domingo, 6 de setembro de 2009

Discussão conceptual.

Esse axioma entende a sintaxe como o encadeamento compreensivo da linguagem, ferramenta do conhecimento. A sintaxe é o nível da coesão das noções além do texto puro, no substrato mental que liga as representações puras às ideias de realidade que estão sob a linguagem. Três dimensões do conhecimento se encontram nesse movimento: a afetividade, a significação e a sintaxe. Por memória entende-se como o conjunto dos conceitos constituídos pelo pensamento.
A sintaxe é a garantia da memória por um elemento que faltou nessa primeira caracterização: a holística visão. A globalidade do sentido nascida da sintaxe fixa um contexto em torno dos conceitos. Essa ligação imediata entre a plenitude da construção e o conceito completo é o que chamamos de garantia da memória, e que faz com que o conceito de perda não seja o essencial, mas o de abandono, em que a consciência está ligada ao processo de desligamento, da ordem do voluntário.
O despertar da memória é uma questão de vontade. E a memória, sem a participação do pensamento, se torna num ressurgimento vazio de imagens desligadas formando um campo semântico inconsistente, ao contrário do campo holístico surgido da sintaxe.

Tentativa - I

Mea culpa, mihi amara exsistentia!
Meu demônio interno não se dissipa. Minha teimosia permanece, rindo covardemente de minha cara, e eu não a entendo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Ubiqüidade: trema o domingo seu lugar na semana!

Obnubilamento hebdomadário

Era domingo!
Dominus diem.
Sim, o dia do Senhor. O dia em que cada servo se torna, ao menos por algumas horas, senhor de si; por obrigação tendo apenas um grau de religiosismo a quê as palestras não-obrigatórias logo dão um ar de burocracia cultural assestada na aldeia. É, mas os tempos são outros e os domingos não são de descanso. Ainda menos de prece ou agradecimento. Ou talvez seja dos dois. Sei lá! O domingo assume a inteira incompreensilidade do enfaro em si. É isso, um dia enfarado. E como há tempo não usava essa palavra convém lembrar que o homem nesse tempo é terra arrasada, ferro fundido, ar rarefeito e a certeza de uma instância perpétua-pois-sensível chamada anima, ego ou methabollismus. O enfaro é assim a hora morta. Não é enfado porque enfado é intenso, breve e mobiliza a consciência de alguém à sensação plena de enfado e não a de si mesmo. O enfaro não se põe assim. Não gosta de ser objeto. Mas de fazer seu alvo sentir-se e, destarte, nublá-lo sem que perceba. Quando vê, o dia se foi. O enfado é a torrente e o enfaro a garoinha teimosa. Obnubilamento hebdomadário! Domingo maldito! Qual! E agora fico cá, à espera da quebra desse torpor...
Ainda é domingo.

Sidney Azevedo
Dominus vobiscum!
Jogar a rede a esmo causa boas surpresas.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Não há nexo

O velho tirou da algibeira uma rota e pequena encadernação, similar a um daqueles catecismos que nos restam das distantes gerações quando a urna funenária da bisavó já anda à decomposição. Entregou-ma, e com ela, essas palavras: Vê lá, não te esqueças de carregar um livro sob o braço a cada circunstância em que te meteres.

A encadernação não era muito agradável de se ver, mas como os nobres de hoje em dia, valorizava-se a sua antiguidade, assaz evidente. Numas letras em baixo relevo na capa dura no qual muito pouco restava da tinta dourada que ali se imprimiu, o título: Pequeno diálogo sobre a negação da metafísica, de Nuno Fabre.

Sim, pequeno diálogo. Era costume do tempo antigos os autores mostrarem a vivacidade de sua argumentação em um debate imaginário - quando não transcrito de uma palestra real - que previa de antemão todas as possíveis acusações de ilogicidade. O melhor meio para se safar de tais problemas era o texto quase teatral do diálogo. Ainda que seja difícil imaginar um texto de Platão representado no palco.

"Jonas Fábulo: Muito me incomoda a metafísica, pois fala de coisas que não se veem.
"Conde de Paesca: Fico admirado dessa dúvida, o plano irreal da metafísica é o lugar mais indicado para a realização humana, para fora de todos os limites.
"Jonas Fábulo: Mas serão vós a não perceber que o plano metafísico é já todo planificado como uma camisa-de-força que não deixa o homem se mover?
"Ilo Ponderato: A base do problema dessa grade são os pressupostos. Os pressupostos são sempre encarados como imutáveis por conta da falta de certezas. (...)"

O interminável discurso continuava...
E eu atiro o livro à parede.

domingo, 2 de agosto de 2009

As gavetas e a caixa mofada de papelão

Sobre pensamentos alheios
Além dos meus textos, há os textos dos outros que tenho de guardar. Mais precisamente, guardo-os em duas gavetas. Na primeira recolho os que gosto por despertar sentimentos bons e idéias geniais e na segunda disponho os que estimulam o pensamento na busca de algo que se aproxime da verdade – uma vez que não posso alcançá-la. Mas descobri que alguns dos textos repugnantes que leio também merecem ser guardados, a título de, digamos, “contraexemplo”. Acho que uma caixa de papelão habitada por traças e aranhas de teias viscosas é bem adequada a esses amontoados de palavras.
O primeiro texto da lista é relativamente recente, mas bem poderia ter sido escrito há uns setenta ou oitenta anos… É de autoria do atual senhor governador do Estado, Luís Henrique da Silveira. O tal texto se chama O DNA espartano e é facilmente encontrado na Internet devido à repercussão que causou após sua publicação em setembro de 2005. O que o torna repugnante? Bem, comecemos por esta pergunta: sabes o que é eugenia? Não? É um método de purificação racial, em que é extirpada qualquer anomalia que contrarie o ideal de perfeição pretendido. Não lembra um bigodinho ditador? Pois, o texto do governador compara a eugenia – que era uma prática comum entre os espartanos – com algumas possibilidades da pesquisa genética.
Embora elogioso à ciência, o discurso de LHS no texto reflete, antes de tudo, certos vislumbres mais dignos de previsões alquímicas do que de uma reflexão aprofundada sobre o conhecimento científico – e esse homem já foi ministro da ciência e da tecnologia, durante o governo Sarney, entre 1987 e 1988… A pesquisa genética não me parece ter como principal interesse dar aos pais filhos perfeitos e sem mácula, embora alguns interesses de mercado consigam já de antemão imaginar como vender o conhecimento da pesquisa em forma de técnica.
Os olhos deslumbrados do homem “moderno”, então visíveis no pensamento do governador, estão ligados não às benesses humanas que poderiam vir dos vários tipos de conhecimento – pois a ciência é só um desses tipos –, e sim à ganância obtusa de produzir mais crendo isso melhor. O beneficiamento da agropecuária é no texto dele um dos principais ganhos da pesquisa genética. Um resultado! Nós sabemos que não adianta isso para matar a fome no mundo, precisamente porque antes de sair do campo o fazendeiro fará o possível para auferir valor ao seu produto… Sim, o ruralista também pensa no resultado.
Mas a mais indignante de todas as frases é esta: “As pessoas poderão se valer da ciência, para evitar que seus filhos nasçam feios, deformados, deficientes ou idiotas” (grifo é meu). O filho, conforme o resultado do cálculo científico, poderia ser o que se quisesse. Pois apenas poderia, não será porque o que é humano até pode ser compreendido, não pode é ser asseverado.
Minha caixa de papelão espera seu primeiro depósito, e espera com mofo. Não me admira nestes ares joinvilenses esse mofo ideológico. Espanta-me é que seja tão persistente nesse colégio eleitoral.
-\-/-
Sidney Azevedo
-/-\-
O texto do "home" se encontra aí:
É só não ter preguiça de descer a barra de rolagem.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Não estou tão fora do mundo

