quarta-feira, 28 de maio de 2008

Uma imagem...

Sertanejos em terras - germanas...?

Só mais uma irrisória ironia sobre a chuva em Joinville, hesitei em publicar o desenho em virtude de uma possível repetição... Mas, perguntei-me, que seria repetição, se já não aquele mesmo da possível primeira publicação...
Sou um outro. Um outro que mais se preza. E prezo meus desenhos. E lá vai um. Por hora fica aí.
Inté inda!
"Et in homines habet humus vivificantis".
Sidney Azevedo
Sem mais...
(detalhe ao urubu...)

Repensar é preciso.

Aforismo

A nota de rodapé,
quando cai em frente à Sé,
nada é sem parecer.
Pouco alguém vê,
insta em teimar dizer: "sê!,
liberdade a arrefecer".
_

Ora, que ouvidos dais
às tolas conversas do cais?
Aforismo dói à lida:
soa livre e ainda prende;
quer ser vento e estende
a dureza da cálida
impaciência...
_

Vede, esquece o poeta a métrica!
Joga ao lixo as escolas
e todo seu enquadro pacificador.
_

Pax é uma guerra contra si mesmo
que Augusto, imaculado
- como seu nome indica -,
acabou manchando de vermelho.
_

Mas, que tem ao redundar o "si-mesmo"
quando lá fora há neve,
quando lá fora se pode brincar.
(Devo apagar o quarto parágrafo?)
Ora, esqueçamos o rigor dos adultos!
Ora uma vez aos céus!
_

Que há-de tão alto que possa ser inalcançável
isto só há ao deixar que Deus esteja distante
sem se o ver no caminho,
sem se o ver nas linhas que criamos,
sem se o descortinar,
ainda que na mera possibilidade de o descortinar...

Sidney Azevedo
Revê-se cá minhas alegrias
(acho que o 4º parágrafo...)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Máximas de segunda

Castiçais na cabeça
nem sempre luzem
como se bem quer
_
Por que precisamos de premissas? Os animais vivem tão bem sem elas...
_
Um senso-comum é um conceito não explicado há algumas eras..., incluso está o próprio senso-comum, descontrário de luta nenhuma com a ciência.
_
O conhecimento de hoje quer-se senso-comum amanhã. O socialista: "Quem ganha com isso?". Ora, as outras formas de conhecimento, não é óbvio?
_
Os representantes da Razão quiseram ter a Ciência por filha, como pode alguém querer ter uma mazela da organização por filha?

Sidney Azevedo
Por hora é isso
(Já irão dizer-me preconceituoso...)

sábado, 24 de maio de 2008

Ai, como findar um remate?

Arteirice

Internacionalização da arte? Sim, está a arte a tornar-se interna. Interna na abstracção. É uma observação cretina, dizer-mo é desnecessário. Ora, eis que há uma idéia igualmente cretina: criemos um novo movimento artístico: o movimento do cretino, o Cretinismo, e façâmo-lo estar às páginas de história da arte do futuros livros-resumos de coisa nenhuma.
- Sim, tu és um sujeito cretino...
- Eu sei, e to antecipei a objecção...
Mas, tentemos uma poesia cretina:


Asserção

Estudo é uma proposição.
O propósito proposto é...
nenhum!

O fim termo não acaba aí
quando diz: está findo ponto
É-lhe um

__________________________

Pronto. Lá está. Ei-la a poesia Cretina.
Sidney Azevedo
Difícil não é...
(Imprimatur...)

Imagoi facem male?

