terça-feira, 30 de junho de 2009

Falta de criatividade.

SEM...

Sem. Creio que nunca se começou a escrever algo com uma frase tão inútil. Sim, “sem.” é uma frase também, oras! Inconclusa, sem término. Nem há vontade de fechar um significado. Sem…

Não merece crédito, mas é meu...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Golpe não!

Circuito

O cancro da pressa nasce,
E galopa veloz à campa,
E espalha passos a ferir
O chão que a terra outros tampa,
Mortos da corrente lâmpa-

Sidney Azevedo
Pressa em aula.
(Golpe no meu blogue! Texto abaixo...)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Haverá boa reacção?

Só parar não é

Toda constante é iner(t)(m)e, pois monótona. E todo todo é monótono.
Todo é só um conceito, uma arapuca racional, capaz de segurar no ar um átomo de sub(a)stância e o átimo de paciência.
Ser paciente é uma doença por nos deixar parados contemplando o nosso de(u)sgosto.

Sidney Azevedo
O ás.
(Des(ás)troso...)
Saturação. Sutura. Minha escrita jamais será medicinal. Já faço coisas demais por ordem médica.
Foda-se!
Basta de purismo!
Mas algo me está a faltar... Serão minhas idéias?

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Jacson Almeida

"Quero parar meu cérebro
pois não ouço nada neste ambiente.
Tudo é tão podre"
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Gisele Krama

"Tudo fica podre quando os vermes se comunicam"
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Sidney Azevedo

"Algumas minhocas esgaravatam um cérebro qualquer já bem putrefato..."

Sidney Azevedo
Sem criatividade...
(Sinto-me a jazer...)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A relembrar um fruto do trabalho

Uns instantes em uma biblioteca farense

Quando subia as ladeiras de Faro, em direção à biblioteca, ouvia uns sujeitos sempre a discutir literatura às portas da tasca com canecos metálicos às mãos.
– Machado de Assis é subtil!
E só. O bruxo do Cosme Velho não tinha sequer direito a sinônimos. Não, minto, recebia este:
– De um sorrateirismo de gatos das pardas noites.
Sorrateiro. Não havia engano. A discussão em torno dele era breve, de caráter assertivo e de um concisismo necessariamente neologístico. Mas, voltando às noites, que é o que importa, as noites é que são pardas em sua indiscernibilidade, não sei se já o percebestes, caro leitor. Inclusive esta escrita noturna e nocturna, que é também imitação desairosa, é parda.
Mas não era noite ainda. Era ainda o crepúsculo a cair, e não o fez o último raio de sol daquele insosso dia sem aguardar minha passagem pela porta da biblioteca. Se eu fosse mais amigo dos livros poderia dizer que passei-me com ênclise à transcendência. Mas não sou amigo, nem editor deles. Fosse o primeiro, namorava-lhes só as idéias. Caso o segundo, fazia valer em boas patacas o papel. Ou fazia em ambos os casos as duas coisas. Não é o futuro determinável e sabe-o o distraído que lê isto, se é que consigo fazer alguém se distrair com essas aparentes prateleiras de reflexões conhecidas.
Ah, as prateleiras, rumei a elas, à procura de algo para ler à noite. Tinha um volume de Vergílio Ferreira às mãos, topei com Machado de Assis. Lembrei-me dos etílicos goles que bebiam os senhores a discutir literaturas uns metros abaixo e fiquei tentado a lê-lo. Olhava para um livro e para outro. Como que feito de estuque fiquei uns cinco segundos. O ar recendia a papel velho, à exceção do livro do Machado. Era uma edição de dois anos antes, irmanada com as de literatura brasileira, papéis rotos e encardidos se não eram encardidos à hora os olhos meus. Mas Deus logo veio e não me deixou cair em tentação.
Tomei emprestado Vergílio e ficou o Machado à prateleira. Saí veloz da biblioteca, achando que repetira alguma frase à rapariga da locação e ia-me para casa, a perguntar o que havia de tão curioso naquele livro. Na tasca, estavam ainda com o vinho às cabeças. A obra da vez era a de Proust. Mas já não discutiam, berravam uns com os outros. Que havia de tão diferente? Diz-me lá da sacada uma mulher:
– Vai logo, puto, que tua mãe tá a te esperar! Veio cá três vezes a querer saber de ti...
Cordialmente apressei o passo e logo chegara em casa. Pus-me a ler. Terminei daí a três dias, entendendo que os ratos é que defendiam a sociedade e que a plenitude dos atos não depende de modo algum da clareza. E eis que Fátima estava próxima: a nossa senhora olhava-me do alto da sala, na pequena cava à parede em que estava, pois a fé é assim também, difusa e certa por não se mostrar destes modos, mas como indiscernível.
O autor brasileiro ficaria para dias após o cruzamento do Atlântico, na biblioteca de Joinville. “Aparição” foi, assim, o último livro que li em Portugal. De Machado, nada sabia, e, como lição de militarismo, recolho-me a encerrar aqui a crônica, que deveria ser, tão-só, um momento. Perdoe-me, amigo leitor. Hás-de entender..., a constância é o custo do molde. Antigo é o teatro grego de um dia só.

