quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O mal-estar do escolhido

Conjunto vazio

Isto aqui deve estar carcomido de poeira. Há muitos meses não passo por aqui... Espero não me demorar muito, pois nunca tive certeza se sou ou não alérgico à poeira. E espero que, se for alérgico, meu corpo aguente até terminar de escrever o que escreverei aqui.

Nunca imaginei que uma escolha errada pudesse me atrasar tanto. E pelo visto, vai me fazer regressar. O maior erro que cometi em minha vida foi iniciar a faculdade de jornalismo. Não, minto... O meu maior erro foi não ter saído dela já no primeiro ano. Deixei as coisas acontecerem certo de que as coisas aconteceriam sempre para melhor e que, todavia, um curso superior sempre é uma vantagem...
Todavia, é, desde que não seja Comunicação Social nas mãos de alguém cuja maior parte da vida tratou de ser antissocial.
Eu permaneço sendo aquele-que-viria-a-ser, o superdotado, aquele com quem não era necessário preocupar-se porque os caminhos se abririam a ele sem esforço. Mas vejo que o tempo das nobrezas e dos escolhidos só existem nas folhas dos livros de história e nas lendas de tribos anciãs. E não me há quem dirima esse maldito erro, porque sou orgulhoso demais para descer ao curso técnico e distante demais para tentar algo nas exatas. Sinceramente, o meu interesse pela comunicação se esvai a cada minuto que passa.
E a minha dor é maior a cada hora ao ver que isso não afeta só a mim, mas a todos os que me estão próximos. Porque me veem definhar. Definhar. A palavra é essa mesma, há uma âncora no fundeadouro que impede que minha nau siga. E ela está atada à nave por uma corda de aço num momento em que não tenho facas com fio o bastante para cortá-la nem força para desfazer o nó.
Queria poder saber o que fazer nessa hora tão perdida. Desses tempos de não ter vontade, dos quais já me devia ter livrado. Tudo por ser teimoso. Podia ter largado o compromisso na hora em que havia lucrado algo com ele e partir para outra, mas eu nunca tive vontade de ferir o meu orgulho de que tinha capacidade para fazer qualquer coisa.
Não definho por gosto. Antes por falta de vontade vontade de mudar. E logo eu que a tantos já mostrei outros caminhos! Por que eu não me posso salvar?
Maldito momento.

Sidney Azevedo
Vazio
(Zero)