quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Um teste à guisa de poema

Há não, não há?

Há dias.
Há um fantasma.
Disque.
Pulso não há.

Por que é preciso pulso?
Por que é preciso domínio?
Por que é preciso se impor?

Impor-se? Que raios é isso?
Não o sei.
Sei que valorizam.

Valorizando, parecem gostar de um mundo espremido.
Eu não gosto.
Gosto de espaço, de folga, de pensar.

Não sei responder às provocações que me fazem.
Não sei ser criativo.
Não sei nada.

Há cinco nãos no texto acima.
Nãos frouxos, parecem.
Não vos parecem frouxos?
Ou para vós o não é sinal de firmeza?

Mas, que tal aquele não dito entre dentes?
Pensado, tão somente.
Perdido entre as sinapses e o dizer.
E encontrado transformado em raiva, instantes depois.

O não é pouco, todavia.
Olhem como há pouco pulso nisso tudo.
Pouca resposta.
E, pior, poucas perguntas.

Dói.

Sidney Azevedo
Confusões
(Alertas?)