A universidade fantasma

Se não quiser passar pelo parágrafo abaixo, que é denso - mais pela incompreensibilidade do texto do que pela concatenação das idéias - recomendo ir direto aos adágios abaixo dele.
Em geral se vincula à ciência duas idéias que considero incompatíveis: a noção de produção e o pressuposto de necessidade de encadeamento de raciocínios. Todas duas me parecem resquícios - naquele sentido de excremento - do que foi feito no pensamento que muitos ensaístas chamam de moderno; e que eu prefiro denominar de supercompartimentador, pela capacidade de catalogação, enciclopedização ou, simplesmente, soma, na crença de que o conhecimento era uma espécie de unidade cuja validade, determinada pela experiência, era tida como o coeficiente de verdade, afim à regularidade lógico-matemática daquelas noções mencionadas no início deste parágrafo. No fim, o que a ciência produz é o coeficiente de verdade.
Assim, aliás, os coeficientes de verdade da ciência catarinense em Joinville dar-se-ão na Curva do Arroz (um trecho da BR-101 que é conhecido por virar muitos caminhões...). Outro motivo desse belo nome da nossa via principal é o fato da estrada aí ser acompanhada de muitos banhados onde cresce com paciência o alimento parceiro do feijão que consumimos sempre que possível, e onde andam delicamente aqueles belíssimos quero-queros em busca de alimentos para seus filhotes.
Mas a situação me leva a publicar alguns adágios que escrevi quando soube que a novela vai se estender:
"E o conhecimento se fez, conforme o crescimento do arrozal".
"A nova arte da ciência política consiste em estudar a possibilidade de fazer o essencial de agricultura para semear as esperanças no brejo".
"Em moral, o valor é algo geralmente invariável; em economia, não o é..., principalmente quando se trata de especulação imobiliária"
Bem, fica aí...
Sidney Azevedo
Voltando a falar de assuntos sérios

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ainda não consegui responder: "como é ser morto?"

Sobre ser forte
Há pessoas que me dizem que escrevo bem. No entanto sempre tenho a certeza de que elas não podem estar certas. As minhas idéias até podem ser boas, nisso concordo. Mas só nisso. Eu não possuo aquelas duas grandes virtudes que, aliadas, fazem um real escritor: a paciência e a perseverança. Minha pertinácia morre exatamente no ponto em que desisto de me expressar melhor por temer os longos minutos que terei de dispensar em limar os gestos trêmulos do agaste de minha voz grave, afastado daquela boa intuição-filha, tão cara que me fora tê-la. O sentido de perda se me torna tão próximo, tão terno, tão resignado ao meu espírito que nisso reconhece: não tem futuro.
Mas que faço eu!? Eu que gosto do fracasso, que saboreio seu azedume como aquele doce que aparentemente é a todos agradável, como me deixo evidenciar a bonomia da derrota aos infiéis? Eu sei que não posso fazer nascer do nada aquelas virtudes... Sim, essas que mencionei. E percorro desolado meu caderno de anotações entrevendo aqueles momentos sonhadores que despertei em mim no silêncio de meu agir. E tudo ao meu redor tanto gira, volteando-se sem pena textos muito melhores. E eu cá, remoendo meu ciúme...
Sim, eu sou desprezível. Eu sei no que erro e permaneço no errado, defendendo, com a força última da minha argumentação que a mais ninguém convence, essa dor. Eu sou moralmente sujo. E tão-só por deixar a mácula da dúvida me tocar. E como me gloriei por isso achando que tinha descoberto o mundo.
Ai, que desgraça! Eu me reconheço num borrão apagado do caderno da menina que olha incerta a equação da aula de matemática à beira da calçada. Então me defino: não sirvo para nada. É bem aí que, de repente, quero servir para alguma coisa... Contradigo-me e entendo, em algo finalmente resoluto: se a civilidade valoriza alguma coisa é o senso de contradição de alguém sobre si mesmo. Não se confia, pois, em gente insegura. E fiz da insegurança meu amor.
Sidney Azevedo

Encíclicas - II

Regula-ens

I

Ser hoje já não é verbo.
É lá mero substantivo.

II

O realismo é uma metafísica ingênua.
O abstracionismo é uma metafísica fugaz.
A religião é uma metafísica numênica.
A metafísica é uma metafísica abstrata.
A ciência, a língua, o papel e a arte
São umas metafísicas conceituais.
Toda metafísica é um amor inquieto.

Sidney Azevedo

terça-feira, 21 de julho de 2009

Encíclicas - I

Regula-mori

Régulo a regrar, rangendo o rango.
Uma régua passada na linha da fome
me impede o dinheiro de comer o nome.
Léguas a alegrar, sangrando langor,
a dor de uma ânsia em sorver que os outros,
ao fim, negam poder ter.

A presença não serve.
É só uma má verve de gente imberbe
à força de se falsear na janta!

