segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Sim, há sinos e questões

Primeira filosofia de araque

Uma vez me disseram que filosofia é a arte de conceituar... Como posso conceituar o irritante som dos sinos das algibeiras dos outros, as células da intercomunicação fragmentada que se reveste de pomposos nomes e nobres sintaxes, para designar a porra do celular?...
Conceituação preza uma justiça raquítica:

justo está aquilo que se condensa em uma seqüência de palavras exactamente do modo como se o pensa

Essa precisão, que tanto é exigida que necessidade se torna, mata o conceito e sua abertura possível à leitura do mundo.
- Desligai o celular, caralho!...
O silêncio é uma virtude dos que não conceituam, ou seja, passam por outras formas de ouvir as coisas, ainda que por muito pareça desprezível. Apontem!: a hora vive antes do seu conceito no mero porvir das coisas.
A assim vai dado novo pontapé.

Sadna Azneved
Em resposta pública a Pedro
Benteja pela compilação dos
dados existentes na viagem
de comboio de Araquari
a São Francisco do Sul.

A palavra sem poder concebida

De vitae altri per voce

Uma das características fundamentais dos livros que contam a história de maíusculo agá é a ausência de uma temporalidade que não seja exacerbada fora dos números dos anos.

a escrita morre no passado

O tempo desagradável se torna no instante de sua contagem, de sua distinção dos estados de alma pelo qual pode passar. Se erramos em algo é nas predeterminações da vitalidade de um texto ao lê-lo como nosso. E, se nos é impossível fazer o percurso de estar fora de si, devemos ressuscitar o que disse Proudhon para isto também...
A máxima enunciação do pensamento moderno, ainda que dita talvez com outra finalidade:

a propriedade privada é um roubo

A história que se conta é diversa, mas seu crédito é larápio.

Sidney Azevedo
Última tocaia deste tempo
(espero que o outro seja melhor...)

Nada para fazer em meio às velozes e barulhentas teclas dos colegas

De rerum visio cognitio

O conhecimento humano vive de uma rotina stractus-alla stracti. O que talvez se entenda de modo mais claro por interior e exterior; eu e outro; corpo e espaço; definição e indiscernibilidade; o raio que o parta e o diabo que o carregue: a panóplia das experiências como conhecimento, ractificada por Kant no iluminismo (talvez na tentativa de redefinir a negação da possibilidade de um conhecimento da gente dita simples, aquela ridícula crença de que o domínio das sensações é próprio dos grupos "de mais alta cultura" - de onde advém também a idéia de que a imparcialidade vem a ser tão boa e tão útil aos julgamentos de toda a espécie).
A tentativa de uma provocação em sentido contrário é negada pelo poder do mesmo dogma.
E agora, Barbo?

e agor'ò corte vem d'outra direcção vem d'lö machad'à cravar'o seio d'ärvore

Como assim?

enxerga longe gajo q'a vida nã'ë definiçã'è prèdefinição maz'hòacto de pensá-la n'o silênci'ìndiscernível.

E pá, tens razão...

AZNEVED, Sadna. Filosofia de Araque...
Discurso de benteja a Carlos Barbo.
Filósofos de Araque.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Revisão é preciso

Dos poderes humanos

É pequeno o meu poder: consigo enfraquecer o sol matando a convivência e a lembrança, mas entendo que se é ele a se esconder de meus olhos o poder é já da casta de noções unas, concêntricas e pronunciadas para matar a criatividade de nossos enganos e erros.

Sidney Azevedo
A enfrentar a cretina indolência do sol
(com a cretina pachorra humana de a tudo suportar...).

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Peço que me volte a razão!

O pé a limpo, só agora...

Há tempos não via meus pés a nu. É agradável vê-los tocar a poeira que a assepsia médica nos ordena deixar afastada.

Sidney Azevedo
Um apontamento vazio,
(como as nuvens, poeira do céu, que sobre os pés é que anda...)