Uns tantos de linhas-imagens mortas e seus tês
Após semanas, volta o Sidney a publicar uma charge. Não por falta de tempo, criatividade ou outra desculpa escarpada - esfarrapada é dar viva ao óbvio pulsante de mistério, e a analogia que proponho é outra: ao se acreditar em algo se prefere o objecto da crença como aquilo que está plano, que impeça uma tentativa (tem tê este tal termo tentativa...) de escape de significado. Penso, no entanto, e com algum descaro que o excesso de imagens (imagoi) é só uma medida de tempo.
- Como raios medida de tempo?
A imagem mata de ti um pouco ao to revelar. É uma morte lenta, que tem a haver com a idéia de conhecer - não é re-conhecer ou reconhecer, é conhecer mesmo... - os limites de algo. A imagem, ela, em si, não existe para ninguém e nem para si mesma, só existe quando se dá a um conjunto de linhas tal estatuto (tê, tê, tê..., tê!). O tê é uma cruz, sua imagem e semelhança, se assim se ver. Este mesmo tê é a morte de ti não pela idéia cristã, mas pelo martírio de conhecer sempre as mesmas linhas.
Linhas matam, entorpecem e cheiram a veneno lento. Imagem é um convite ao conhecimento de linhas. Só. Lá pára a sua graça para a desgraça de entender que há um tempo. O fim do conhecimento de uma imagem num lugar impõe que outra se deve procurar para conhecer, um vício circular. A que se conhece fica no depósito, no departamento Memória. E a sala Saudade, vazia sempre de tempo, não é visitada. Tempo é o conceito de re-conhecimento. Uma crença na idéia de que se pode conhecer algo uma só vez...
Sidney Azevedo
Linhas mortas-vivas
("Sala Saudade, vazia sempre de tempo"...
Tinha tempo que não inventava algo tão bom)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Entidade: ência?

Sacrência!

Sagrar, Sagres, querida a freguesia,
ao mar a entonação do vento forte
que a lhe bater continua com dó,
sem ir de si ou lá de ré a ver o sol
que sobre a nuvem fã quer se dar
à casa de Mi. Dos acordes nego
entendimento. Sei tão-só ouvir se
assim quero. E tua voz, ansiosa de
ter uma ânsia, não quer edifícios
metafóricos por onde circular, mas
só dizer as saudades de cá que já não há.

Sidney Azevedo
Mais anti-poética
(preciso inaugurar meu movimento artístico...)

terça-feira, 20 de maio de 2008

Sócios comuns humanos

Cá elenco algumas personagens e dilemas que têm em meus contos. A maior parte é de Morújia. Alguns de Faro, de Sagres, de Setúbal. Uns ainda de Joinville, de Araquari, de São Francisco, de Blumenau e de Itajaí. Apreciem:
Pedro Benteja: crisis ratio.
Não, não é preciso acordar, Benteja..., olhe, só é fecha a edição do jornal amanhã. Mas, teimoso como todo morujiano, o escrevinhador acorda. É-te preciso dizer algo mais sobre a cama?
- Dispenso o que me diria, senhorita Consciência...
Vem-lhe pela janela a manhã com os olhos a se espremer e o pensamento a se desvencilhar das teias que o cercam. Não há dois, nem discernibilidade alguma qualquer - discernir é deixar o lenço da morte sobre a fonte das possibilidades de vida. Há, e só, o inconcluso sentimento da vida plena, aquele que não aceita teoremas, juízos sintéticos, epiqueremas infindas, e a devastadora filosofia de sistemas. O encontro em que Deus é parental, o universo um irmão e que nem é encontro.
Logo vem-lhe as as cores. Lá o ceú se deixa entender no azul, logo o bosque da praça Góes no verde, e cá mais já o piso de pedras da praça no acinzentado.
- Que foi isso?
Lembra-se o conselho e se vai a dormir, querendo repetir a comoção.
Não adianta, já está acordado, e só o trabalho a extenuar enquanto toma o café.
- Que há-de ser pauta?
Lia Dante. Quem sabe o inferno por pauta... Não. Só se a ele fosse por barca, como predizia o celtíbero-catolicismo. Mas essa afundou com as certezas, as duvidosas certezas, da Ciência. Finda a hora, pega o carro e vai, o volume ao último:
Caminhando contra o vento
sem lenço e sem documento
O lenço deixara à mão da morte para secar a indiscernibilidade que lhe perturbou. E volta a perturbação. Bakunin espera leitura, este em que a sumir está a utilidade do documento. O Estado é indiscernível, mas esqueceu na gaveta o papel em que isso anotou. E vai resumir acontecimentos. O mais de repórter não interessa. Só que vai dormir pensando naquela intensa experiência.

Sidney Azevedo
Ô Benteja..., vê se me dá um retorno
(falta-me concluir o conto, sua besta...)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Um texto em negrito

De como escrever apressadamente

Não é muito difícil escrever com pressa.
Basta...
... que se tenha uns tantos de idéias...
... esparsas,
como o são aquelas estranhas noções...
... de informação.
E vai a chibata:
- Anda escritor inerte!
- Acalma-te, senhor, logo termino.
- Que vá!
E salvo o desjo de sair, o resto se deixa lá e aí prender...
Sidney Azevedo
uns instantes - gosto desta expressão
(mais uma vez...)