Pois fome é uma benesse aos olhos
e grandes sombras feéricas atropelam
a regra da pavimentação:

O piso não serve!
É já piada ter chão!

Sidney Azevedo

sábado, 11 de julho de 2009

Expressões - IV

Donut plains 7


Mario é um jogo lisérgico... A tal ponto que me lembra Battletoads.
Sidney Azevedo
Também tenho minhas horas de nerd...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Expressões - III

Um esboço

Pôr a boca no mundo seria difícil num mundo onde a fragmentação identitária levasse necessariamente ao relativismo. Sei que a noção é já desgastada, mas como ria Nietzsche do livre-arbítrio - "sempre aparece alguém se julgando forte o bastante para vencê-lo" -, farei esse ato censurado com a aldeia global.
Basta o desenho.

Inda inté!

Sidney Azevedo

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Expressões - II

Um rosto que se vê no ônibus



Podem me dizer que um rosto, por mais que tentem desfigurá-lo, permanece um rosto. Mas são aqueles que lembram amontoados de riscos sugestivos de idéias os mais interessantes. Vi um desses ontem no ônibus. Como todos os demais, sério, prendendo a pele escamosa no vidro gelado de noite. Desarrefeço as pontas dos meus dedos na procura de três coisas: uma caneta, um papel qualquer e um pouco de espaço. Pois sim, tenho sempre a sorte de ter algum infeliz a meu lado. Minúsculo o desenho, mas consegui reproduzir nele toda a atmosfera do ônibus, um enfado descaído. Inda inté!

Sidney Azevedo

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Expressões - I

(Da) negação
Nada deve haver de mais traiçoeiro do que uma expressão. Não porque venha a revelar uma verdade - como se pode supor -, mas porque precisamente faz nascer a mentira da convenção simbólica em torno de alguma coisa.

Sidney Azevedo
Um olhar obtuso

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Um diálogo digno de Araque

Chiquinho Vilavelha veio de Araque para uma grande área fabril no Brasil, onde os parentes de sua ascendência viviam. Estava hospedado na casa de um primo, chamado Herone, a tentar entender certos aspectos do povo brasileiro, principalmente no que dizia respeito ao trabalho. Transcrevo um trecho da conversa que meu avô Sidney sempre me conta e que nunca foi posta no papel. Peço desculpas pelas incoerências e pelo pedaço desconexo. Espero melhorar a edição disso... Ainda até!

Titio é metaleiro!
Metaleiro é piada, Chiquinho!
Piada de onde?
Metaleiro curte metal pesado.
Pois! Titio trabalha com metal pesado.
É, mas trabalhar não é curtir.
E qual é a diferença?
Curtir tem muitos significados...
Fala todos, algum deve ser igual a trabalhar.
Trabalhar também tem muitos significados...
Fala de todos eles também!
Está bem, vamos a eles.
Estou pronto!
Curtir é estar gostando de alguma coisa que deixa feliz.
Hum..., e o outro significado?
Curtir é deixar o couro secando ao sol até ficar teso, mas quase ninguém usa esse significado.
Hum..., e o trabalho?
Trabalho é sofrimento!
Só isso?
Bem, é um sofrimento que afeta o corpo diretamente.
Mas porque existe trabalho então, o mundo não devia ser só curtir?
É, mas as pessoas trabalham para ganhar dinheiro.
E isso agora, o que é?
Não se faça de tonto, rapaz!
Não sei mesmo o que é...
Estás de piada comigo de novo, é?
Não.
O quê?! Os caras não te ensinaram nada lá em Araque não?
Não isso de dinheiro...
Como vou te explicar?... Bem,Dinheiro é um papel que todo mundo troca para conseguir alguma coisa que quer.
Lá em Vila dos Limões, no interior de Araque, não se usa papel, trocamos comida mesmo.
É, pelo menos você sabe o que é comé..., é, digo..., troca de coisas.
Acho que entendi o tal dinheiro!
Que bom.
Hum, então as pessoas trabalham..., ganham dinheiro... e vão curtir..., certo? Mas isso faz com que curtir e trabalhar sejam a mesma coisa!
É, você entendeu o dinheiro. Mas trabalhar e curtir não são a mesma coisa. É engano seu. Ninguém gosta de trabalhar, fá-lo por obrigação.
Acho que é sim, quando o sol queima a pele faz ela sofrer, curtir não é isso também?
É!
Então?
Sim, vá, que vá, é isso. Curtir e trabalhar são a mesma coisa, mas nesse aspecto somente.
Mas quem pretende curtir depois não tem que trabalhar? Há-de estar feliz só por lembrar disso...
Hunf... É...
O metaleiro vai curtir um metal pesado no trabalho e na curtição.
É...
Então titio é metaleiro?
Calma. Ele é metalúrgico!
Ah... E que diferença tem?
Mataleiro gosta de músicas que recebem o nome de "metal pesado" e metalúrgico trabalha com metal, mas isso não quer dizer que goste do que faz...
Ah...
Compreendeste agora? Por um instante botaste-me em confusão...
Sim, compreendo. Mas ainda acho a mesma coisa...
Ai, santo Deus..., e porque?
Heavy metal é uma merda!, vou-me para Araque!

Leandro de Azevedo Morujão

Sidney Azevedo
Um lampejo.
(Isso tem de ser escrito melhor)

sábado, 4 de julho de 2009

Título direto: Má argumentação

A erudição de mim se desprende. É uma pele arrancada que não me doerá mais. Uma pele que já não mais pedirá sangue. Até porque o sangue, o meu sangue, já não agüenta mais mentir.

Uma síndrome de imbecilidade apossa-se-me. É o fim da gloriosa mente. Em névoa caio por incompetência de não saber a hora de agir. Esfumaço-me e descubro que estado de graça é o não-saber. A inconsciência é a virtude-mor dessa hora morta.

De que vale o imperativo categórico de agir na esperança de uma coerência universal inexistente? Primeiro: esperança é um estado permanente de espera. Os atos dos outros dependem de valores que lhes sejam próprios, os quais nem mesmo a maior capacidade de previsão será capaz de mapear completamente. Segundo: mesmo que tal mapa fosse traçável, continua a não nos ser forçoso agir de modo determinado.

