Conjunto vazio
Nunca imaginei que uma escolha errada pudesse me atrasar tanto. E pelo visto, vai me fazer regressar. O maior erro que cometi em minha vida foi iniciar a faculdade de jornalismo. Não, minto... O meu maior erro foi não ter saído dela já no primeiro ano. Deixei as coisas acontecerem certo de que as coisas aconteceriam sempre para melhor e que, todavia, um curso superior sempre é uma vantagem...
Todavia, é, desde que não seja Comunicação Social nas mãos de alguém cuja maior parte da vida tratou de ser antissocial.
Eu permaneço sendo aquele-que-viria-a-ser, o superdotado, aquele com quem não era necessário preocupar-se porque os caminhos se abririam a ele sem esforço. Mas vejo que o tempo das nobrezas e dos escolhidos só existem nas folhas dos livros de história e nas lendas de tribos anciãs. E não me há quem dirima esse maldito erro, porque sou orgulhoso demais para descer ao curso técnico e distante demais para tentar algo nas exatas. Sinceramente, o meu interesse pela comunicação se esvai a cada minuto que passa.
E a minha dor é maior a cada hora ao ver que isso não afeta só a mim, mas a todos os que me estão próximos. Porque me veem definhar. Definhar. A palavra é essa mesma, há uma âncora no fundeadouro que impede que minha nau siga. E ela está atada à nave por uma corda de aço num momento em que não tenho facas com fio o bastante para cortá-la nem força para desfazer o nó.
Queria poder saber o que fazer nessa hora tão perdida. Desses tempos de não ter vontade, dos quais já me devia ter livrado. Tudo por ser teimoso. Podia ter largado o compromisso na hora em que havia lucrado algo com ele e partir para outra, mas eu nunca tive vontade de ferir o meu orgulho de que tinha capacidade para fazer qualquer coisa.
Não definho por gosto. Antes por falta de vontade vontade de mudar. E logo eu que a tantos já mostrei outros caminhos! Por que eu não me posso salvar?
Maldito momento.
Sidney Azevedo
Vazio
(Zero)
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