deram ao veículo um nome quando viram "o primeiro tranporte público livre de trilhos" (como trouxera um jornal da época...). Algo próximo a um bonde, mas predominantemente mais barulhento. Deram à geringonça o nome inicial de rasga-roupa, e ao barulho, o nome de fuzarca.
- Aí vem a fuzarca!... - relembra minha avó, citando o filho do padeiro alemão (essa função não era monopólio de tugas, não aqui...) da Getúlio que berrava quando chegava o ônibus (eis o nome da coisa para quem se não deu conta ainda).
Isto, conta minha avó, no tempo em que havia de fato uma avenida Cuba (por que será que sumiu... creio que a sra. Daunfembach teria uma explicação interessante...).
Zarco foi uma síncope, pois que o grito indicava a vinda do ônibus para todos (essa frase é interessante, decepciono-me se meus leitores derem um olhar apressado por ela...).
Bem, o que de fato, ou facto, já que o meu lado lusíada briga pelo espaço existente ou que há no ecrã do computador, interessa é que haja uma discussão sobre o lado psicossocial dos grandes carros amarelos.
Começemos por hoje. Quando se entra num zarco, vai-se sempre carregado de coisas. É bolsa da faculdade, sacola da loja de que se acaba de sair, pastas de papéis, lojas (no caso dos ambulantes), lojas (no caso dos que compram muito), lojas (no caso das logomarcas carregadas orgulhosamente pelos trabalhadores do comércio) e todo o tipo de tralha e de traste que se possa imaginar. Muitos alegam necessidade. Mas não creio que seja isso só... Levam isso já para evitar um contacto humano... Organizam as pastas com a idéia de afastar-se de outrem. É um lapso, um deserto, uma incongruência... Uma aglomeração atomizada. Adorno é essencial aqui: os penduricalhos usados pelas moças não lhes condizem e até escondem o que podem ter de belas... É influência, e de perfis já bastante conhecidos, mediados, por assim dizer...
Nesse desejo do eremitismo urbano, a sisudez impera. Um dia desses comecei a sorrir no ônibus, e para mim mesmo. Num momento de autismo olhei para o interior da criatura que é cinzenta por dentro e amarela por fora e, por Deus, que não tivesse tido fim aquela hora... A felicidade era interna, um instante de silêncio, e, e... quando distingui claramente que os outros estavam a me olhar, pus-me sério, e de chofre! Olhavam-me incrédulos... Não entendiam... Eu não os entendia também. E ficamos assim.
Uns saíam, outros entravam, e nada mudava dentro daquele ambiente.
Quando saio vejo um brasão de Portugal. Lembro-me dos bondes de Lisboa. Da partilha de vinho e das mulheres a cantar fado, isto mesmo, no bonde!... Vejo minha avó a falar dos primeiros ônibus. Lembro-me com ela, do fascínio que aquilo exercia na incipiente cidade. Pois que se enchiam da gente e aversão não era termo que justificasse aí, a priori, alguma sensação.
Hoje se entra com nojo a priori... Por quê?, não sei, isto é só o prolegómeno, algum interessado que leve adiante o estudo...
Sidney Azevedo
É falta de espírito querer se aproximar do humano?
(...só para encher o parêntese...)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Dicas para produção rotineira

A rotineira discussão
Papo de Sílvio Aviz e Evaristo Oliveira ocorrido por telefone há alguns dias.
PS: Tomei a liberdade de acrescentar alguns detalhes.


(...)
F - Há rotina?
S - Há!
F - Por que ela há?
S - Porque há, oras!
F - Há horas?... Como assim, não entendo.
S - Há horas em que o homem vê produz coisas por necessidades. Algumas delas só podem ser produzidas por um método. Esse método precisa ser homogéneo em todas as coisas, para que seja igual a produção.
F - Entendo. Antes a organização, depois a produção...
S - Isso.
F - É necessário pensar o como fazer.
S - Acredito que é precisamente aí que reside o problema.
F - No pensar?
S - Não no pensar, mas nessa idéia que penso idiota da necessidade de se organizar.
F - Não pensas boa a organização?
S - Não. Ela é restritiva, não possibilita a idéia de outros mundos. Ele precisa ser do "melhor" (que se frise estas aspas) modo possível.
F - Eu acho estranha essa tua ideia, Sílvio, como poderia restringir se abre outros...
(...)

Era esse diálogo que precisava expor.
Ainda preciso pensar melhor sobre.

Mas nada me abala a fé.
Essa fé lusitana, teimosa, que crê a razão poder explicar seus posutulados.
Essa fé brasileira, tão ambígua quanto a outra.

Sidney Azevedo
Um algo de pensar a dois
(A rotina e eu... Que dupla estranha...)

domingo, 4 de novembro de 2007

Banda abandonada?

Jogue na sorte!


Às vezes olho no espelho
analisando minha vida.
O que fiz todo esse tempo
a andar ou não pela avenida.
Se outrem também faz isso
não sei... mas tenho receio
que alguém me note e diga: não!...

Jogue na sorte,
pois dias melhores podem vir.
Antes da morte
ainda havemos de insistir.
Seja mais forte
enquanto todos querem ver-te cair.

Sidney Azevedo

Ex-letrista, 21 / 03 / 2004

(há muito tempo atrás, quando éramos Nervozzos...)

PS: nesse tempo o ideal anarquista era muito forte em mim...