quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

As contas aguardam ser pagas pela consciência

Pagador inconteste
- Joelhos lacerados pela vontade de fugir à dor...
- Será tão sujo o solo do ensimesmar após permitir a fuga à promessa ante outrem?
- Àqueles que têm sob um altruísmo ao invisível sua vivência, sim.
- Mas tão chã torna-se essa entrega...
- Não há entrega. Há confiança em si.
- Há tu tão seco em palavras ao ver cena tão deprimente...
- Não hei seco em palavras. Hei-me em voto de silêncio.
- E porque, então, falas?
- Falar a alguém quando se vê o encontro do homem consigo mesmo na comunhão das coisas, calar-se é.
- É por isso que não desvias a cabeça?
- Tente fazê-lo.
- Não consigo, olho há meia hora, e sofrimento é tudo o que vejo.
- Olhaste, pelo que disseste.
- Sim.
- Não se olha. Impeça a razão de à frente tua vedar o inesperado.
- Sumir-me-ei!
- Não me ouves?
- Passo a inexistir em meio a tudo isto?
- ÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔ!
- Não me ouvis
- Silencia-te, e torna-te solícito, rapaz impaciente, que deixarás de o evidente procurar.
- Arre!
Sidney Azevedo
Promessas e rotundas a desfiar o novelo
(Cromo envolve uma terrinha de Fátima...)

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