Anos e horas de estudo para num ponto deste ver-se idiota, ver-se ridículo. Só por isso mesmo: "ver-se". Bem como o imperativo kantiano: vê se faz aquilo que espera nos outros ver em ato para ti. Ver. Ver não é boa regra. Nunca foi. Pena que só agora me dou conta disso.


Sidney Azevedo
Minhas argumentações seguem cada vez mais pífias.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Rápida, para não acontecer de esquecer o que seja postar

Exercício

Eu queria escrever um texto fazendo igual o pensamento agápico e a vontade de conhecer as plenitudes enquanto plenitude una do mundo sem idéias fechadas em palavras que soariam vagas aos olhos de pelos menos mais de setenta e cinco por cento dos meus conhecidos.
Acabo de conseguir.

Sidney Azevedo

terça-feira, 30 de junho de 2009

Falta de criatividade.

SEM...

Sem. Creio que nunca se começou a escrever algo com uma frase tão inútil. Sim, “sem.” é uma frase também, oras! Inconclusa, sem término. Nem há vontade de fechar um significado. Sem…

Não merece crédito, mas é meu...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Golpe não!

Circuito

O cancro da pressa nasce,
E galopa veloz à campa,
E espalha passos a ferir
O chão que a terra outros tampa,
Mortos da corrente lâmpa-

Sidney Azevedo
Pressa em aula.
(Golpe no meu blogue! Texto abaixo...)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Haverá boa reacção?

Só parar não é

Toda constante é iner(t)(m)e, pois monótona. E todo todo é monótono.
Todo é só um conceito, uma arapuca racional, capaz de segurar no ar um átomo de sub(a)stância e o átimo de paciência.
Ser paciente é uma doença por nos deixar parados contemplando o nosso de(u)sgosto.

Sidney Azevedo
O ás.
(Des(ás)troso...)
Saturação. Sutura. Minha escrita jamais será medicinal. Já faço coisas demais por ordem médica.
Foda-se!
Basta de purismo!
Mas algo me está a faltar... Serão minhas idéias?

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Jacson Almeida

"Quero parar meu cérebro
pois não ouço nada neste ambiente.
Tudo é tão podre"
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Gisele Krama

"Tudo fica podre quando os vermes se comunicam"
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Sidney Azevedo

"Algumas minhocas esgaravatam um cérebro qualquer já bem putrefato..."

Sidney Azevedo
Sem criatividade...
(Sinto-me a jazer...)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A relembrar um fruto do trabalho

Uns instantes em uma biblioteca farense

Quando subia as ladeiras de Faro, em direção à biblioteca, ouvia uns sujeitos sempre a discutir literatura às portas da tasca com canecos metálicos às mãos.
– Machado de Assis é subtil!
E só. O bruxo do Cosme Velho não tinha sequer direito a sinônimos. Não, minto, recebia este:
– De um sorrateirismo de gatos das pardas noites.
Sorrateiro. Não havia engano. A discussão em torno dele era breve, de caráter assertivo e de um concisismo necessariamente neologístico. Mas, voltando às noites, que é o que importa, as noites é que são pardas em sua indiscernibilidade, não sei se já o percebestes, caro leitor. Inclusive esta escrita noturna e nocturna, que é também imitação desairosa, é parda.
Mas não era noite ainda. Era ainda o crepúsculo a cair, e não o fez o último raio de sol daquele insosso dia sem aguardar minha passagem pela porta da biblioteca. Se eu fosse mais amigo dos livros poderia dizer que passei-me com ênclise à transcendência. Mas não sou amigo, nem editor deles. Fosse o primeiro, namorava-lhes só as idéias. Caso o segundo, fazia valer em boas patacas o papel. Ou fazia em ambos os casos as duas coisas. Não é o futuro determinável e sabe-o o distraído que lê isto, se é que consigo fazer alguém se distrair com essas aparentes prateleiras de reflexões conhecidas.
Ah, as prateleiras, rumei a elas, à procura de algo para ler à noite. Tinha um volume de Vergílio Ferreira às mãos, topei com Machado de Assis. Lembrei-me dos etílicos goles que bebiam os senhores a discutir literaturas uns metros abaixo e fiquei tentado a lê-lo. Olhava para um livro e para outro. Como que feito de estuque fiquei uns cinco segundos. O ar recendia a papel velho, à exceção do livro do Machado. Era uma edição de dois anos antes, irmanada com as de literatura brasileira, papéis rotos e encardidos se não eram encardidos à hora os olhos meus. Mas Deus logo veio e não me deixou cair em tentação.
Tomei emprestado Vergílio e ficou o Machado à prateleira. Saí veloz da biblioteca, achando que repetira alguma frase à rapariga da locação e ia-me para casa, a perguntar o que havia de tão curioso naquele livro. Na tasca, estavam ainda com o vinho às cabeças. A obra da vez era a de Proust. Mas já não discutiam, berravam uns com os outros. Que havia de tão diferente? Diz-me lá da sacada uma mulher:
– Vai logo, puto, que tua mãe tá a te esperar! Veio cá três vezes a querer saber de ti...
Cordialmente apressei o passo e logo chegara em casa. Pus-me a ler. Terminei daí a três dias, entendendo que os ratos é que defendiam a sociedade e que a plenitude dos atos não depende de modo algum da clareza. E eis que Fátima estava próxima: a nossa senhora olhava-me do alto da sala, na pequena cava à parede em que estava, pois a fé é assim também, difusa e certa por não se mostrar destes modos, mas como indiscernível.
O autor brasileiro ficaria para dias após o cruzamento do Atlântico, na biblioteca de Joinville. “Aparição” foi, assim, o último livro que li em Portugal. De Machado, nada sabia, e, como lição de militarismo, recolho-me a encerrar aqui a crônica, que deveria ser, tão-só, um momento. Perdoe-me, amigo leitor. Hás-de entender..., a constância é o custo do molde. Antigo é o teatro grego de um dia só.

225
Essa charge já saiu em algum ponto
deste blogue, mas não custa recordar...


Sidney Azevedo
Esquizofrenia ortográfica.
(Acho que serve de piada ao Acordo...)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Des conhe cimento

Lembranças de uma mente sem brilho

Vi-me forçado, a esses dias, a procurar um velho texto que tinha sobre lógica. Logicamente não o encontrei. Encontro as idéias dele na minha mente. Sempre presentes, ou se não sempre, alojado num canto viscoso qualquer que volta e meia visualizo sem pedir. Preciso reencontrar meu velho espírito acadêmico... Cadê?!

