terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Como se faz um mestre? - Capítulo 4

Contra hiperteorização

Revisitei hoje um texto que me fez refletir sobre a construção do objeto de pesquisa. O texto é de Vera Veiga França e se chama "O objeto da comunicação/A comunicação como objeto" e é o terceiro de uma série de artigos coordenados por ela, por Antônio Hohlfeldt e Luiz Martino (corrijam-me se houver erros nestes nomes) num livro intitulado "Teorias da Comunicação: Conceitos, Escolas e Tendências". Li-o pela primeira vez ainda quando estudava a disciplina de Teorias da Comunicação, no primeiro ano da faculdade, lá no longínquo 2007. Creio que quase todo estudante de comunicação, se não estudou algo desse livro diretamente, pelo menos leu o texto de alguém que passou os olhos por ele. Então, não será desconhecido daqueles que venham a cair no meu blog por conta do título do livro ou porque estivessem pesquisando referências em teorias da comunicação.

[Eu, particularmente, não sou referência. Estou na luta para elaborar um objeto de pesquisa e, quem sabe, e tomara!, este texto inspire algo para vocês, por mais visceralmente pessoal que ele seja].

A reflexão que me surgiu das linhas de Vera França foi quanto à natureza do processo científico, da produção de conhecimento. Escrevia ela que o conhecimento científico se difere do senso comum por uma razão simples: embora ambos se refiram a situações que nascem da realidade (não, por mais divertido que seja, não discutirei neste texto o que é realidade ou o que é conhecimento), pelo senso comum, a pessoa não tem necessidade de se afastar dessa realidade, ao passo que, pelo conhecimento científico, a pessoa deve, necessariamente, se afastar para compreender a realidade e então retornar a ela. Alguém poderia dizer: "Mas que tem de demais isso?" O que tem de demais é que esse texto defende uma posição equilibrada entre a teorização do objeto e a tautologia retórica do senso comum.

Em situações extremadas, a teorização pode conduzir a um conhecimento sem vinculação com a realidade, enquanto as pesquisas que não desenvolvam seu potencial teórico-crítico podem acabar resultando em versões polidas do senso comum. Essa concepção é importante para mim porque eu tenho uma tendência impertinente a mergulhar na teorização. Sofri, por conta desse fato mesmo, na elaboração de minha monografia. Isso porque, normalmente, o processo se inicia com a escolha de um objeto empírico que se queira investigar. Então se constrói um objeto de pesquisa a partir dele e consequentemente o restante do projeto.

O problema da minha monografia em particular foi ter partido de um objeto que já era de natureza teórica (no caso o conceito de indivíduo como valor), tendo posteriormente encontrado um objeto empírico que a ele se adequasse. Isso matou o trabalho naquela ocasião. Ele teria sido mais completo, sem a presença do objeto empírico. Mas eu temia que a natureza abstrata do objeto levasse o trabalho a não ter nenhuma ligação evidente com a realidade. Ao fim, o monstrengo não tinha ligação efetiva com nada.

A questão que fica agora é, que tipo de objeto eu posso trabalhar. Já tenho consciência de que o ideal é que seja algo visível na "realidade" e que me provoque constantemente. Tenho uma certeza quase absoluta de que será algo relacionado à ciência, ao conhecimento e à academia. Porém, o mestrado mais viável, neste semestre, é o de jornalismo da UFSC. De certeza, dentre os programas que conheço, é aquele que estará aberto este semestre. A menos que outro seja aberto para seleção nestes seis meses, terei de elaborar um projeto para esse curso.

Então, teríamos dois elementos básicos para a formação do objeto de pesquisa: jornalismo e ciência/conhecimento/academia. A relação mais imediata que podemos perceber entre esses jornalismo e ciência diz respeito ao cadernos e seções que configuram o noticiário de ciência e tecnologia (sim, porque no mundo jornalístico essas duas palavras são ainda inseparáveis) ou a necessária participação de acadêmicos como detentores do saber. Já conferi alguns trabalhos que desenvolvem questões acerca dos processos de legitimação do saber científico-tecnológico e da ação do jornalismo nesses processos, mas não me convenceram de fazer o necessário.

Ainda é preciso saber se mais algum curso começa nesse período, mas por enquanto trabalhemos com essa hipótese.
 
Sidney Azevedo
Por hora basta.
(Mas não basta parar!)

sábado, 25 de janeiro de 2014

Como se faz um mestre? - Capítulo 3

Interesses e razões de estudo

Eis que se ergue, soberana, uma dúvida no horizonte: adianta eu definir um curso de pós-graduação sem ter antes definido o objeto que eu quero estudar? Eu já cometi um erro terrível quando de minha monografia que foi não ter elaborado um projeto e eis-me aqui à voltas tentando descobrir qual é o melhor caminho para iniciar um, desta vez para um nível mais elevado, o da pós-graduação. A resposta não é difícil. É preciso saber o que se quer estudar. Se eu não souber, não terei como desenvolver o projeto e qualquer tentativa de adaptar um objeto depois será cercada de sofrimento (sim, porque foi isso que ocorreu comigo quando do tempo da monografia).

