segunda-feira, 30 de junho de 2008

Claros uns, turvos outros. Vede que o título não é este!...

Distinção


Resolvi um cálculo.
Resolvi?..., sim, fi-lo mesmo.
De aí em diante que me há-de entreter?
Ver do cão ao carteiro o pulo
ou o curtir sua pele em marasmo?...
Não, vou-me pois a ver o éter!

Mas é-o parte de eterno...
Raios!..., onde me vai já a distinção,
essa inter-rogação pelo conhecido conhecer
que graça tem só ao inverno,
talvez do inferno de saber vil a acção
que é ainda fraqueza de uns homoi-macer.

Raquíticos e esparsos,
ocos de si: ovos de chocar certezas de outrem,
vades pois a pô-los à ordem em cálculo...,
Macera-lhes um crânio e uns pés. Lassos
vêm ainda em distinguir também
que o mesmo do cão faltou a si: um pulo...

Sidney Azevedo
Eu sou, mas não quero escrever que sou...
(... porque isso significa: não sou mais)

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Luta de espetos de churrasco

Dom quixutos e pontapés

1º ato

- Ai, ele vai se jogar!
- Não, não vai!
- Aposto que vai!
"Aposta quanto?", perguntei-me, pensando em ganhar algum vintém para o café na faculdade - ou melhor, para o bolso da carteira, raio de café caro!...
- Parece que alguém vai se jogar... - comenta alguém com indiferença.
Lembro de alguma cena que n'algum dia formei quando pensava numa feira da Idade Média: as pessoas a acotovelar-se para conseguir o melhor pato, o que renderia a melhor criação, o banco trocando moedas, diferentes em cada vila, os pesos e as medidas a enganar trouxas (não digo trouxa para pessoas, digo-o para os sacos que retém baixa quantidade de sua capacidade), e os alguidares com as pinhas e os azevos a transbordar sem ninguém os comprar, e a taverna, cheia de beberrões e de palavras que soavam, "Estais querendo um pugilato cá à fronte deste testo" - a apontar para o elmo -, "vinde então!". Ora, e uma estreiteza de espaço abriga o que há de lojas de luxo, estas, no entanto, espaçosas por poucos que aí estão, mas às quais não vêm os aristocratas, que devem ler Aríosto, talvez, com o pé à lareira - sim, muito frio, como esqueci de dizer. As galerias mais estão para os vendedores de fora, esqueci de o dizer. E, ora, alguém ameaça cair e se espatifar ao chão do alto da torre da catedral. No entanto, o que há é um grupo mambembe a estrepuliar.
- Non se faze mais mortis com'anter - reclama um senhor do ano de 1140 de minha imaginação.
"Raios!" - suspirei, pensando ter dado um grito altíssimo.
Mas pensei que há cá de diferente? Há beberrões no Quiosque, a gritar, "que é isto?", assim como há uma galeria mais fechada, um tal Shopping Direto da Fábrica, e, ai..., ao outro lado, uma financeira, a reverter dinheiro virtual, abstrato de máquinas, em coisa alguma que se possa permutar em consenso. E lá está a gente das lojas a querer o muito do nada, nas fuças dos clientes a dar por alto o valor das peças quando não valem nem o proporcional à algibeira.
"Ninguém vai se jogar, é uma peça de teatro", confio o dito à vendedora de um loja.
Ora, era, pois, um teatro, o grupo mambembe da minha Idade Média.
Uma releitura de Dom Quixote, de Cervantes, mas com um tom moderno. Saíam noivas a passar pelo largo da peça e fugiam. "Dulcinéia!" - não, calma, não está bem representado. "Dulcinéééééiiiiiiiaaaaaaaaaa!" - agora sim!..., e vinha Dom Quixote, terno e gravata, a descer de rapel. As noivas ao longe. E a persegui-las: ele, inefável em sua sanidade de nobre...