Sidney Azevedo
Será preciso brilhar?
(...)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Ser nada, que seria?

Continua a história


Benteja olhava a um retrato. Talvez dele próprio. Era um menino em camisa, jaqueta e calça escolares, azuis todas, com a perna esquerda apoiada ao pé, fazendo um leve arco. A mão esquerda, em punho fechado e colado ao corpo, ia na coxa da perna do mesmo lado, e a direita à cintura. Olhava fixo em frente com ar napoleônico. Só parecia não ter rosto. Como aquele escritor que conheceria, o menino, muitos anos mais tarde, como massa informe a face, uma não-face. Sim, Benteja é escritor, mas não, certamente, o que o menino conheceria. O menino, talvez, no fim, conheceria ninguém. Mas Benteja o olhava.
- Como posso me esconder de mim?, Como posso ter coragem de me negar um olhar?
Benteja negava ser o que era. Talvez quisesse, sim, ser nada. Ser nada, que seria? Ele já se tinha deparado com esse problema. Seria sua glória resolvê-lo. Discurso nenhum, no entanto, o resolvia. Ele achou sua solução num caminho covarde..., o de reconhecer a impossibilidade de solver o problema. Na dúvida, largou a metafísica, razão de loucura e ficou na certeza vazia. Não sabia, o Benteja, como se situar no meio dos que sabiam lidar com essa ceteza sempre pronta.
- Ser nada, que seria, ser tu, menino, e não o ser por já ter passado o tempo?
Benteja inventou viagens que nunca fez. Cursou coisas pelas quais nunca passou, contou namoros que nunca teve. Nunca foi, resumia.

Sidney Azevedo
Eu mereço a calada
(Continua...)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Aforismos

Recuperação do pensamento perdido


Se, como escreve Copérnico, o problema da Terra como centro era a irregularidade das medições, então o nascimento da "revolução" nada tem a ver com uma vontade de verdade: antes com uma vontade de regularidade...

É, pois, possível, que a ligação conceitual entre verdade e luz não passe da destruição da pluralidade, aquela que tão bem conheciam os medievos.

É preciso fazer como luz a incerteza! É no desafio de resistência à razão que o espírito encontra alguma demonstração em si do que vem a ser a verdade.

Racionalista crítico: filósofo oportunista.

Um percevejo não se sente à vontade para escalar a unha enquanto percebe espiar do alto uma cabeça pétrea.

Três oxímoros importantes: Democracia, Princípio de democracia e Estado democrático.

Sidney Azevedo
Sidney Azevedo!
(Sidney Azevedo...)

sábado, 6 de junho de 2009

Inexplicável

Modinha a três passos
Dentre as coisas que escrevi, uma há muito não via. Um tema lírico, único texto tal, talvez, e que me lembro ter escrito. É do quinto dia do mês de maio de dois mil da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo... Tem, portanto, muito tempo, e me hão de perdoar os erros. Mas fico estranho. E cada vez mais... Queria saber o que ocorre comigo...
Ah, é um dos raríssimos textos meus deprovidos de título... Será que quer dizer algo?
___________________

Será a conseguir, alguém, imaginar que lábios, uma vida, nunca foram beijados? Eu consigo. E o pior: consigo-o em plenitude. Em uma bolha sou recolhido no meu sonho e içado a ouvir o nunca feito. Nunca, feito, nunca feto, nuca feito, feito nuca feto fado, fato pendurado ao cabideiro com um chapéu na ponta que é, este sim, o que eu sou. Vazio de histórias, ou se não vazio, dentre as histórias encontro erros e fracassos. Talvez porque só os veja... E os lábios me voltam à memória. quando um inseto intrometido desnorteado encontra-se, inadvertido, com a minha boca, mas não é um beijo, dele só sei vir uma doença que me deixa sem saber o que há no ato que todos pensam todos já ter feito, exceto...

Sidney Azevedo
Estou irreconhecível...
(O que há de errado?)

Informatio n'evangelia, relacta et inusabile

Nova cristã...


Eis aí a nova de hoje:
é a notícia à guisa de cristo.
Por hoje basta.

Sidney Azevedo
Sem assinatura
(Simples isto...)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Exemplo de como não fazer poesia?

Para não dizer que não falei de moedas

Uma moeda ao pé me caiu,
um pedaço de metal sórdido,
já por tudo andado,
em andrajosos relevos
que não lhe esquentam as costas,
sujas de terra.

Parou rolando, sim,
rolando ainda,
sob o imponente prédio do antigo hotel
cujo nome nunca soube.

Também pode ser que nunca tenha sido um hotel.
Não, não veio de lá,
até porque, quando a vi,
era já parada no chão,
e que me tenha caído próximo
é efeito de imaginação posterior.
Pois o agradável só me seria vir o dinheiro
e não tê-lo de por aí catar às custas do esforço de inclinação.

Sidney Azevedo
Um texto exemplar
(exemplar tem mais de um sentido...)

terça-feira, 2 de junho de 2009

Antes de estar pronto

Não é finda a idéia própria, bastardo!

Ingénuo é meu novo personagem. Não, é o nome dele (ele, propriamente, não o é). E não o é porque outrora leu, leu muito. E porque caminhou por vias afastadas, aquelas em que ninguém anda por serem inúteis e por onde só os que lá moram se aventuram chegar. Mas nem esses lhe tiram a cisma. Cisma ora em crismação - e seu bispo é Pedro Em nute, eclesiástico italiano há pouco chegado a Araque cuja maior particularidade é a preposição do nome.
A cisma é antiga. Começa em dores no diafragma como se tomasse uma pancada na boca do estômago (caso este tenha uma boca..., idéia que os amigos de Ingénuo rejeitam pela figura raquítica deste - detalhe, em tempo: "raquítico", em Araque, é alguém cujas idéias não constituam uma filosofia sua que se não confunda a outras). Mas a Confirmação é já próxima. E ele, calado, esfria, imperceptível, a vontade ante a Esterilidade.
E se falar? Descobriria em retos traços, constantes indiscerníveis aos próprios donos, que o enunciado anunciado é mal o verdadeiro? Já na fila aguarda os óleos, não os eclesiais, mas um ungüento qualquer, um sebo no qual se desdobre a toalha sobre a mesa estendida do mundo, com dificuldade, para que esse abrir não se extinga em desânimo e falta de forças comuns.
E berra, impedindo a cerimónia. Sim, não é hora de falar do fim. Ainda...