O problema é que eu não sei ainda o que quero estudar.

Lembro-me que um dos melhores conselhos quanto à escolha do objeto de pesquisa foi dado pela minha professora de antropologia da faculdade, Maria Elisa Máximo, que também lecionava as disciplinas de pesquisa. Dizia ela que era preciso que o pesquisador tenha tesão pelo objeto de estudo. É, a palavra era essa mesmo: tesão. É forte, mas é o mais preciso que já ouvi. Muitos colegas meus realizaram grandes trabalhos de pesquisa nem tanto por terem o melhor ferramental teórico em mãos, mas sim porque tinham uma motivação toda especial sobre aquilo que pesquisavam. E muitos dos mestres e doutores que conheci eram pessoas que eram efetivamente apaixonados pelas questões que trabalhavam. Tudo isso me leva a crer que tal princípio é realmente válido.

Mas, e quanto a mim? Quando eu digo que não sei o que eu quero estudar, em parte é porque nenhum assunto em especial me provoca aquele tesão do qual Elisa falava. Em outras épocas seria mais fácil delimitar a questão a pesquisar. Lembro-me que durante algum tempo a palavra progresso, só de ser dita, já me provocava repulsa. Na ocasião, creio que um trabalho sobre a presença de tal conceito no nosso cotidiano teria sido facilmente elaborado. Muitas das leituras que vim a fazer depois me ajudaram a esclarecer ou confirmar minhas reflexões sobre tal conceito. Hoje, pois, já não é tão fundamental responder a essa questão (embora espíritos críticos não devam jamais se acomodar com uma definição). Ou seja, aquele tesão que eu tinha por tal discussão já não existe.

Porém, afigura-se-me uma possibilidade real de objeto. É verdade que tal discussão me animou muito, em especial na fase final da faculdade e foi o impulso principal para a definição do objeto que pesquisei na monografia, embora não tenham uma relação imediata visível entre si: são as questões que nascem da compreensão que temos da ciência e do que torna algo científico. Em verdade, talvez as discussões sobre ciência sejam para mim o aprofundamento dos problemas da noção de progresso. Uma situação em que a ponta do iceberg já era quente demais, impelindo um homem acalorado pelo conhecimento a buscar espaço mais frio na parte submersa do monstro de gelo.

Ciência e epistemologia foram dois pontos de energia que encontrei naquela fase. E são-me questões candentes ainda! Tanto que ontem, enquanto eu revisitava um texto chamado A Vontade de Saber (transcrição de uma aula de Michel Foucault - coisa breve, não mais de oito páginas...), tornou-se-me clara a necessidade de pensar sobre a representatividade da ciência atualmente. À medida que o autor perguntava qual a motivação do conhecimento (por vezes explicada por uma propensão natural do ser humano ao conhecimento...), pensava eu nas inúmeras e complexas relações que nascem do discurso do conhecimento com a produção de conhecimento em si e com a própria concepção de conhecimento (que já carrega consigo assaz controvérsia).

Teria muito que desenvolver. Muito por ler e estudar. Mas me parece, felizmente, já não ser tão impossível articular um objeto no atual momento. Lembrava-me que ontem, também, refletia sobre a possibilidade de utilizar, como objeto empírico de estudo, as monografias já realizadas na faculdade, como, talvez, meio para pensar os parâmetros de produção do conhecimento num curso de jornalismo de mais de dez anos. Já de antemão podemos perguntar que são parâmetros, que é produção de conhecimento, dentre outras reflexões possíveis... Enfim. Uma vez concatenadas tais questões poderemos, enfim, formular um projeto decente.
 
Sidney Azevedo
Gestação
(Melhorando).

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Como se faz um mestre? - Capítulo 2

Não adianta muito criar um projeto sem ter decidido antes um curso para o qual adequar esse projeto. Tendo isso em vista, visitei hoje o site da UFSC para conhecer os programas de pós-graduação e elencar aqueles que podem ser mais indicados aos meus conhecimentos. A página central do Propg divide os cursos em esferas como ciências agrárias, biológicas, exatas etc. Essas três já posso, de antemão, descartar para os meus objetivos. Também descarto, desde já, os mestrados abrigados sob os títulos de engenharias e ciências da saúde. Os que ficam são os cursos das áreas de ciências humanas e sociais aplicadas, letras ou ciência linguística e, é claro, o campo interdisciplinar das ciências humanas.