2º ato


Um grupo de pessoas, no entanto, chega sem entender muito bem:
- Que é isto? O cara vai se jogar?
Digo, com ingenuidade: não, meus amigos, é uma peça de teatro.
- É uma peça de teatro?
E esvaem-se pelo mesmo ponto de onde saíram...
Enquanto isto o Quixote moderno atravessa a rua, a mencionar suas futuras aventuras, e tentando gritar mais alto do que as buzinas do automóveis que transportavam uma só pessoa, dizia:
- E isto, nobres senhores, é o princípio de uma história em que a liberdade se doa em nome do amor a uma mulher!..., pois a vida tem de ser vivida em nome da cortesia, vamos, tenho de salvar minha Dulcinéia!...
Soou-me estranho, pois o Dom Quixote tinha uma cara de Schopenhauer, aqueles mesmos cabelos cinzento-esbranquiçados com que ao vento gritava: "as pessoas devem andar do lado certo das calçadas". Penso como o pensador não estaria doido ao ver a principal rua de uma cidade como Joinville parada por uns mambembes, carrancudo, a espantar as crianças, enquanto o Quixote só atraía a curiosidade, com seu olhar esperançoso de encontrar, pois, sua Dulcinéia. E logo lhe atormenta a visão das noivas, e ele lhes seguia a berrar: Dulcinéia!, Dulcinéia!, venha cá!, meu amor! E os donos dos carros, impacientes já há muito tempo sem entender o que se passava e menos ainda a sinalização dos guardas a lhes fazer voltar.
- E a minha sessão na Acij? - é o que pareceu-me alguém ter dito (para os meus leitores de fora de Joinville digo que é a Associação de Comércio e Indústria, manda-chuva da cidade).
E o gajo Quixote encontra deitado então seu elmo de Mondrino, no carrinho de um catador de papel, na calçada da rua do Príncipe.
- Ora, eis o elmo de mondrino, o que pode fazer um cavaleiro nobre como eu sem uma proteção à cabeça...
Pessoas saíam, outras se aproximavam. Logo vem o professor de história da arte, o espectador de arte, outros artistas (de teatro também...), os críticos, os repórteres dos cadernos culturais de... arte, oras! Iam-se embora os poucos curiosos pelo assunto, embora quisessem permanecer as crianças, foram elas daí puxadas por seus pais.
- Mãe, eu quero ver.
- Vamos, filho, a gente não tem que perder tempo, aqui...
E o Quixote, soergue-se sem olhar para o que lhe parecia mais um ratinho de importância, perto de sua primeira indumentária de cavaleiro:
- Ora, que queres com o elmo de Mondrino?
O catador a lhe tentar alcançar o que, para ele, era a panela de suas refeições.
- Ô moço!, que é isso, dero em robá os catadô?
E aquele, então lhe olha e diz:
- Sancho, ó, meu caro Sancho? Demorastes em chegar!...
Levanta-se o catador de rua a protestar:
- Não enche, meu!, vai embora!, que papo é esse de Sancho?
- Sancho Pança!
- Pança?, má eu nem sô gordo!...
E os mais se juntam aos primeiros fotógrafos e câmeras, tentando pôr ao lado a multidão de aficionados que já os seguia como que em romaria ao adentrar a praça Nereu Ramos, acompanhando a negociação do cavaleiro:
- Sim, Sancho!, és Sancho Pança, meu fiel escudeiro!
- Escotero?, eu hein?...
- Não, Sancho, és escudeiro, todo cavaleiro de aventuras precisa ter seu escudeiro!
- E porque eu, catadô de papéu, ia sê do nada assim, esse negoço aí, como é?
- Escudeiro...
- É, escudero?
- Ora, os escudeiros, ao fim das batalhas, ganhas grandes somas de dinheiro, tornam-se vassalos e mais fortes que os demais plebeus.
- Dexa eu vê se eu entendi! Que é coisa demais pra minha cuca!, eu vô ganhá grana, vô tê terra e vô tê poder?
- Isso, caro Sancho, e posso ainda te tornar governador de ilha.
- Peraí, ilha é aquele troço meio que cercado de água por tudo que é lado?
- Sim, Sancho, uma ilha!
- Até'inda poco tava bom, mais governadô de ilha é esmola demais, até logo, Dom Chicote!

3º ato

Quando parecia que ia a ficar sem um escudeiro mais estava cheia de sombras a visão desse novo Quixote. E a maior das sombras era a presença de um certo pudor que relaciona vergonha e liberdade de si:
- Hei Sancho, mas como poderás conviver com a glória de ter fugido da aventura?
- Eu, fugido?..., oras! Só num sô é doido de te acompanhá!
- Ora, e que hás-de perder se comigo vires?
- Ai, tá bom! Mais vamo que eu num tô afim de perdê tempo; se é pra i vamo logo!...
A este ponto o circulo fechado em torno de Quixote e Sancho estava já bem consolidado. Uns transeuntes a ele mesclavam-se, mas não sem desânimo por entender que não conseguiriam acompanhar o que ocorria - a não ser que fossem altos o bastante para os dedos dos pés e suas respectivas articulações os pusessem sobre os ombros dos que aí se interpunham.
E havia a necessidade dos que, enquanto estavam na praça perdidos ainda e seguindo as noivas tal qual o Quixote, mas sem saber bem o porquê; tentavam estes, por ora, posicionar-se de um lado para outro, ao melhor modo de entender que "raios!..." havia entre as moças e o tal do cavaleiro andante - certa colega chamou aos que praticavam tais movimentos de suricatas, não como aos animais da savana africana, mas como àqueles bonequinhos que saltam de tocas e que temos de acertar com um martelo estilo Chapolim Colorado.
- Mas falta-me ainda um rocim ao qual de pompa terá o nome de Rocinante!...
Ora, que nobre mais chato, vem-me a interromper a narrativa quanto ela está em sua melhor parte..., a da descrição dos olhares curiosos, dos que hão, tão-só, à volta de um evento inusitado - e, ai, volta-me a idéia da procissão execucional medieval:
- No hai sanguina qui fax mundo im pace qui no sedi sangro dei partia! - segreda-me o vigário de Vigo, também da minha imaginação, de 1137, quando da execução de um superlativo das idéias de Orósio..., bem, isto não muito deve interessar a quem espera ver pessoas subindo nas árvores e ver o Rocinante. Pois, se o original era um cavalo velho, talvez já sem dentes, carne e força para uma viagem, que seria este tal senão uma carroça?
- Ora, houve evolução, pelo menos!
Evolução?, sim..., era isto mesmo o que ouvi. Pareciam dois que gostavam de teatro a rir-se do humor da peça. Mas não cri muito, ou melhor, não quis crer, pois que evolução imprime algo de valor no sentido de que o que se conhece está a ser melhor justamente por que se o conhece. Ora..., pois assim o que não se conhece não tem valor. E o que se conhece se conhece quase sempre do mesmo modo, tendendo a não mudar o olhar; mas como isto é uma crônica e não um dos textos dissertativos-desconstrutivistas - dos quais o Antítudo já se cansou de receber - que vamos ao Rocinante.
Sabeis já que se tratava de uma carroça, ou um carrinho de catador de papel como pode talvez ficar mais claro. Mas, aos olhos do Quixote - e caso nós o vermos com uma certa bondade - é um glabro cavalo, perdão!..., deixai-me pois corrigir: um garboso cavalo. E é com parte de um crânio de um cavalo morto na seca que se dá a ver, e ao próprio Sancho, que aquilo pode ser um Rocinante Frankenstein:
- Ó, seu Dom, eu acho qu'isso tá bom pra dizê que é a cabeça...
- É perfeito, meu caro Sancho - mas diz isso pensando na cota de malha ao outro lado da rua - que achemos na hora as coisas de que precisa um cavaleiro de aventuras!
E aí se vai, atravessando à frente do ônibus que o aguarda pacientemente - certamente sem a paciência mesma dos passageiros que as suas casas aguardavam seu passar o caminho atravessado por um sujo qualquer.
- Por favô, esse selim de bicicreta (em verdade de uma moto) tem que servi como assento!- Tá faltando rabo nesse cavalo - avisa alguém, o qual não podemos já saber se é da platéia cúmplice, ou se algum saltimbanco espião ou algo do gênero -!
- Ai, Deus, onde vou achar um rabo?..., aqui não tem - diz Sancho olhando os traseiros das pessoas, até que alguém lhe entrega um cachecol (é alvo suspeito também esse de que seja ator) azul.
- Eita, mais até que ficô um rabo bonito, azul.
E o Quixote voltava já vociferando o nome de Dulcinéia de Toboso que haveria de ser sua..., mas ainda lhe faltava a espada...
- E cá está a minha espada... (não me lembro muito deste trecho)... com a qual irei salvar minha doce amada.
- Ô, moço não faiz isso, qu'esse é pra sê o meu espeto de churrasco!
- Vê, Sancho, só me falta pouco: as aventuras (diz isso montado no Rocinante)
- Ô, seu Dom, cuida pra vê se num cai!
- Avante, Rocinante!
- Ai, vamo lá - e se vai o Sancho a puxar a carroça e o pouco de papelão que tinha além do sandeu.

