segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Gente que é coisa...

Desfazer possíveis enganos

Semita é, por definição, qualquer indíviduo oriundo das tribos que vivem no Médio Oriente, desde os mesopotâmios até os árabes, passando por sírio-fenícios e, inclusive..., hebreus. É-me estranho ver a acusação de anti-semitismo ser feita apenas com relação aos judeus, cuja unidade não parece ser étnica, mas religiosa. Há mil, novecentos e algo perto de somar mais cinqüenta anos a essa quantia, a diáspora do povo hebreu para a Europa, tida como obra dos romanos, não disseminou o povo, mas a religião, que cresceu, embora pouco, o bastante para tornar os judeus uma gente bastante "contrastante" com os palestinos de hoje.
Talvez a teoria de Lamarck explique melhor tal camaleonismo na pele do que a de Darwin e as a ela subseqüentes, considerando que o desenvolvimento de novos aspectos corporais possa, assim, vir mais rápido do que num processo de milhões de anos. Há-de haver ainda algum..., será que devo dizer?..., digo sim: arianismo. Os pais brancos com genes dominantes tornariam claro outrem, que herda uma coisa que bem conhecemos: o vontade de domínio. Está, assim, cretinamente, explicada a união étnica.
Todos os israelenses que vejo parecem levar consigo aquela coisa do desbravador (essa palavra pode parecer elogio, mas é uma ironia...; e digo isto apenas para evitar dúvidas) europeu que explora uma terra "nova". São colonos nada simpáticos aos da Palestina, mesquinhos como os que cá aportaram, tentando se valer de fatos históricos para se defender.
Aqui, "o apego ao trabalho trouxe o progresso [arre, que palavra feia!...] às austrais regiões", lá, "um povo precisa de Estado para se sentir seguro". Sentir-se seguro..., assim como em Tiros em Columbine. O raciocínio concebido à história estadunidense (e americana também...) da colonização no documentário parece-me ser passível (bem passível, demais até...) de aplicação ao caso de Israel.
Atacando um povo árabe, os judeus fazem-se anti-semitas, enquanto estão, por questão de convívio, euro-capitalizados, cultural, racional e monetariamente, seguindo uma religião que não é a cristã, mas que guarda muita coisa em comum.

Que é povo?

Outro problema conceitual que encontro nessa questão é a designação de povo... Povo parece algo grandioso demais, mas que se sente junto e unido. Mas quanto mais distante, menos povo é, e mais estatizada, mais burocrática, e mais fria a relação. O Brasil é um Estado. A população brasileira pode viver situações semelhantes, mas não é próxima o bastante para ser chamada de "povo". Também os judeus estão em semelhante situação, pois, o que pode ser povo, para muito além da vizinhança? Não, os judeus não são um povo, mas uma população que parece cada vez mais querer esmagar outra por razões de poder.
Pergunto-me e aos raros que talvez me venham a ler, porque quem fala contra o "povo" judeu é antissemita (para lembrar que existe nova ortografia...), sendo que é muito mais anti-semítico atacar povos árabes?

Sidney Azevedo
Descontínuo e esquisito
(mas que vá, assim, o texto...)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Um momento de desatenção

Uma ilustração grosseira

Foto:Sidney Azevedo

"Quando olhas para dentro do abismo malvado, o abismo malvado também olha para dentro de ti."
Friedrich Nietzsche
Sidney Azevedo
Uma brincadeira
(sem graça...)

Desprincípio de procurar razões

As respostas são inúteis
Resolução é uma decisão. É também chave que abre um baú-problema... Uma ínfima parte, um fragmento do azulejo quebrado no mosaico que pode inverter a vista do mundo. A busca do resultado - ente intelectual passivo e rematado, como sua condição verbal (não se deve substantivar esta palavra, "resultado"...) assinala - se concentra na obrigatoriedade de uma verdade ilusoriamente coerente... Não é a vontade de verdade que orienta o conhecimento, é uma vontade de regularidade.
Quando Marte movia-se espiralado não impedia a criatividade das explicações por um entendimento limitador e escravo da harmonia. Aí nascia o conhecimento da dúvida, e não da certeza. Não estrela um princípio num tal universo, mas o estabelecimento deles nunca aceitos reiteradamente. O desejo de acabar com a desordem nos céus e fazê-los simples é o que ocasionou uma "verdade"..., não a busca por ela.

Sidney Azevedo
Uma tese a mais
(um vivo a menos...)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Uma gárgula

Outros caminhos



A lembrança dos dragões a proteger a religiosidade de outras eras que não as suas.


Foto: Sidney Azevedo



Os tempos são sempre outros, as crenças diferentes, mas os humanos semelhantes.



Sidney Azevedo
Mais um regalo
(fotográfica...)

"Ser sempre o que tinha possibilidades"...

Erro crasso

É num quarto escuro que ascendo à minha vida das noites eternas de uma regrada rotina de pouco à frente olhar. Na verdade, nem sei se escuro é, pois nunca lhes vi às paredes... Mas um abraço penumbroso sinto, um que afirma ter algo em minha infância nunca resoluto e que solvido talvez nunca venha a ser. O erro da minha teimosia é ter crido que ela seria, ela própria!, capaz de mudar-se e deixar-me apreender as coisas. Mas sou o mesmo... Aquele das possibilidades, o que não chegou a alguma coisa porque esperava coisa alguma vir a si e nela tornar-se. A minha infância não passou e, no entanto, sou já velho em modos, e meus próximos notaram isso. E um velho rabugento, virgem no amor e no trabalho, e ainda mais no sentimento, porque amargura é a saudade de um sentimento que nunca se teve. Sou o candeeiro aceso que emborcou sobre si o vaso por um misto de preguiça, comodidade, vergonha, covardia e a crença firme, qual estaca fina de madeira a sustentar o muro, de que isso seria melhor. Só na hora. Mas eu não tenho amanhã. A chama permanece. Nada alumia. É uma chama aluna, por excelência. E que apaga na tristeza a escuridão dos outros.

Sidney Azevedo
Velhice, juventude e infância não-resolvidas.
(princípio de um projeto pedagógico...).

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O rodapé negligenciado

A fora do texto original

Uniformidade como lei do pensamento simples: o "ser" do verbo é o pai do enrijar a certeza. Torna-se necessário matar uma manada de elefantes criando um grupo menos visível, uma incerteza na caça...
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A intuição rejeita formalismos rijos e machos, mas pode criar outros após algum tempo.
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Que conhecimento pode vir do cinzento quando se vive entre cores? Do cinzento num mundo cinzento nada virá a não ser um domínio mentiroso de tal linguagem.
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A linguagem toda é um silêncio. O silêncio, ou aquilo que esta palavra tenta, insuficientemente, exprimir, é a única coisa que fala.
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O mais perigoso dos vícios é o que leva à obsessão o sentimento de propriedade.
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Seriam as circunstâncias a criar no homem a necessidade? Penso ser o que faz isto o seu poder de renúncia.
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A pior coisa que à alma assustadiça pode vir na escuridão é o amplexo de qualquer som. Àquela que o temor é sensação desconhecida, tal cingida se encontre, não há mais que incômodo...

Sidney Azevedo
Um regalo do deserto pensante!
(a bem da verdade, não o foi...)