Dentre as opções de ciências humanas, penso que em todas eu poderia arriscar um projeto, sendo que em algumas meu conhecimento seja, entretanto, deveras escasso. São elas, indo das mais para as menos possíveis:

Sociologia Política (muito do que estudei nas disciplinas da faculdade de jornalismo é diretamente relacionado ao objeto deste curso e não seria difícil elaborar um projeto dentro desta área; o porém?, trata-se de um mestrado extremamente concorrido)
Antropologia Social (tive disciplina na faculdade e me considero relativamente familiarizado com seus temas e autores principais, mas talvez meu conhecimento na área seja breve demais para tal aventura);
Filosofia (sinto-me extremamente familiarizado com a disciplina e com alguns filósofos, sei que muitos dos meus colegas e professores entenderiam minha presença em tal curso, mas o porém aqui é eu não conhecer o modos operandi da filosofia acadêmica, o que me leva, consequentemente, a não saber que objeto poderia tratar aqui...,);
Educação (o tema de minha monografia gravitou em torno de questões relativas ao ensino superior e posso dizer que também tenho alguma aproximação com livros e autores que poderiam me levar a um melhor aprofundamento na área, mas temo ser um campo no qual eu acabe me aventurando sendo virgem demais);
História (aqui está algo que muito me interessa! Sim, considero empolgante, mas levanto a mesma questão quanto à falta de aprofundamento na operação da área que apontei em antropologia e educação);
Geografia (eis outra coisa que muito me empolga, e levanto a mesma objeção anteriormente feita, embora já tenha pensado em questões importantes sobre geografia do conhecimento e geografia da comunicação - sem, entretanto, pesquisar algo, efetivamente); e
Psicologia (estudei psicologia social na faculdade, mas para esta disciplina me considero muito mal preparado - não, Márcia, não pense que suas aulas não me valeram, pois foram das mais valiosas que tive, o que me preocupa é o fato de não conhecer outras áreas da psicologia que não a social).

Do grupo letras/ linguística, devo destacar três:

Mestrado Profissional em Letras (para ser um escritor profissional? É isso? Meu, deve ser mutcho loco!).
Linguística (acho bacanas as discussões que nascem do estudo da linguística - mas creio que Saussure e Peirce e sua semiótica se resumem a um cantinho de um universo em expansão);
Literatura (eu gosto e acho empolgante o mundo da literatura, mas tenho a breve impressão de que estudá-la deve ser, peço perdão pela expressão, um pé no saco); e

Das sociais aplicadas, três devem ser ressaltadas:

Jornalismo (por razões evidentes...);
Relações internacionais (ainda não me esqueci de quando me disseram que eu talvez pudesse ser um bom diplomata - talvez não seja verdade, mas...); e
Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade (porque me pareceu bacana).

Desta primeira e breve análise, percebo já um problema: estou levando em conta minhas percepções pessoais antes de reunir informação efetiva sobre os cursos. Não devo tomar isso de forma cabal. Também me pergunto se seria efetivamente ruim entrar sabendo pouca coisa (afinal, o conhecimento há de ser construído). Pois, devo também ter em vista que muito da base que necessitarei para realizar a caminhada no curso será formado durante a construção do projeto. Então, creio que não deva derrubar uma possível escolha pelo simples fato de não ter um cabedal já formado (por mais que um conhecimento reunido facilitasse a produção do projeto, poderia talvez até engessá-lo. Então, enquanto não se inicia tal cabedal, tatear pode ser um acréscimo).

Amanhã, detalharei mais desses cursos de modo a estar apto para decidir por um deles.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Como se faz um mestre?

Este é um começo!

Eu me propus, neste domingo, a realizar um "brainstorm" contínuo. Sim, é uma palavra em inglês. E sim, é o Sidney que está escrevendo. Uso esta palavra porque não me recordo de nenhuma palavra em português que tenha conotação semelhante. A tradução imediata de "brain" é "cérebro". A de "storm" é "tempestade".

- Queres provocar uma tempestade cerebral contínua em ti mesmo? Não será isso perigoso?

Não. E explico: usa-se "brain" de modo figurado. Uma "tempestade de ideias" é uma tradução mais adequada do termo importado. E os falantes de português se apropriaram desta palavra de um modo muito particular: "brainstorm" nomeia já as reuniões realizadas para provocar tais tempestades. Acontece que eu aqui estou só. Não tenho com quem me reunir. Mas ainda trago uma imprecisa certeza de que posso realizar uma tempestade. Nem que seja só uma de ideias - que já é, sem dúvida, tempestade o bastante.

- E para que um "brainstorm"?