4º ato

Apesar da movimentação da praça, ainda consigo um lugar alto - não, não subi numa árvore, mas podia dali, se quisesse, falar com os jogadores de dominó, que lá estavam, incansáveis, cavaleiros andantes das partidas infindas..., pare-se já que estou a forçar palavras onde elas pouco cabem. O Quixote estranha logo três rapazes:
- Ah!, estão cá os detratores!, em guarda!
E pouco se importam os jogadores de dominó...
- O que é, hein, tiozinho?
- Ousais desafiar o peso de minha espada, saibais que me rio de vós como rio de ditirambos!...
- Esse cara só pode tá loco - cochicham os rapazes -!
- Lutem!
E com essa palavra joga as espadas-espetos para os três, fazendo grande barulho o aço meio enferrujado e o cimento das pedras não-calcárias.
E a batalha começa com lutas um-a-um, tendo o Quixote sido derrubado logo no primeiro golpe e se levantado logo, igualmente, ao primeiro toque das costas com o chão.
Ergue-se e recomeça a batalha, desta vez com a intervenção de Sancho, munido de um bambu:
- Ô, povo, pára, não faiz isso c'o seu Dom, deixa ele!
De La Mancha consegue derrubar dois dos rapazes que se voltam contra Sancho, partindo-lhe o bambu.
- Ai, meu Deus! - e olha com uma cara de espanto bobo.
- A luta prossegue e o Quixote tem 7,5 pontos contra 18 dos rapazes, parece que ele vai vai perder essa luta!...
- Pois é, caro Fulano Narrador, ele tem dado poucas balestras, se tentasse, talvez conseguisse atingir em cheio o outro amigo.
E após pensar nesse outro diálogo possível olho para os aposentados do dominó: não lhes atrai o som das lâminas, enquanto as pessoas em um restaurante à frente, que tem uma sacada, de lá olhavam admiradas o que se passava na praça. E os fotógrafos novamente se acotovelam para encontrar ângulo, mas com alguma cautela. Esqueceram, a certo grau, da recomendação de Capa. Também os taxistas tentavam olhar. Os traunseuntes voltavam a parar. Até que Quixote se engalfinha, do nada, com seu escudeiro.
- Ô Dom, pára, pára, por favô!
Até que o cavaleiro cai exausto.
- Que cara loco, vam'bora, galera!Aos gritos de "é isso aí", vão-se os garotos por um outro lado.
- Ô, seu Dom, não adianta brigá co'essa gente, não!
Mas não dura muito tempo a advertência, logo passam correndo pela imaginação do Quixote as noivas, e volta ele à procura de Dulcinéia.
- Dulcinéia!
- E eu não digo que mulhé só desgraça a vida dos home?, ô, seu Dom, volta aqui!
E quem volta é o Sancho para trazer à rédea o Rocinante.
E alheios vão no jogo seu os aposentados, sem nem mesmo olhar o que lhes vai ao redor.


5º ato


E eis um marulho ensurdecedor. Estamos nós à beira da praia para que haja marulho?, e o mais: há marulho que deixe atordoado? Não, pois, tratava-se de um ronco meio surdo ao longe, que se aproximava, lento e crescente, com uns tantos de carros a buzinar atrás.
Penso um dos motoristas:
- Que é que tem agora, que não tem nem espaço para os carros passar aqui?
A rua era a Engenheiro Niemeyer. Acompanhava um degredo de som e de ouvidos, que a uma nova idéia tive de Schopenhauer a resmungar:
- Oras!, uma escavadeira!, mas até isto a atravancar o texto fluido de uma cidade, um texto que deveria correr com um andamento da natureza - diz isto como se esse andar da natureza não fosse só mais uma projeção do homem nas coisas.
- Vinde, dragão temeroso, que minha Dulcinéia não poderás roubar - berra Quixote para a escavadeira, tendo nas mãos o pedaço de bambu partido por Sancho na luta com os rapazes, encaixado em um pedaço de cano de pvc velho e partido nas pontas.
E golpeava com vontade, enquanto a Dulcinéia, partilhada que era sua visão por todos, na existência de um pequeno ser em véus de noiva na pá da escavadeira. Violento, continuava. E agora as buzinas pararam. Talvez estivessem os motoristas, sós, como costumam estar nesta cidade, a entender que ali ocorria um teatro. E aquele louco, já quedos uns pedaços do pvc, partidos com força, na calçada do outro lado, pára quando o funcionário da empreiteira, grita, após uma estupefação efêmera:
- Ei, meu amigo, que é isso!
Quando então cai o gajo Dom mais uma vez é ele levado por Sancho. Há uma saraivada de palmas - ai, esquecia das palmas, muitas, conforme a cena... - e o Quixote, montado em Rocinante.
- Voltemos ao trabalho! - o outro da construtura, que expressou o que para muitos poderia ser o pensamento.
Estando o carro ao fim da praça, mais próximo agora aos aposentados, o Quixote resolve dar, ao fim, o definitivo ar da romaria, pois que sobem todos em direção à Catedral. Antes, paro e converso com um antigo conhecido de Igreja, taxista, que me pergunta:
- Estás no teatro?
"Não, só vim assisti-lo" - e, ao certo, não falei com tal ênclise.
- Ah, bom, mas o jornalismo todo tá em peso aí, né?
Não pude deixar de rir: é, parece não há outra notícia.
E eis: volta-me a Média Idade, aquela lá de algum lugar, da capela dos ossos de Quixotes outros tantos que se foram.

