quarta-feira, 30 de junho de 2010

Antioquia

Salmo

É sem olhos o homem,
e feliz a não mais poder,
até descobrir-se sem eles
na presença maldita do espelho.

O problema da maçã de Adão
não é o conhecimento,
nem o bem e o mal.
É quando um certo deus
vem reclamar essas coisas
e criar o império dos homens.

Deus bem disso sabia,
mas o homem, ainda cego,
ainda incompleto e inocente,
descobriu-se.

No fundo do espelho está si mesmo.
No fundo dele também o diabo.
Quiçá o velho narciso.
E o jovem descartes também.
Num plano em que zero é a consciência
e quando ela se expande
se recolhendo ao oco de si,
gela-se o homem.
E morre-se;
e destaca-se.

No fundo do espelho está si mesmo,
está medusa e sodoma e gomorra.
Deus, dê aos homens os olhos antes que tu
olhes um deles e se estatue também.

Sidney Azevedo
Ah, a raiva!
(Há, sim, e egoísmo também).

Tempo falto

Sem revisão
Outra vez

Não sei que é que se pode escrever nos escassos nove minutos que me faltam para as 2h e para que me comece a oprimir a obrigação de já ir para o quarto e tentar dormir o quanto antes. Como sempre, muitas são as coisas sobre as quais se pode escrever. E muitas ocorrem ao longo do dia. Mesmo um dia que seja dedicado ao ato não tão nobre de pôr a casa em ordem. Isto é, lidar com documentos e folhas que comprovam nossa existência ante as instituições e seu peso que, por menor que seja sua idade, sempre soa como algo perene e constante no tempo.
Vá bem. Embora pudesse escrever algo sobre isso, me vejo obrigado a abandonar a temática por um motivo muito insensato: acho que, a essa hora, não teria criatividade para dar novo tom à questão e não faria mais que repeti-la. Quiçá - inclusive - já o esteja fazendo. E me restam quatro minutos para acabar. Tenho vergonha de publicar algo que nem a mim satisfaz. Mas, convenhamos, não há muito que escrever em pouco mais de quatro minutos.

Sidney Azevedo
Exercício
(até quando?...)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Carta ao leitor

Principalmente ao do Primeira Pauta

Quem pegou a edição nº 92 do principal jornal-laboratório do Ielusc há ter percebido uma grotesca incoerência entre o título do "Editorial" e o texto que a ele se segue. Pode até parecer uma piada inteligente, ainda mais pela primeira rodada da Copa - em si mesma uma grande galhofa. Acontece que aquilo não foi algo planejado como as receitas de bolo nas matérias cortadas pelos censores durante a ditadura militar. Foi um erro crasso, resultante da não-revisão.
Para começar, o texto que foi escrito para essa edição específica não é um editorial, e sim uma apresentação que, em linguagem de jornal, chama-se "carta ao leitor". O texto era meu e, por algum desses desastres que acompanham a experiência humana na Terra, não foi publicado. Mas o meu blogue é um espaço para apresentá-lo intacto, ainda que haja referências ao jornal.
De qualquer forma, aí segue.

***

Copa com cê maiúsculo

Por que permitem que certos irresponsáveis escrevam essas cartas?

A copa das mangueiras não tem mangas porque quase é inverno. Na copa ainda não se fez o café. Mas o que é jogado a toda hora na nossa cara é que a Copa, com cê maiúsculo, está prestes a começar. Tanto é que na edição passada já tivemos uma matéria sobre o favoritismo do Brasil. Mas a edição passada já foi, e a que tens em mãos teve uma particular preocupação com a Copa.
Começamos apresentando algo que só esteve na pauta e que, por infelicidade, não pudemos trazer à vossa leitura. Seria uma entrevista com Ramires, volante da seleção brasileira e ex-jogador do JEC. Todavia, apesar de grande esforço, não conseguimos contato e essa entrevista caiu.
Mas não se desespere. Se quiser ir para a Copa, poderá conhecer como dois irmãos joinvilenses se prepararam durante seis meses para passar 30 dias na África do Sul. Assim, vá pensando em 2018, que, espera o editorialista, seja em Portugal e Espanha.
E, olhe só, novamente estamos falando de viagens. Há duas edições a carta ao leitor versava sobre repórteres-andarilhos. E os nossos cruzaram os céus. Jacqueline Rauter, foi até Manaus para entrevistar um andarilho da língua portuguesa, o professor Pasquale, na página 8. Também voou Valmir Fernando com o Águia para fazer a matéria sobre o helicóptero da polícia militar.
Esta edição ainda traz matéria sobre as bandas de rock da cidade e sobre um policial federal que escreveu um livro. Despeço-me aqui, indo à copa fazer o meu café que não chega, desejando uma boa leitura, lembrando que várias são as copas e que o melhor a fazer é ler um livro. Inda inté!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Ex-perimetral

Um experimento a mais

Houve tempo que não fazia poesia.
Houve tempo que não fazia pesquisa.
Houve tempo que não sentia correr pelas veias o incrível sangue jovem de intelectual.
Houve tempo, até, que não fazia coisa alguma.
Houve tempo para tudo, até para parar.
Pára o tempo, que para isso não se pode parar:
A parada militar das pardas, mentes, para mim.
Virgulando errado o Virgulino descobre o par.
Da meia cancha o descanso escança o tempo
Tempo de eventos pequenos de guerras de formigas
Abrigas sim! A moradia está a fazer!
Poesia, pesquisa, debate! Jornada, mas dessa vez sem mentira.

Sidney Azevedo
Deixando o silêncio
(Todavia silencioso...)