225
Essa charge já saiu em algum ponto
deste blogue, mas não custa recordar...


Sidney Azevedo
Esquizofrenia ortográfica.
(Acho que serve de piada ao Acordo...)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Des conhe cimento

Lembranças de uma mente sem brilho

Vi-me forçado, a esses dias, a procurar um velho texto que tinha sobre lógica. Logicamente não o encontrei. Encontro as idéias dele na minha mente. Sempre presentes, ou se não sempre, alojado num canto viscoso qualquer que volta e meia visualizo sem pedir. Preciso reencontrar meu velho espírito acadêmico... Cadê?!

Sidney Azevedo
Será preciso brilhar?
(...)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Ser nada, que seria?

Continua a história


Benteja olhava a um retrato. Talvez dele próprio. Era um menino em camisa, jaqueta e calça escolares, azuis todas, com a perna esquerda apoiada ao pé, fazendo um leve arco. A mão esquerda, em punho fechado e colado ao corpo, ia na coxa da perna do mesmo lado, e a direita à cintura. Olhava fixo em frente com ar napoleônico. Só parecia não ter rosto. Como aquele escritor que conheceria, o menino, muitos anos mais tarde, como massa informe a face, uma não-face. Sim, Benteja é escritor, mas não, certamente, o que o menino conheceria. O menino, talvez, no fim, conheceria ninguém. Mas Benteja o olhava.
- Como posso me esconder de mim?, Como posso ter coragem de me negar um olhar?
Benteja negava ser o que era. Talvez quisesse, sim, ser nada. Ser nada, que seria? Ele já se tinha deparado com esse problema. Seria sua glória resolvê-lo. Discurso nenhum, no entanto, o resolvia. Ele achou sua solução num caminho covarde..., o de reconhecer a impossibilidade de solver o problema. Na dúvida, largou a metafísica, razão de loucura e ficou na certeza vazia. Não sabia, o Benteja, como se situar no meio dos que sabiam lidar com essa ceteza sempre pronta.
- Ser nada, que seria, ser tu, menino, e não o ser por já ter passado o tempo?
Benteja inventou viagens que nunca fez. Cursou coisas pelas quais nunca passou, contou namoros que nunca teve. Nunca foi, resumia.

Sidney Azevedo
Eu mereço a calada
(Continua...)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Aforismos

Recuperação do pensamento perdido


Se, como escreve Copérnico, o problema da Terra como centro era a irregularidade das medições, então o nascimento da "revolução" nada tem a ver com uma vontade de verdade: antes com uma vontade de regularidade...

É, pois, possível, que a ligação conceitual entre verdade e luz não passe da destruição da pluralidade, aquela que tão bem conheciam os medievos.

É preciso fazer como luz a incerteza! É no desafio de resistência à razão que o espírito encontra alguma demonstração em si do que vem a ser a verdade.

Racionalista crítico: filósofo oportunista.

Um percevejo não se sente à vontade para escalar a unha enquanto percebe espiar do alto uma cabeça pétrea.

Três oxímoros importantes: Democracia, Princípio de democracia e Estado democrático.