6º ato


E eis que vem as pessoas todas subindo a rua do Princípe, o ar processional poderia fazer alguns pensarem que a romaria quixotesca seguia, de algum fato que é possível - subvertendo o fato de que o fato é necessariamente o que se passou para o que de fato pode ocorrer -, à Catedral (reconheço que o excesso de intercalações mata o meu texto...). O que há, então, dados alguns passos, é uma pregação dos valores da cavalaria andante, os quais não me lembro muito bem porque à calçada tudo se fazia apertado...
O Quixote não estava ferido, como se poderia imaginar, da luta com o dragão-escavadeira. Havia-lhe, ao que parece, força para ainda proclamar o discurso. E eis que a repetição torna algo inevitável. Pois novo perigo se posta, à entrada da rua das Palmeiras: dois palhaços mascarados, mantém presa Dulcinéia de Toboso da imaginação do Quixote em uma gaiola de paus atados com cadeados.
O ambiente, margeado por algumas casas ao estilo português - e outras tantas ao estilo do nada-é -, com sua quinta de palmeiras a cria, a impressão, como uma cidade ibérica do século XIV do qual perdeu-se a paixão do Quixote, relembrada em excesso pela gente romancista de duzentos anos após. Ao alto da torre - de uns poucos metros... -, embora não saiba se teve o Dom reparado ao prédio da farmácia Minâncora e visto lá as noivas e as nuvens que sobre elas se punham. Tinha olhos só para o degredo de sua amada. E as criaturas que a aprisionavam, vendo que o herói resolve atacá-las com o gládio às mãos, rolam a estrutura, fugindo a noiva para a torre. E o Quixote quedo ao chão e logo a polícia prende-o, ainda ele a distribuir espadadas à armação. Posto o gajo no carro, logo o vai pelas esquinas seguintes e some. Fica o Sancho a gritar que apenas ele o entendera, que o dera por alguém, enfim. E só.
Terminam as moças noivas em coro lírico, a rua com uma lembrança e os passantes com ar imbecil... Vão todos para casa. E eu ainda a pensar: ai, que idade é esta, raios!..., onde vivemos...


Sidney Azevedo
Irra, só linhas e linhas...
(Findo, nada é...)
As fotos são do nobre amigo Jacson Almeida, blogueiro do Photoart
.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Mundo esquisito, leia-me!... Vede que vós, ao vos ler, sou eu!

O mundo inacessível


Mundos esquisitos, inacessíveis, mas a criar portas para mim. Vê, a porta é o meu pensamento; "mim" é alguma coisa que não admite estar, mas está. E esta vida de estalajadeiro do mundo que sou, recompondo a desorganizar, propondo o fora que é o dentro - mas sem definir que sejam tais coisas... - como tal assim parece. Parecer lembra perecer: e, cá entre eu e mim (aí vive o nós!...), isto é talvez o que possa apelidar de Verdade.
Pois apelido falseia, alcunha readmite e liga, e nome-próprio, oras!..., quem sabe a faceta que representa? Mas o mundo é meu, pois sou eu quem lhe dito as regras!, vê tu mesmo que sou-me: há vida no fora, mas está incomunicável. Comunicação não salva. Destrói, e refaz o inefável do féretro social: és tu mesmo (desta vez tu, pois o eu já não quer ser-se, é-o, embora, ainda...). Vades embora!, e deixai o silêncio...



Sidney Azevedo
Mais um exercício
(... só funciona à falta de música, raios!)

Discussões e incertezas: a escrita está mudando

Quatro ratificações e Acordo Ortográfico segue sem implantação

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Por Sidney Azevedo

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A próxima reunião da Comunidade de Países de Língua Portuguesa deverá ter na pauta de discussão a implantação do Acordo Ortográfico nos próximos anos. O tema volta a ter força, após dezoito anos de negociação, com a ratificação do Acordo pelo parlamento português, em 16 de maio. Pelo acertado no segundo protocolo modificativo, de 2004, o Acordo passa a valer assim que três países o ratificarem. Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe já o tinham ratificado até 2007. Desde então a aplicação da nova ortografia tem se dado de modo hesitante. Professores, tanto no Brasil como em Portugal antecipam algumas regras, mas sem muita certeza de quando passam a vigorar. Com a ratificação de Portugal, o Acordo tem mais chances de aplicação.

Quando se fala nas modificações propostas pelo Acordo Ortográfico muitas vezes confunde-se ortografia e gramática. Muitos pensam que pode haver mudanças na estrutura frasal ou no vocabulário, quando, no entanto, ele só muda a forma de escrever as palavras: “Isso significa que teremos de escrever como brasileiros? Já nos não bastam as novelas a massificar?”, questiona o armador português Alberto Araújo, 26.

