Erro crasso
É num quarto escuro que ascendo à minha vida das noites eternas de uma regrada rotina de pouco à frente olhar. Na verdade, nem sei se escuro é, pois nunca lhes vi às paredes... Mas um abraço penumbroso sinto, um que afirma ter algo em minha infância nunca resoluto e que solvido talvez nunca venha a ser. O erro da minha teimosia é ter crido que ela seria, ela própria!, capaz de mudar-se e deixar-me apreender as coisas. Mas sou o mesmo... Aquele das possibilidades, o que não chegou a alguma coisa porque esperava coisa alguma vir a si e nela tornar-se. A minha infância não passou e, no entanto, sou já velho em modos, e meus próximos notaram isso. E um velho rabugento, virgem no amor e no trabalho, e ainda mais no sentimento, porque amargura é a saudade de um sentimento que nunca se teve. Sou o candeeiro aceso que emborcou sobre si o vaso por um misto de preguiça, comodidade, vergonha, covardia e a crença firme, qual estaca fina de madeira a sustentar o muro, de que isso seria melhor. Só na hora. Mas eu não tenho amanhã. A chama permanece. Nada alumia. É uma chama aluna, por excelência. E que apaga na tristeza a escuridão dos outros.
Sidney Azevedo
Velhice, juventude e infância não-resolvidas.
(princípio de um projeto pedagógico...).
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