A finalidade é simples: construir um projeto de pesquisa de mestrado até o fim de fevereiro ou, pelo menos, um esboço que me permita chegar ao fim do semestre com um projeto pronto. E entendo que, para levar isso adiante, é preciso organizar alguns passos, sempre tendo em vista os limites que um projeto impõe (sim, porque tudo o que aprendi sobre projetos é que eles são uma redução de expectativas - e, consequentemente, lições de humildade - que nos dão a possibilidade de uma surpresa com o resultado final).

Então, proponho-me o seguinte (e também àqueles que eventualmente me leiam e que também desejem fazer um tal projeto, mas sempre lembrando que isto não é receita certa de sucesso):

- Levantar os cursos de mestrado disponíveis nas duas instituições mais próximas, a UFSC e a UFPR.
- Decidir por um dos mestrados levantados e reunir informações sobre ele.
- Recolher interesses, ideias, leituras já realizadas e DEFINIR (primeira redução) o tema e o objeto de pesquisa.
- A partir de então começar a devorar artigos e livros que auxiliem na definição do objeto.

Bem, este é um começo!
 
Sidney Azevedo
Recomeçando!
(Reboot)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Festas

Festas

É uma das coisas que mais me marcam nessa proximidade do Natal, do aniversário e do ano-novo. Pessoas se esvaem desesperadas da cidade fugindo da raiva contida de seus trabalhos e a resignação dos que ficam - seja lá qual for o motivo da permanência a torna calada e bela, porque então se ouve a Criação falando, e falando cada vez mais alto. Florescem as primeiras damas-da-noite, aguaceiros surgem do nada, ora intermitentes ora renitentes, biguás migram, os sabiás afinam suas últimas notas antes de janeiro, as formigas não permitem deixar sobras e os sombreiros revelam grande utilidade. E há ainda a certeza de que o quer que tenha se passado nos onze meses restantes cede lugar para novos acontecimentos.

PS: Esta aqui eu escrevi no Facebook em 16 de dezembro, como comentário a uma postagem que fiz referente a um texto que eu publiquei aqui sobre damas-da-noite.

Sidney Azevedo
Comentário
(Sim, pode)

Das dores súbitas que surgem

Uma cratera nos sentimentos

Eu passei parte da minha vida estranhando o fato de que muitos conhecidos meus não conseguiam viver sem ter alguém por perto. Alguém, digo, com quem se compartisse um relacionamento amoroso. Hoje, todavia, eu entendo os lamentos de parte deles. Ainda não acredito que sou capaz de ter escrito essa última frase com sinceridade... Sim, estou sendo sincero. Passaram-se já dois meses desde que rompi com Deyse e eu começo a sentir falta de uma companhia mais íntima. Eu pensava que as coisas fossem diferentes, isto é, que tal falta fosse forte quando ainda recente o rompimento, acompanhada das boas lembranças do relacionamento, e que se fosse atenuando com o passar do tempo, com o crescimento de uma falta que não fosse atrelada à memória específica do que foi vivido, mas talvez à memória fugaz do quão bom é poder dividir alegrias e angústias, certezas e dúvidas, saberes e ignorâncias com outra pessoa. E que, ao fim, não houvesse mais sentimento de falta algum até que novo ciclo iniciasse. A lógica me fazia entender assim. Porém...

Tal teoria não perdeu totalmente o seu sentido. Eu senti profundamente no primeiro mês. Havia um processo que é nítido para mim agora. Recordava eu dos beijos, dos passeios, das intenções, das lutas, das esperas, era o momento terno. Seguia-se uma angústia que nascia do pensamento de não mais poder ter momentos similares. Era o momento triste. E vinha então uma calma, aberta pela razão que dizia: "Acalma-te, guarda as lembranças, esquece a tristeza, lembra-te que há o que percorrer". Era o momento de serenidade.

No segundo mês, já não me eram tão profundas as reflexões sobre esse relacionamento - não que eu não refletisse sobre ele (como ainda faço) mas já não me ocupava tanto o pensamento como no primeiro mês. Eram, porém, reflexões leves e doces. De alguns dias para cá, porém, meus sentimentos me parecem desarranjados. Digo isso porque parece que neles se abriu uma cratera. A tal ponto que precisei escrever para entender o que está acontecendo. Sim, eu não entendo. Perdoem-me os eventuais leitores do blog por abrir assim meu coração, mas precisei fazer isso. Tem doído deveras em mim não apenas porque me falte ter alguém, mas porque eu, hoje, tenho poucos amigos - quiçá seja por isso mesmo que eu tenha de publicar estas palavras... Mesmo os mais caros conhecidos estão hoje longe, tanto na distância quanto na coragem que eu deveria ter para chamar os que estão perto.

Se vocês sabem o que é isso, me expliquem, preciso saber. Se já viveram algo assim, me contem como superaram, se superaram. Se for só comigo, talvez eu precise de um psicólogo, então peço sugestões acessíveis financeiramente.

Sidney Azevedo
Uma crise incomum
(Como assim?)