Noutras vezes não se sabe do Acordo: “O quê, vão mudar o português? Já não era sem tempo!”, exclama a vendedora brasileira Ketlin Espíndola, 19; “Isso é bom, precisava evoluir”, diz Renata Ganzenmüller, 18, brasileira que faz curso técnico de contabilidade.

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Nem sim, nem não

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A controvérsia em torno do Acordo não está nas ruas, entre os aproximadamente 230 milhões de falantes da língua, mas nos núcleos envolvidos com as letras, pelo menos no Brasil. O professor de português e músico Abdon da Silveira, 62, acompanha de longe e concorda resignado com a mudança por entender que ela facilita o trâmite burocrático entre os países, sem a necessidade de dois documentos oficiais, mas afirma: “as alterações devem ser outras”. Insistiu algumas vezes que “isso não fará do português uma língua com força internacional”, embora “aproxime os países falantes”.

O também professor de língua portuguesa Anilton Weinfurther é contrário ao acordo porque ele equivale a “trocar seis por meia-dúzia”. Questionado sobre que mudança deveria ser feita pelo Acordo, mencionou as regências verbais por serem grande fonte de confusão. Para modificá-las seria precisa uma nova gramática.

Pedro Tadeu Vexani, 26, estudante de jornalismo que cursou Letras por um ano, fala em uma “pasteurização do português”, e por isso não concorda com o Acordo. “A beleza da língua reside em sua complexidade”, comenta, e lembra que o middle-english de Shakespeare era complicado, assim como sempre o foi o francês, que era a língua padrão do século XIX. Vexani não crê que as mudanças possam tornar o português uma língua “mais forte”, mesmo que a ambição seja essa.

O aluno de jornalismo Rodrigo Silveira viveu três anos em Portugal e reconhece no país o tradicionalismo. Pensa que a modificação “tende a criar um espírito comum entre os países”, a aproximá-los não apenas no plano de documentos político-econômicos, mas no cultural também. “Em Portugal usam-se muitas gírias vindas de Angola, mas quando o assunto é o Brasil, as coisas parecem afastadas e se quer afastar mais”, observa.

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Extremadas e desmentidos

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A imprensa portuguesa polemizou bastante sobre o assunto. “Os jornais sempre davam às falas de Graça Moura um lugar primeiro por concordar com seu conservadorismo ranhoso”, explica o estudante de Letras João Manuel Azevedo, 29. Vasco Graça Moura é jurista, deputado europeu e um dos personagens da batalha de artigos contrária ao Acordo. Segundo o eurodeputado, o Acordo não tem validade enquanto todos os países não o ratificarem, como prevê o texto original de 1990. Outros defendem que poderia haver a obsolescência súbita de livros e a conseqüente destruição de bibliotecas. “Ora, não veem que não tem sentido manter um ‘p’ em ‘óptimo’ quando não se o pronuncia…, a não ser para quem gostou da Ditadura”, ironiza o vendedor Tiago Sousa, 22, ao relembrar a ditadura de António Salazar, que insistia que “as colónias voltariam a ser de Portugal”.

“Embora a maioria dos portugueses entenda e esteja indiferente ou aceite a modificação e não perca tempo discutindo em páginas da Internet”, diz João Azevedo, “o grupo antiacordo emprega pressões para impedir a promulgação do Acordo pelo presidente”. O Manifesto em Favor da Língua Portuguesa, liderado por Graça Moura, com quase 60 mil assinaturas, já foi entregue a Aníbal Cavaco Silva por duas vezes.

Um dos argumentos do Manifesto diz que “as editoras portuguesas ficam assim prejudicadas quanto ao mercado africano”. “Isso não é óbvio?”, pergunta Alberto Araújo, “não parece que o Acordo só atende aos interesses do Brasil?”.

Para o doutor em comunicação Jorge Pedro Sousa, que não tem acompanhado muito a questão, a idéia da obsolescência súbita é “ridícula” porque “hoje se lêem bem livros do século XVI”. Sobre o mercado editorial não vê mal nenhum na concorrência em cada país lusófono: "Oxalá os livros em Português possam circular com facilidade em todo o mundo!”. “Quando se fizeram mudanças na ortografia sempre houve oposição, mas depois de um período as novas grafias entraram facilmente nos hábitos dos falantes de Português”, conclui o pesquisador em entrevista por e-mail.

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Visão de um angolano

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“Angola tem mais a ganhar com a existência de uma ortografia unificada do que Brasil ou Portugal”, afirma o jornalista e escritor angolano José Eduardo Agualusa. O país tem, segundo ele, apenas uma editora, que é estatal, e que se destina à publicação de editos (textos oficiais do governo). Agualusa teve de ir a África do Sul para publicar seus livros. “Em Portugal o custo é demasiado elevado, voltei triste”, afirma na entrevista por e-mail. O autor afirma que a principal vantagem reside na educação. “Precisamos desesperadamente de livros. Importamos livros de Portugal e do Brasil. Isso significa que temos livros em duas ortografias no nosso território, facto que suscita natural confusão, sobretudo aos leitores recentemente alfabetizados”, expõe no artigo Acorda, Acordo, ou dorme para sempre. E também alerta: “caso o acordo não venha a ser aplicado – por resistência de Portugal –, entendo que Angola deveria optar pela ortografia brasileira”.