Sidney Azevedo
Metáforas, ainda não sei usar...
(Sim, acento agudo é válido...).

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Porque sou ente?

Carrapato

Deixo correrem as sombras de dentro para fora de casa. Deixo choco o café para amanhã. Decidi não ter o direito de sorvê-lo quente, como todos fazem. Privo-me então, por companhia, do açúcar. E age o vento lá, a correr sem ter porque.

Sidney Azevedo
Aforismo
(Desaforo...)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Um olho paira, pára e palra

Só(s)
Uns olhos grandes me fitam de longe mirando não sei bem o que. Sigo fazendo o que faço, mas tentado a olhar, mesmo sabendo que não terei certeza sobre o que acabo de afirmar. Sim, pois não sinto dois olhos grandes me fitando. Dois olhos grandes fitam-me, e só(s). Mas se eu olhar, perco o agradável de saber que alguém me nota. Aí sumirão os olhares, não os olhos. Tê-los-ei perdido.
Perder, por sua vez, não é agradável. Principalmente agora. Não posso saber quando os terei outra vez voltados para mim. Será regra de não ter patianas, humores terrivelmente bons e estados desgraçadamente ruins, e todos agradáveis ao mais retórico teórico da medicina actual e ao mais anárquico dos escritores que desejam o fim das intituições. Será só um ócio apático, parasitamente carrapático. A sugar as paixões. Um olhar! Como pode?
Fico assim, sem saber o que paira sobre mim. Que raio de olhar é esse, que me incomoda e deixa-me vivo, com ensejo de algo fazer e passar de vez essa modorra? Mas não, não posso descobri-lo. Isso seria um dever incumprível...
Sidney Azevedo
Letras novas
(Vestimenta estrangeira...)

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Urge um pouco de - real - silêncio a esta alma que se quer nobre...

Mori ratio

A Razão matou um jovem risonho,
zeloso de sua sabedoria que era.

- Sabedoria? Que me importa agora
esta bastarda prima?

Sussurros constantes se espraiavam
tornando face desgastada a juvenil.
A vida a graça perdia
e a ingenuidade voava
ao largo,
à vaga,
lacustre,
já em pauis.

Sequem-lhe a face temerária do novo!,
antes que a métrica o tome e ele,
velho,
jaza em ciência.

Não...
Não conhecimento...
Mas,
tão-só,
dado sem número
em todas as faces!

Sidney Azevedo
Ração não racional!
(Dêem-ma!!!.)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

À bruta

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Sem edição
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Fios infelizes...

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Sidney Azevedo
Para que cortes?
(Breve, mais uma...)

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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Nau nasália

Mar sem águas
Não há gosto ao meu nariz. Não há pr'ele cheiro algum. No prelo dos ares, cego de impressões vive. Entre imundices, necrofilias, catingas e boduns quaisquer, vive sem lhe haver o peso do ar de um conhecimento e uma felicidade obrigatórios e imperativos ao resto dos homens.
"Isto de o tanto usar para sumir o mundo é. A tudo te fazes aspirador! Tomas as graças de todos os símbolos e signos que t'ofertam... De que reclamas, se podes negar-se a esse sensacionalismo e ser como nós, altos, magnânimos e superiores, ao invés de te rastejar com tua gente pelas sarjetas?"
O que há? Não agüentai essa denúncia? Pesa-vos lembrar que não podeis tão-só deixar-se a ser tristes e confessar-se da própria ignorância. É preciso que tornai preciosa uma música que o não é só para esta voz gravemente aguda ser silenciada? Parvos! O que não tendes é lá: falta-vos a lã do elã envolvente da memória. Falta-vos preparo para a perda! Falta-vos a derrota!
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"E não posso entrar por que, ham?
Shh...
Só por não ter sapatinhos?
Shh."

Sidney Azevedo
Angloenigma
(sapatinhos, vá à rama qui paris te...)

sábado, 25 de abril de 2009

Poética do autocarro

Desrespeito
Uma lata à guisa de cabeça com
Mercúrio em horas de sangue.
Férrea admoestação aos de pouco níquel:
"Vos não há áurea liberdade".
E os homens livres que o ouvem,
De papel, de palavra e pensamento,
Sabem que o são e que a têm
Só vivem o ócio prateado de não o asseverar.
Sidney Azevedo
Metalidade
(Trinca-ferro a cantar ao longe).

Garatuja

Rabisco humano


O olho na mão estava a escapar aos dedos. Um imaginativo peixe de feixes luminosos vagava na escuridão de uma terra revolta por aquela mão que perdia sua compreensão. Infecunda, grafada por iluminuras eruditas que só a outrem servia, postos antes da vírgula de não conseguir rasgar a carne da linguagem para criar um reolhar... Um tubo ao nariz faz escorrer as idéias para um cesto que nada mais é que a rua, o espaço de todos, onde não existe instituições e instâncias, mas pessoas com seus prejuízos, tão-só. Só uma coisa tenta perfurar a bolha de proteção disto tudo: uma flecha, firmada no chão da incerteza estatística do acerto contra um olho que fita-a cético de sua acuidade e crente da impermeabilidade de si mesmo.
Sidney Azevedo
A erudição me cega...
(Mas não me deixa sem tato)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Adiro

AVISO AO QUE CHEGA!

Nossa casa é podre.
Adro súdito das quintas adoradoras do metal...
Idéia afirmada no pedestal da aparência.
Que grite o vate:
"não há indústria!"
com a veemência do aço batendo-se.
Pois cá anda tudo a cinzento.
Cabeças cinzentas, e nada mais.
Sem um ai de alento,
tão-só tormento,
a rasgar o chão pantanoso de onde viram só o viço do fétido,
sem ver a insistência da vida.

Sidney Azevedo
Ente metálico por ideologias sobrais...
(Inda inté!...)

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Ambiental

Branco há-de ser papel.
E nele se há-de escrever.
Ainda que sobre si...

Sim, aqui as novas regras da grámatica são assim:
papel de rasurar e caderno escolar de anos atrás!

