quinta-feira, 22 de julho de 2010

Despertadores

Sobre como tirar alguém da cama

Havia um cara dormindo. O cara era eu. Para completar a história, é preciso que algo aconteça. E acontece. Toca o telefone. Atende-o minha mãe. (Ao longo de tudo isso continuo dormindo). Após algumas palavras ela vem até o meu quarto, com o telefone na mão e dizendo que há alguém na linha querendo falar comigo. Alguém, assim sem precisão, não. É a moça do banco Itaú, que há algum tempo vem me incomodando com ligações a cada dois dias, nos mais diferenciados horários na esperança vazia de me oferecer linhas de crédito. Eu não quero linhas de crédito, caramba. É preciso todo esse descomunal esforço para me fazer gastar sem necessidade?

Telemarketing é uma desgastante forma de bullying social em prol do consumo.

Não há problema com os operadores. São sujeitos a essa condição, certamente estressante, de receber 400 nãos na cara por semana - se não for mais - sob a pressão de um chefe exigente que exige na cara um sorriso e um ar jovial de felicidade para o potencial cliente. Se é você que lê o meu blogue a pessoa que fica me ligando para saber se tenho interesse em receber linhas de crédito, telefone-me para oferecer um emprego antes. Quem sabe podemos então fazer negócio.

Sidney Azevedo
Raiva
(cinco minutos?)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Velhice e fala (primeira reflexão)

O silêncio já não é arte

Conheço muito bem uma velha preocupação que ronda a cabeça dos jovens humanos que rodopiam na dança incansável de viver. É aquela que estima ser melhor calar-se quando não se tem algo a dizer. Há momento piores em que "algo" vira "muito", e não vou fazer essa observação àquela altura da frase porque dela já me estou distanciando, levado pelos meus ágeis dedos a continuar o raciocínio que deu nascimento a este texto. Eu sei que talvez seja já um discurso repetitivo - e constantemente! Mas eu não sou velho. Já me afirmei desse modo e me arrependo muito. Sou jovem, e percebo, uma vez mais, que é preciso escrever. Escrever para livrar-se da angústia que aquela ontologia mínima que nos leva à criação de mitos na vaga esperança de pôr ordem no mundo. Não pode haver-nos tempo para uma mescla insalubre de saudade e energia.

Sidney Azevedo
Porque essa assinatura?
(Passo a passo...)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Carta de intentos

Aos eventuais leitores,

Este texto (sim, uso esta palavra por não querer dizer que isto é um post) está para o blogue como um termo de compromisso. Sei que não devo ter leitores, mas não custa lembrar da capacidade virtual de mobilização que estas páginas perdidas têm. Então, se os há, quero que cobrem minha presença. Em primeiro lugar, acho que nunca houve uma "cara" para o Antítudo. E quero continue sendo assim porque, uma vez ilimitado, há muito mais espaço para a minha intelectualidade. O silêncio que nele houve nesses últimos meses não foi daqueles calares que eu gostava de provocar e de reconhecer em mim, mas o resultado de uma crise de incertezas sobre a qual espero ir falando aos poucos, em mediações repentinas nos conteúdos que for "postando".

Também quero fazer o leiaute voltar à velha cara. E é provável que leve o dia de amanhã nessa reformulação (ou nem tanto, uma vez que ela é bem mais fácil). E, embora não esteja certo de conseguir cumprir este objetivo, pretendo que o Antítudo volte a ter uma postagem diária, como aquelas entre outubro e dezembro de 2007.

Esta Carta de intentos não vale só para o Antítudo, mas para outros blogues em que também estou envolvido. Para o Mappa Mundo, talvez meu único projeto real de jornalismo, ainda que embriagado de um articulismo de alcance breve - é um espaço de comentário sobre assuntos diversos que permeiam as editorias de mundo de outros países -, deve ter pelo menos três materiais em cada semana. Atualizá-lo-ei às segunda, quarta e sexta-feiras. O Dia Litúrgico, página aberta, mas ainda sem nenhuma produção, é um blogue que criei para discussão de temas relacionados à religião - um dos meus preferidos. Espero atualizá-lo duas vezes por semana, às terça e quinta-feiras.

O quarto blogue de que pretendo dar conta é o Resenhário - também por inaugurar -, que é destinado à publicação de resenhas e leituras de livros e coisas que eu tenha lido durante a semana. Uma vez por semana, aos sábados, está de bom tamanho. É provável que nos primeiros meses a maioria das postagens seja referente a foucaults, bourdieus, feyerabends e coisas do gênero, em virtude de minha monografia.

Assim, temos o seguinte diagrama:

Segunda-feira: Antítudo e Mappa Mundo;
Terça-feira: Antítudo e Dia Litúrgico;
Quarta-feira: Antítudo e Mappa Mundo;
Quinta-feira: Antítudo e Dia Litúrgico;
Sexta-feira: Antítudo e Mappa Mundo;
Sábado: Antítudo e Resenhário;
Domingo: Antítudo.

A postagem dominical deve ser preparada aos poucos, durante a semana (pelo menos espero que seja assim). E, apesar da prioridade do Antítudo, imagino que seus textos deverão ser feitos para uma postagem posterior às dos outros blogues.

Sei que a postura de planejamento indicada por esta carta é estranhíssima, até para mim - que dir-se-á daqueles que me conhecem melhor. Mas, que seja! Ela é necessária no momento atual. E não é preciso discutir metafisicamente isso. Pois quanto mais se pensa menos se faz pensar. Pois a interiorização não permite fazer do pensamento um fermento verdadeiro.

Então, esta carta vale a partir de hoje.

IMPRIMATUR,
19 de julho de 2010.

Sidney Azevedo
Por que nos propomos tantas tarefas?
(Se delas mal damos conta de meia-dúzia?)