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Mudanças

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As estimativas estão em 1,6% de modificação para o português europeu e 0,5% para o português brasileiro. As mudanças são:
O alfabeto passa a ter 26 letras, com a inclusão oficial de ‘k’, ‘w’ e ‘y’, na aplicação de palavras de outras línguas.
Fica abolido o trema, até na poesia, à exceção de palavras estrangeiras: qüinqüênio passa-se a escrever ‘quinquênio’; lingüiça, alcagüete, e agüentar passam a ‘linguiça’, ‘alcaguete’ e ‘aguentar’, em seqüência; ‘müelleriano’, por exemplo, permanece com o trema.
É abolido o acento de ditongos abertos: heróico, jóia e idéia escrevem-se ‘heroico’, ‘joia’ e ‘ideia’; de paroxítonas dobrada com ‘oo’ e ‘ee’: enjôo, abençôo e lêem passam a ‘enjoo’, ‘abençoo’ e ‘leem’; e os diferenciais: pára e para grafam-se como ‘para’, pêlo, pélo e pelo grafam-se ‘pelo’.
O hífen cai em aglutinações quando a segunda parte começa com ‘r’ ou ‘s’, dando origem a um dígrafo: contra-regra e anti-sistemático passam a ‘contrarregra’ e ‘antissistemático’; mas permanece quando o prefixo termina com as mesmas letras: hiper-regulado e pós-surrealismo ficam do mesmo modo.
Os ‘c’ e ‘p’ mudos escritos no português europeu sem serem pronunciadas caem: baptismo, carácter, e electrónico escrevem-se ‘batismo’, ‘caráter’, e ‘eletrónico’; cai o ‘h’ de algumas palavras: húmido e herva passam a ‘úmido’ e ‘erva’; mas mantém-se o ‘h’ em onomatopéias: ‘hem’, ‘hum’, ‘hã’.
É facultativo o uso de acento agudo ou circunflexo conforme a pronúncia e de alguns usos de plural: ‘eletrônico/eletrónico’, ‘fêmur/fémur’, ‘hífens/hífenes’.
As regras e exemplos foram extraídos do próprio Acordo Ortográfico.

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Histórico do Acordo

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1911 – Com a Proclamação da República em Portugal, constitui-se uma nova ortografia, sem ser debatida com o Brasil.
1931 – Primeira aproximação e tentativa de Acordo entre a Academia Brasileira de Letras e a Academia de Ciências de Lisboa.
1940 – Lançamento do vocabulário da língua portuguesa em Lisboa.
1943 – Lançamento do vocabulário da língua portuguesa no Rio de Janeiro.
1945 – Primeiro Acordo Ortográfico (bastante semelhante à proposta atual), realizado pela divergência dos vocabulários, aprovado em Portugal, mas vetado no Brasil.
1971 – Nova tentativa de aproximação com mudança local da ortografia no Brasil (supressão dos acentos de palavras como ‘sòmente’).
1975 – Tentativas falhas de acordo.
1986 – Reação à idéia de excluir os acentos das proparoxítonas. Criação da CPLP.
1990 – Elaboração do atual Acordo Ortográfico.
1998 – Primeiro Protocolo Modificativo, estendendo o prazo de ratificação.
2004 – Segundo Protocolo Modificativo, aceitando o Timor Leste na CPLP e permitindo que a ratificação de três países faça o Acordo entrar em vigor.
2005 – Ratificação do Brasil.
2006 – Ratificação de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe.
2008 – Ratificação de Portugal e encontro da CPLP sobre implantação da nova ortografia.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Sibilar..., deixai cair a letra.

Silente

Instar..., segredo do desmentido. Estar um instante que permanece e quer ir embora quando as luzes de seu caminho e suas vírgulas e interrogações e exclamos e linhas de vida se esvaem sem o avisar ao momento. Faltam intercalações que obrigam os meandros do sentido indirecto a se entender de algum modo - estendendo-se, pois, em linhas férreas que descarrilam o sentido da hora. Tempo é vírgula, quando notado, constitui o eterno de uma explicação. É aquela moeda que cai do bolso, a tilintar o gorjeio do pássaro, a indicar que algo descortina o silêncio para a apresentação de teatro d'aqui há pouco. Mas falta, ainda, que os realces do tempo sejam como os das palavras: "Que quereis dizer com convosco, quando convosco quer dizer 'entre vós a partir do que estou a pensar'?", pois o tempo não diz. O tempo não aguarda; inexiste. E faz, então, questão de estar sob o silêncio. O silêncio que não é ente, nem indiscernível, mas uma hora que não é hora, um instar a não instar, um segredo sem ser segredo, um momento desmomentâneo, o amor de Camões, ainda que sem a mesma importância. Não há mal, tem em mim o silêncio voz. E fala:










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Sidney Azevedo
Vede se quiseres...,
(... por hora basta)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Ora, que há com o Antítudo?

Sobre leitores e autores num sentido anti-Antítudo


Já não é a primeira vez que tenho essa inconfortável necessidade anti-precisa (e dessa vez anti não é usado no sentido relativizador com que geralmente o emprego, mas viro-lhe ao avesso e uso ao invés: o de fixador de sentido antitético...) de repensar o que cá nesta bagaça se tem feito.
Ora o Antítudo, como bem propunha sua idéia original, não deve obediência à tema algum. Ora no entanto converte a necessidade de sê-lo em um blogue deveras sem sentido, cujo autor é um dos poucos que o entende. Desabafo e descaio em crença quando isso digo, mas é-o preciso: sinto falta de comentários. Mas não pretendo que este se torne o objetivo de meu - não do meu!... - blogue! Escrever para obter comentários é ser sensacionalista. E o mais: sensacionalista da Hora - perdoe o Pessoa esse emprego da maiúscula, mas ele há-de entendê-lo. Pois o momento, efêmero, não será no futuro talvez mais duas linhas que haverão na história e uma menção como o grande pateta do século.
Este texto mesmo: envergonho-me de tê-lo começado; pois imbuído estava de ser uma crítica do autor-leitor ao autor-coisanenhuma. O leitor..., ora que diabos tem o leitor? Ele é um ente indiscernível, uma coisa pegajosa que se esvai das paredes e pára ao tecto!, e daí cai às costas de quem pretende escrever. É um ultraje, à mente criadora que o quer longe de si. E sua existência não se dá além da linguagem. Que se morra, então e pois logo, a linguagem, ao menos à hora da escrita e que se vá com ela ao longe esta inútil criatura. Barthes matou o Autor e Nietzsche matou Deus; e digo: não resolveram coisa nenhuma. Que se mate a Criatura, que se a deixe definhar enquanto conceito, daí nascerá uma nova interpretação, jogada para o futuro, como deve ser a filosofia - mas sem o maldito, sempre maldito, conceito de progresso...
Finda o medo, pois, do leitor, e abbiamo coraggio per lottare, pois há, no mais meandro dos recônditos da língua, um espaço de possível convivência entre os homens e Deus, uns próximos - e pára cá o clichê, para vossa indignação, mas, pensai, haveis-de ver que o detalhe mecere grande atenção - como o disse alguém, lá nos idos de Augusto de Roma (mas bem longe de Roma, para que não haja qüiproquó de quem seja...).

