quinta-feira, 21 de maio de 2009

Um olho paira, pára e palra

Só(s)
Uns olhos grandes me fitam de longe mirando não sei bem o que. Sigo fazendo o que faço, mas tentado a olhar, mesmo sabendo que não terei certeza sobre o que acabo de afirmar. Sim, pois não sinto dois olhos grandes me fitando. Dois olhos grandes fitam-me, e só(s). Mas se eu olhar, perco o agradável de saber que alguém me nota. Aí sumirão os olhares, não os olhos. Tê-los-ei perdido.
Perder, por sua vez, não é agradável. Principalmente agora. Não posso saber quando os terei outra vez voltados para mim. Será regra de não ter patianas, humores terrivelmente bons e estados desgraçadamente ruins, e todos agradáveis ao mais retórico teórico da medicina actual e ao mais anárquico dos escritores que desejam o fim das intituições. Será só um ócio apático, parasitamente carrapático. A sugar as paixões. Um olhar! Como pode?
Fico assim, sem saber o que paira sobre mim. Que raio de olhar é esse, que me incomoda e deixa-me vivo, com ensejo de algo fazer e passar de vez essa modorra? Mas não, não posso descobri-lo. Isso seria um dever incumprível...
Sidney Azevedo
Letras novas
(Vestimenta estrangeira...)

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Urge um pouco de - real - silêncio a esta alma que se quer nobre...

Mori ratio

A Razão matou um jovem risonho,
zeloso de sua sabedoria que era.

- Sabedoria? Que me importa agora
esta bastarda prima?

Sussurros constantes se espraiavam
tornando face desgastada a juvenil.
A vida a graça perdia
e a ingenuidade voava
ao largo,
à vaga,
lacustre,
já em pauis.

Sequem-lhe a face temerária do novo!,
antes que a métrica o tome e ele,
velho,
jaza em ciência.

Não...
Não conhecimento...
Mas,
tão-só,
dado sem número
em todas as faces!

Sidney Azevedo
Ração não racional!
(Dêem-ma!!!.)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

À bruta

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Sem edição
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Fios infelizes...

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Sidney Azevedo
Para que cortes?
(Breve, mais uma...)

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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Nau nasália

Mar sem águas
Não há gosto ao meu nariz. Não há pr'ele cheiro algum. No prelo dos ares, cego de impressões vive. Entre imundices, necrofilias, catingas e boduns quaisquer, vive sem lhe haver o peso do ar de um conhecimento e uma felicidade obrigatórios e imperativos ao resto dos homens.
"Isto de o tanto usar para sumir o mundo é. A tudo te fazes aspirador! Tomas as graças de todos os símbolos e signos que t'ofertam... De que reclamas, se podes negar-se a esse sensacionalismo e ser como nós, altos, magnânimos e superiores, ao invés de te rastejar com tua gente pelas sarjetas?"
O que há? Não agüentai essa denúncia? Pesa-vos lembrar que não podeis tão-só deixar-se a ser tristes e confessar-se da própria ignorância. É preciso que tornai preciosa uma música que o não é só para esta voz gravemente aguda ser silenciada? Parvos! O que não tendes é lá: falta-vos a lã do elã envolvente da memória. Falta-vos preparo para a perda! Falta-vos a derrota!
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"E não posso entrar por que, ham?
Shh...
Só por não ter sapatinhos?
Shh."

Sidney Azevedo
Angloenigma
(sapatinhos, vá à rama qui paris te...)