sábado, 7 de março de 2015

Sobre insegurança

Verme

Há um verme no interior de cada alma.
Rói aquela confiança duramente conquistada
Ao lembrar, tão-só, que tudo pode ruir.

Ah, verme maldito. Por que agora?

Já há tempo me julgava livre de ti!
Quando mais seguro me sentia
Reapareces com esse risinho fodido.

É tão simples pisar-te!

Pisar-te! Esmagar-te! Destruir-te!
Porque ao redor tudo já parece tranquilo.
Cá dentro, porém, tu ainda me atormentas.

Grande filho da puta!

Quando se abre o teu sarcasmo, irritas-me.
Tu o sabes. Isso sabes. Sabes bem...
E sabes que minha raiva é controlada.

Não o é. Aparenta, desgraçado!

Vá-te, infeliz! Não se vive de insegurança.

Sidney Azevedo
Alegre e amado
(Descobrindo-se)

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