terça-feira, 26 de novembro de 2013

Poesia? - II

Onipresença

Sinto que devo algo...
Sim, devo ainda!
Senão em rima, como outrora,
sem pretensões métricas agora
quero deixar a letra correr.

Virar a noite contemplando
a grande árvore da vida,
a beleza holística da obra completa!
Seria repleto de maravilhas o amanhecer.

Seria. Não o foi.
É ainda nos pensares
que revivem tais belezas.
E a cada minuto,
em que o arrepender-se de não ter sido
fica evidente novamente no ser,
todos os tempos o tempo todo
resolvem se juntar
e tornar o hoje
uma vontade do ido
no caminhar para a manhã seguinte.

Os passeios imaginados,
os aprendizados planejados,
umas cartas enviadas,
os desenhos rascunhados,
tudo revive.

Dói-me responder
quando a bicicleta me pergunta:
"Quando comigo vens andar?":
"Não sei...". Não tenho ainda resposta.
 
Sidney Azevedo
O que é devido?
(Não posso revelar).

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