Sidney Azevedo
Sidney Azevedo!
(Sidney Azevedo...)

sábado, 6 de junho de 2009

Inexplicável

Modinha a três passos
Dentre as coisas que escrevi, uma há muito não via. Um tema lírico, único texto tal, talvez, e que me lembro ter escrito. É do quinto dia do mês de maio de dois mil da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo... Tem, portanto, muito tempo, e me hão de perdoar os erros. Mas fico estranho. E cada vez mais... Queria saber o que ocorre comigo...
Ah, é um dos raríssimos textos meus deprovidos de título... Será que quer dizer algo?
___________________

Será a conseguir, alguém, imaginar que lábios, uma vida, nunca foram beijados? Eu consigo. E o pior: consigo-o em plenitude. Em uma bolha sou recolhido no meu sonho e içado a ouvir o nunca feito. Nunca, feito, nunca feto, nuca feito, feito nuca feto fado, fato pendurado ao cabideiro com um chapéu na ponta que é, este sim, o que eu sou. Vazio de histórias, ou se não vazio, dentre as histórias encontro erros e fracassos. Talvez porque só os veja... E os lábios me voltam à memória. quando um inseto intrometido desnorteado encontra-se, inadvertido, com a minha boca, mas não é um beijo, dele só sei vir uma doença que me deixa sem saber o que há no ato que todos pensam todos já ter feito, exceto...

Sidney Azevedo
Estou irreconhecível...
(O que há de errado?)

Informatio n'evangelia, relacta et inusabile

Nova cristã...


Eis aí a nova de hoje:
é a notícia à guisa de cristo.
Por hoje basta.

Sidney Azevedo
Sem assinatura
(Simples isto...)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Exemplo de como não fazer poesia?

Para não dizer que não falei de moedas

Uma moeda ao pé me caiu,
um pedaço de metal sórdido,
já por tudo andado,
em andrajosos relevos
que não lhe esquentam as costas,
sujas de terra.

Parou rolando, sim,
rolando ainda,
sob o imponente prédio do antigo hotel
cujo nome nunca soube.

Também pode ser que nunca tenha sido um hotel.
Não, não veio de lá,
até porque, quando a vi,
era já parada no chão,
e que me tenha caído próximo
é efeito de imaginação posterior.
Pois o agradável só me seria vir o dinheiro
e não tê-lo de por aí catar às custas do esforço de inclinação.

Sidney Azevedo
Um texto exemplar
(exemplar tem mais de um sentido...)

terça-feira, 2 de junho de 2009

Antes de estar pronto

Não é finda a idéia própria, bastardo!

Ingénuo é meu novo personagem. Não, é o nome dele (ele, propriamente, não o é). E não o é porque outrora leu, leu muito. E porque caminhou por vias afastadas, aquelas em que ninguém anda por serem inúteis e por onde só os que lá moram se aventuram chegar. Mas nem esses lhe tiram a cisma. Cisma ora em crismação - e seu bispo é Pedro Em nute, eclesiástico italiano há pouco chegado a Araque cuja maior particularidade é a preposição do nome.
A cisma é antiga. Começa em dores no diafragma como se tomasse uma pancada na boca do estômago (caso este tenha uma boca..., idéia que os amigos de Ingénuo rejeitam pela figura raquítica deste - detalhe, em tempo: "raquítico", em Araque, é alguém cujas idéias não constituam uma filosofia sua que se não confunda a outras). Mas a Confirmação é já próxima. E ele, calado, esfria, imperceptível, a vontade ante a Esterilidade.
E se falar? Descobriria em retos traços, constantes indiscerníveis aos próprios donos, que o enunciado anunciado é mal o verdadeiro? Já na fila aguarda os óleos, não os eclesiais, mas um ungüento qualquer, um sebo no qual se desdobre a toalha sobre a mesa estendida do mundo, com dificuldade, para que esse abrir não se extinga em desânimo e falta de forças comuns.
E berra, impedindo a cerimónia. Sim, não é hora de falar do fim. Ainda...

Sidney Azevedo
Metáforas, ainda não sei usar...
(Sim, acento agudo é válido...).

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Porque sou ente?

Carrapato

Deixo correrem as sombras de dentro para fora de casa. Deixo choco o café para amanhã. Decidi não ter o direito de sorvê-lo quente, como todos fazem. Privo-me então, por companhia, do açúcar. E age o vento lá, a correr sem ter porque.

Sidney Azevedo
Aforismo
(Desaforo...)