segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Sobre solidão

Pondo o tema no papel

O tema do dia é solidão.
 
Vem de uma conversa que tive hoje no Skype.
 
Sendo bem rápido, solidão é um porre.
Em especial quando se vive perto de gente que não a vive.
 
E quando digo solidão, não me refiro apenas à específica situação de estar solteiro. Isso é uma simplificação errônea, diria até que ingênua. Para mim solidão é aquela sensação de que não há ninguém a seu redor a quem possa confiar suas maiores dúvidas. Aquelas existenciais, não aquelas que se assemelhem à sobre efetuar o pagamento da conta de telefone.
 
Aparentemente, sinto-a mais que meus colegas. Talvez eu esteja enganado. Mas é que as dúvidas existenciais se me afiguram frequentemente. E em geral acabo caindo numa situação de não as conseguir responder. Por quê? Porque eu não divido minhas dúvidas, querendo responde-las sozinho. Talvez eu as respondesse com mais facilidade se juntasse uma roda de amigos e conhecidos e lhes perguntasse: "Que para vós é a vida?"
 
Seria um começo. Mas não me vejo com a desfaçatez necessária para tal coisa.
 
Desfaçatez. Talvez seja um substantivo exagerado a quem ler este texto. E eu mesmo o vejo assim. Mas minha timidez é mais ágil quando se trata de não deixar a pergunta vir ao exterior. E eu tenho de a responder por mim mesmo. Mas sou pequeno demais para responder tais coisas.
 
E às dúvidas da existência se juntam as da minha vida, as particulares, não resolvidas simplesmente como as das questões práticas. "Por que tudo em mim é tão tardio?"
 
"O ser é e o não-ser não é." Dizia um texto que eu li hoje. Letras depois vinha o seguinte: "Devir". Significava que o devir é o que há.
 
E os conceitos se somam e não tenho tempo de tudo resolver. E aí a solidão fica grande demais. Com quem dividir essas coisas? Há com quem o fazer?
 
E aí eu acho o papel.
 
(Para ser mais preciso, a possibilidade de uma postagem neste velho blog).
 
Papel, amo-te.

Sidney Azevedo
(E escrevendo quando já é mais 1h).