Não é o meu quarto a me alçar além de mim. É sempre o peso de uma obrigação a revelar sua insufiência. Pois o meu quarto não é um quarto. Ele é só um canto da casa - quiçá dela um oitavo -: aquele em que durmo... É por isso não ser meu. Tenho-o como coisa dista, branca, asséptica. Cirurgião do cadáver que é ele próprio não-putrefato!
Em o quarto que se diz ser meu não entro sem mãos recém-lavadas. Não me permito ali pulos. Não crio mundos de ocupado demais que estou a pensar em como dar a mim o privilégio de ser eu mesmo no quarto, pois ele nem deixa a mim o privilégio de ser eu. Desconfiado, sempre, nele estou a andar.
Em nada aí creio sem vistas meticulosas... Meus livros ficam insípidos, estando entre eles sem valor a constituição, o catecismo, a enciclopédia e o portifólio. Até dinheiro vira bloquinho de anotações. Ao extremo relativismo do nada forçado fico a comparar meu quarto branco... Some-se à consciência meu pequeno São Francisco e os ideais de pobreza, caridade e castidade. Num quarto branco como a paz. Alvo como uma nuvem trigueira. Mentira! Branco de paz não é cor!
É só um pedaço de queratina, uma pena de pássaro, que indica haver um outro modo de viver lá fora. E que meu quarto, sim, já fora outro. De azuis paredes de madeira, talvez o único a servir de passagem entre o quarto dos pais (pois este sempre é o maior, ainda que não sejam os pais a ocupá-lo) e o resto da casa, onde os buracos e os cupins indicam que pobreza aí é mera questão de disposição de matéria. Talvez também o único com um berço aos insetos fidedigno, acompanhado de um colchão sujo carcomido, à guisa de armário em dias de frio.
Ainda que nesse mesmo berço pretendesse meu futuro filho deitar tinha algo a me dizer esse quarto não mais haveria. Só a proposta de niilismo que à frente de mim vejo perder o sono. Está mais fácil dormir entre os azulejos verdes da sala (neste maldito calor é o que convém fazer...) ou entre as paredes cimentadas da lavanderia. Mas, tolo eu, cá fico, nesta alvura, pensando sempre em como fazer serem as coisas um nada. E esquecendo que minha vida só vale quando delas torno nota musical de acordeão.

Sidney Azevedo
Quatro voltas à rotunda.
(Isto, vades...)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Breve

Brevíssimo...

Porém, é-me falto o primevo contacto, o que transforma um simplório passadio na mais crua filosofia metafísica.

Sidney Azevedo
Que mais é preciso dizer?
(Sinto falta da velha escrita...)

terça-feira, 17 de março de 2009

Lobos, tigres e musaranhos

Rever


O cão. O inegavelmente fiel. O insistentemente amigo. O insuportavelmente prestativo. Qual é a graça em um tal animal? Ele ainda é uma unanimidade!...

Sidney Azevedo
(Os bichos logo serão outros)
Aguardai actualização...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Gente que é coisa...

Desfazer possíveis enganos

Semita é, por definição, qualquer indíviduo oriundo das tribos que vivem no Médio Oriente, desde os mesopotâmios até os árabes, passando por sírio-fenícios e, inclusive..., hebreus. É-me estranho ver a acusação de anti-semitismo ser feita apenas com relação aos judeus, cuja unidade não parece ser étnica, mas religiosa. Há mil, novecentos e algo perto de somar mais cinqüenta anos a essa quantia, a diáspora do povo hebreu para a Europa, tida como obra dos romanos, não disseminou o povo, mas a religião, que cresceu, embora pouco, o bastante para tornar os judeus uma gente bastante "contrastante" com os palestinos de hoje.
Talvez a teoria de Lamarck explique melhor tal camaleonismo na pele do que a de Darwin e as a ela subseqüentes, considerando que o desenvolvimento de novos aspectos corporais possa, assim, vir mais rápido do que num processo de milhões de anos. Há-de haver ainda algum..., será que devo dizer?..., digo sim: arianismo. Os pais brancos com genes dominantes tornariam claro outrem, que herda uma coisa que bem conhecemos: o vontade de domínio. Está, assim, cretinamente, explicada a união étnica.
Todos os israelenses que vejo parecem levar consigo aquela coisa do desbravador (essa palavra pode parecer elogio, mas é uma ironia...; e digo isto apenas para evitar dúvidas) europeu que explora uma terra "nova". São colonos nada simpáticos aos da Palestina, mesquinhos como os que cá aportaram, tentando se valer de fatos históricos para se defender.
Aqui, "o apego ao trabalho trouxe o progresso [arre, que palavra feia!...] às austrais regiões", lá, "um povo precisa de Estado para se sentir seguro". Sentir-se seguro..., assim como em Tiros em Columbine. O raciocínio concebido à história estadunidense (e americana também...) da colonização no documentário parece-me ser passível (bem passível, demais até...) de aplicação ao caso de Israel.
Atacando um povo árabe, os judeus fazem-se anti-semitas, enquanto estão, por questão de convívio, euro-capitalizados, cultural, racional e monetariamente, seguindo uma religião que não é a cristã, mas que guarda muita coisa em comum.

Que é povo?

Outro problema conceitual que encontro nessa questão é a designação de povo... Povo parece algo grandioso demais, mas que se sente junto e unido. Mas quanto mais distante, menos povo é, e mais estatizada, mais burocrática, e mais fria a relação. O Brasil é um Estado. A população brasileira pode viver situações semelhantes, mas não é próxima o bastante para ser chamada de "povo". Também os judeus estão em semelhante situação, pois, o que pode ser povo, para muito além da vizinhança? Não, os judeus não são um povo, mas uma população que parece cada vez mais querer esmagar outra por razões de poder.
Pergunto-me e aos raros que talvez me venham a ler, porque quem fala contra o "povo" judeu é antissemita (para lembrar que existe nova ortografia...), sendo que é muito mais anti-semítico atacar povos árabes?

Sidney Azevedo
Descontínuo e esquisito
(mas que vá, assim, o texto...)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Um momento de desatenção

Uma ilustração grosseira

Foto:Sidney Azevedo

"Quando olhas para dentro do abismo malvado, o abismo malvado também olha para dentro de ti."
Friedrich Nietzsche
Sidney Azevedo
Uma brincadeira
(sem graça...)