Sidney Azevedo

Leitor, vás-te!

(Entenda, criadores têm de... criar!)

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Vintas (elaboração de uma nova língua)

Veritas est rei ad intellectus adaequatio?

Divent-ais a falta de pron'mes, cri-aios à vontade. Não deixeis que els t'assustem. Não fique preso a "eu", a "tu", faze troça dessas coisas.
Pois a língua, a lïg'a, também é democrática. Faze, pois, vose próprios vosta missa.

Sidney Azevedo
Umas piras de queimar incenso
(o que chama incenso é conceito falido...)

sábado, 7 de junho de 2008

Disegno filosofico

Ora: vê bem..., pois isto não é argumento!

Lá está aos que gostam do riscado da filosofia...

Há algum tempo não desenho e estes são uns dos últimos riscos que tracei. Que de mal há em se propor um átimo de história da filosofia? É uma pequena chave para a interpretação da intenção que norteia essas linhas. Não há, no entanto, semiótica possível que o leia. Tudo aquilo que nele buscar sistemas quererá, ao invés, ofuscar a própria vista.
- Disseste, se bem li, "aquilo?"
- Sim, aquilo de toda forma, pois vê: a vida não se dá no espaço, dá-se no fora-de-qualquer-coisa, a rir-se de tudo, e muito.
- Não o entendo.
- Claro, didácticas são as vossas linhas ignóbeis, que não sabem. A vida sabe. Vós é que não a precisais entender. E sábio é o que de metas desiste.



Repito o que cá escrevi certa vez: "aos que não agüentam este desenho: ide embora!"


Sidney Azevedo
Jornalismo do pensar...
(... quem o faz melhor é a charge)

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Esforço...

Cinco minutos depois do almoço

Cretino poeta..., pára e olha.
Há-lhe menos tempo agora.
Disserta menos e diz, tão-só.
Não insta em dar ao cão dó...

Sidney Azevedo
Poesia nunca tem tempo.
(Se tivesse, que viesse sempre a forçá-lo...)

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Antirreportagem nula...

Mais uma antirreportagem:


Deu-se à madrugada de hoje a sexta etapa da fórmula 1 de computador na Áustria. O A-1 Ring -circuito famoso por excesso de quebras, fundição de motores, pilotos adentrando a grama e batendo no muro - cumpriu sua sina: apenas 13 carros chegaram inteiros ao final. O circuito, proibido pela FIA em 2000, após o grave acidente de Schumacher, que o impediu de correr por 13 etapas até o ano seguinte (o título ficou com com Hakkinen, apesar das tentativas da Ferrari de pô-lo nas mãos de Irvine).
A corrida deste ano teve um final de semana agitado pelos azarões. Sebastião Azevedo, 51, líder do campeonato, escapou na curva que leva à entrada da reta dos boxes e não conseguiu classificação. Vitória Brennaissen, 12, largou do 8º lugar e Gisele Krama, 22, teve um torção no tornozelo que a impediu de tentar a classificação. Em seus lugares apareceram Jasmine Azevedo, 18, à pole, André Nunes, 19, largando em segundo lugar e Mohandas Braga, 18, em terceiro.
A cada uma das primeiras dez voltas um piloto desistia, quebrava o carro ou precisava ir aos boxes para trocar o aerofólio. Foi o caso de Ernestina Caetano, anciã de 89 anos, cujo motor pifou à terceira volta. "Vê: nem aqui tenho sorte!, é, quem tem sorte joga e ganha, quem não tem perde e apanha...". A senhora ainda não pontuou no mundial.
A continuidade da corrida foi monótona, à exceção de uma eventual quebra ou uma ultrapassagem forçada. Merecem destaque a volta rápida de Sidney Azevedo (18): 1'14"865, recorde do circuito, a decepção de Elisa Máximo, ?, ao perder o controlo do veículo na última volta e a constante troca de líderes em virtude das escorregadas. André Nunes, Jasmine Azevedo e Renato Sevald, 18, subiram ao pódio nessa ordem. A quarta posição é de Mohandas Braga, seguido de Rodrigo Vargas, 27, e de Sebastião Azevedo, que tirou um ponto graças à quebra de Máximo. Tem-se dúvidas quanto à validade de sua ultrapassagem sobre Benta Cardoso, 47. Ainda assim, Sebastião conseguiu assegurar o 100% de pontuação em suas corridas.
Assim fica o campeonato:

