quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Chuva e coisarada.

A constante guerra de guarda-chuvas.

Como joinvilense, deveria a tal descrição estar acostumado, mas não consigo está-lo, pois algo de muito intrigante e misterioso há aí:
- Coisarada!, a chuva - precipitação de hidrometeoros para íntimos como o professor Mário de biologia - encheu a rua... O Cachoeira até transbordou!, pois é, amigo, tá melhor andá de canoa que rende mais. Por caus'que a água tá alta. É...
Não há nada anormal. Um carrinho de bebê boiando na água não seria muito (a não ser que houvesse ocupante). Mas tenho cá comigo que isso ainda não esclarece a situação.
- Não, não não, meu senhor, isso é sapo que tá enterrado.
Nossa, essa foi o máximo, mas logo percebi que tinha a ver com o JEC, alguns dias antes deste empate com o Criciúma.
Não, saí do ônibus, não ia ouvir coisa muito melhor. Mas vi um lindo desfile de guarda-chuvas, de todos os géneros, cara tuga, que trazia um carácter inexplicável à cidade. Não tardou a vim a meus ouvidos:
- O meu é maior que o teu!
- Não é!
- É sim!
- Não é, só se contar c'o cabo!
- Não, tem que sê ele todo.
- Não é não, o guarda-chuva pode ser só os ferro e o pano.
- Tem nada.
E se foram, os garotos e sua mãe tentando apaziguar. Digo aliás mãe por preconceito, pois bem podia ser empregada, sendo os meninos morenos e ela branca. Peço desculpas por este erro lamentável.
Mas continuava: quem não tinha sua proteção era jogado para fora da cobertura oferecida pelo prédio porque há um idiota vindo por ela com um guarda-chuva na mão. Tudo bem, era o prédio do Sudameris (é-o ainda?). Mas me perguntei se não poderia ocorrer em outro lugar qualquer. Bom, é o de menos. E o resfriado amplia as garras. Anda-se mais um tanto e..., e..., e nada! Cessam os movimentos. Nem para protestar contra a chuva ou para simplesmente enfrentá-la se sai.
- Vá lá reclamar com São Pedro, então!
- Eu quero mais minha cama...
Eu sei, eu também quero!, mas não com um pensamento corrosivo de inconformidade. Há sim!, há algo de estranho, muito, muito estranho em Joinville. E não é São Pedro, é que o oeste era a direção, mas uma gente mais teimosa quis ficar no primeiro terreno que viu, por medo do índio desconhecido.

Sidney Marlon de Sousa Azevedo
Um novo nome para uma nova cidade
(É...?)

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