Desprincípio de procurar razões

As respostas são inúteis
Resolução é uma decisão. É também chave que abre um baú-problema... Uma ínfima parte, um fragmento do azulejo quebrado no mosaico que pode inverter a vista do mundo. A busca do resultado - ente intelectual passivo e rematado, como sua condição verbal (não se deve substantivar esta palavra, "resultado"...) assinala - se concentra na obrigatoriedade de uma verdade ilusoriamente coerente... Não é a vontade de verdade que orienta o conhecimento, é uma vontade de regularidade.
Quando Marte movia-se espiralado não impedia a criatividade das explicações por um entendimento limitador e escravo da harmonia. Aí nascia o conhecimento da dúvida, e não da certeza. Não estrela um princípio num tal universo, mas o estabelecimento deles nunca aceitos reiteradamente. O desejo de acabar com a desordem nos céus e fazê-los simples é o que ocasionou uma "verdade"..., não a busca por ela.

Sidney Azevedo
Uma tese a mais
(um vivo a menos...)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Uma gárgula

Outros caminhos



A lembrança dos dragões a proteger a religiosidade de outras eras que não as suas.


Foto: Sidney Azevedo



Os tempos são sempre outros, as crenças diferentes, mas os humanos semelhantes.



Sidney Azevedo
Mais um regalo
(fotográfica...)

"Ser sempre o que tinha possibilidades"...

Erro crasso

É num quarto escuro que ascendo à minha vida das noites eternas de uma regrada rotina de pouco à frente olhar. Na verdade, nem sei se escuro é, pois nunca lhes vi às paredes... Mas um abraço penumbroso sinto, um que afirma ter algo em minha infância nunca resoluto e que solvido talvez nunca venha a ser. O erro da minha teimosia é ter crido que ela seria, ela própria!, capaz de mudar-se e deixar-me apreender as coisas. Mas sou o mesmo... Aquele das possibilidades, o que não chegou a alguma coisa porque esperava coisa alguma vir a si e nela tornar-se. A minha infância não passou e, no entanto, sou já velho em modos, e meus próximos notaram isso. E um velho rabugento, virgem no amor e no trabalho, e ainda mais no sentimento, porque amargura é a saudade de um sentimento que nunca se teve. Sou o candeeiro aceso que emborcou sobre si o vaso por um misto de preguiça, comodidade, vergonha, covardia e a crença firme, qual estaca fina de madeira a sustentar o muro, de que isso seria melhor. Só na hora. Mas eu não tenho amanhã. A chama permanece. Nada alumia. É uma chama aluna, por excelência. E que apaga na tristeza a escuridão dos outros.

Sidney Azevedo
Velhice, juventude e infância não-resolvidas.
(princípio de um projeto pedagógico...).

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O rodapé negligenciado

A fora do texto original

Uniformidade como lei do pensamento simples: o "ser" do verbo é o pai do enrijar a certeza. Torna-se necessário matar uma manada de elefantes criando um grupo menos visível, uma incerteza na caça...
_

A intuição rejeita formalismos rijos e machos, mas pode criar outros após algum tempo.
_

Que conhecimento pode vir do cinzento quando se vive entre cores? Do cinzento num mundo cinzento nada virá a não ser um domínio mentiroso de tal linguagem.
_

A linguagem toda é um silêncio. O silêncio, ou aquilo que esta palavra tenta, insuficientemente, exprimir, é a única coisa que fala.
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O mais perigoso dos vícios é o que leva à obsessão o sentimento de propriedade.
_

Seriam as circunstâncias a criar no homem a necessidade? Penso ser o que faz isto o seu poder de renúncia.
_

A pior coisa que à alma assustadiça pode vir na escuridão é o amplexo de qualquer som. Àquela que o temor é sensação desconhecida, tal cingida se encontre, não há mais que incômodo...

Sidney Azevedo
Um regalo do deserto pensante!
(a bem da verdade, não o foi...)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Sobre as barbas, uma máscara, sob ela, os olhos...

O terno disfarce de reis

Não creio ser preciso dizer mais. Mas a honra-mor é por eles ser achado e não fazer-se de Herodes.
Foto: Sidney Azevedo

Sidney Azevedo
Um pouco de nós próprios
(Um regalo da viagem a Aparecida)

As contas aguardam ser pagas pela consciência

Pagador inconteste
- Joelhos lacerados pela vontade de fugir à dor...
- Será tão sujo o solo do ensimesmar após permitir a fuga à promessa ante outrem?
- Àqueles que têm sob um altruísmo ao invisível sua vivência, sim.
- Mas tão chã torna-se essa entrega...
- Não há entrega. Há confiança em si.
- Há tu tão seco em palavras ao ver cena tão deprimente...
- Não hei seco em palavras. Hei-me em voto de silêncio.
- E porque, então, falas?
- Falar a alguém quando se vê o encontro do homem consigo mesmo na comunhão das coisas, calar-se é.
- É por isso que não desvias a cabeça?
- Tente fazê-lo.
- Não consigo, olho há meia hora, e sofrimento é tudo o que vejo.
- Olhaste, pelo que disseste.
- Sim.
- Não se olha. Impeça a razão de à frente tua vedar o inesperado.
- Sumir-me-ei!
- Não me ouves?
- Passo a inexistir em meio a tudo isto?
- ÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔ!
- Não me ouvis
- Silencia-te, e torna-te solícito, rapaz impaciente, que deixarás de o evidente procurar.
- Arre!
Sidney Azevedo
Promessas e rotundas a desfiar o novelo
(Cromo envolve uma terrinha de Fátima...)

domingo, 25 de janeiro de 2009

Crise

Vale-como-testemunho

Não sei se algo mais devo escrever.
Eu nunca dei valor ao testemunho...
As mágoas, os males, o murro, pretendente a cingir em dores ao menos um dos rins, por ser covarde o bastante para não fugir..., tudo isto está nos arrefecidos, e cobertos de paranhos, cantões da minha memória. Sim, como a burocrática de um continente que mais não existe sem o ser outros.
Eu nunca dei valor ao testemunho...
"Por que não falas, homem?"..., pergunto enfim àquilo que de humano e indissociável do divino pode haver na minha alma. Não falas..., talvez seja um ser abjeto, tirado da maciez das nuvens, que o vento calmamente modelou como sombra ao sol - sim, anjos, caso os haja, não morarão em nuvens...
"Valham os bastiões do testemunho", creio que alguém o disse, e desde então minha queda está assinalada...
Sidney Azevedo
Mostra de incompetência...
(reais-cínicos instantes...)