Sebastião Azevedo (Fátima) - 37 pts, vitórias em Interlagos, Ímola e Barcelona;
Vitória Brennaissen (Polskaferrari) - 23 pts, vitória em Sepang;
André Nunes (Setúbal) - 19 pts, vitória em A-1 Ring;
Gisele Krama (Russicranian)- 14 pts, vitória em Albert Park;
Jacques Mick (Francarabic)- 12 pts;
Ellen Moreira (Francarabic) - 7 pts;
Jasmine Azevedo (Fátima) - 6 pts;
Itamar Brennaissen (Polskaferrari) - 6 pts;
Mohandas Braga (Portucalense) - 6 pts;
Renato Sevald (Russicranian) - 5 pts;
Elisa Máximo (Lácio) - 5 pts;
Sidney Azevedo (Portucalense) - 4 pts;
Priscila Carvalho (Catarin) - 3 pts;
Sérgio Meurer (Deutschen) - 3 pts;
Benta Cardoso (Catarin) - 2 pts;
Rodrigo Vargas (Brasilis) - 2 pts;
Luiza Rosa (Brasilis) - 1 pt;
Guiomar Azevedo (Limoeiro) - 1 pt.

Sem pontuação: Álvaro Diaz (Setúbal), Ernestina Caetano (Limoeiro), Pedro Vexani (Lácio) e Jessikha Todt (Deutschen).

Sidney Azevedo
A informação em 1º lugar
(putz!...)

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Ontem, 2 de junho (arre!, já chega de fatos, quero é dormir)

Manifesto Antiacordo a caminho das 60000 assinaturas

Os tuga num qué o acordo. Bom, pel mens gran par deles. Alguns diz que o pobrema é as regência, os tar de linguistas. Ai, mais que importa: vâmo cumê torta que é mió.

Sidney Azevedo
Uma finalização em grande estilo.
(Inda inté!)

Contrarregra (e chega a nova gramática ao Antítudo - mas não muito...)

Andarilho


Empertigados,
os postes na rua e as placas de sinais contrários,
perturbam e confundem o assignatário
do pacto com o qual a viver é obrigado.
-
Seguia calado,
tendo estante a companhia do medo,
que, alegre, vem-lhe aos calcanhares desde cedo,
em meio à mata urbana de renegados.
-
O pé azul à falta de tepidez
do ar que frige à ausência de porta
de Ninguém que está em tal lar. Falta tez!
Dez horas de humana humidade à horta de líquens ao pé metálico.
-
E está ainda o pé azul,
beira já o roxo.
- O roxo!...,
A baraúna vai em pé...,
permanece a azeveira e
a acridade em seu fruto a
lhe impedir o deguste.
-
Deixa. Assim vai. Sem nota.
Dorme ao banco do ponto
que logo vem o autocarro.
O banco só vive do efêmero
dos que lhe depositam as ancas,
se é que fazem isso, e em ti
encontra o companheiro.
Faz-te! Aquele fruto não é para ti.
-
É-to o mouriscar das obras em devastação,
o inconcluso do verso longo a que se dá,
uma vírgula por falta de compasso melhor.
Nem sempre elas hão em preciso,
e a ti não há tu em precisão.
És-te sem o querer. Mas és...
E que sou eu a dizer isto quando vem o zarco.
Inté, companheiro, que o tenha o cárdio de outrem
que eu não te tenho por coragem.
Vai-te e me some da vista.
Vai-te ao longe, e sou eu a ir-me.
A ir-me segue a saudade de algo que não terei mais.
A vista à barba de um algo que já fui.

Sidney Azevedo
- Que vais querer?
(Uma anti-poética para a noite de hoje, por favor!...)

terça-feira, 3 de junho de 2008

Marujos do lugar-nenhum

Polis, pois: política mítica!
Rio-me, rio-me muito, torno-me um rio de gargalhadas. Pois me lembra um certo colega, um tal Vagner Oliveira, cá de Joinville mesmo, apaixonado protobiólogo de tucanos, tal como sou protofilósofo de anticonceitos. O antíproto aqui, que hoje sou, deixa um espaço à ironia tradicional, um pouco atrasada que vai, mas, enfim, que lá está.

Sidney Azevedo

E ia a faltar

(mas não o vai...)

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Vinde, vede e volta, é-vos irreal!

Tempo, tempo, tempo, desumano véio...

Hoje repenso o que possa ser ser jovem, pois que todos os que pela palavra se interessam se querem nela tornar. Então alarga-se o conceito - parece ser a saída que instam os outros em tomar. Ora, não bastava o espírito jovem às crianças e aos adultos, teve de ir a prender - vede bem, não separei "a" de "prender" por acaso... - aos velhos - dói-vos a palavra?... - que não conseguem ver na senectude (será senetude à nova gramática?...) sua aura de respeito. Por que ser novo, jovem, quando o maior acto de juventude mora - vê de novo: morar não é ser nómade entre camadas, categorias, estractos ou compartimentos - ao se poder notar a tolice que é brigar com o tempo quando este não existe?
As pessoas desejam o nada quando mais nele estão. Não o querem sentir. Ou querem senti-lo às duras penas, para que sua compensa-de-ré (vede de novo, vê-de novo, vida por favor!...) seja a maior. Que estão lá a fazer? A forçar o incabível ao nada? "Forçar..., queremo-nos mover..., mas por favor, não estai a fazer cara feia quando em vós esbarrarmos...!" Ora, podeis ir a qualquer lugar, não nos encontrarão. Nós, jovens verdadeiros, os que não têm sentido ser jovens, mas apenas têm sentido ser, o que em muito basta, não sofreremos com as colisões que terão, nessa física do século XIV, que premanece até a primeira grande incerteza da Ciência. Estamos - e já o devíeis saber -, em outro não-espaço: o destempo.
Vede que é hora... Não estai lá esmagados, mas, que adianta dizer isto às gentes que nem ouvido têm para aquilo que não está em "segurança" que não seja o chão.
Sidney Azevedo
Uns vinhos, será que estou a falar grego?
(não, seu idiota, é português do vero...)