sábado, 19 de janeiro de 2008

Só se está, ou no-lo estamos?

A retirar um pó
Foto: Antítudo


Há esboços que sempre detestam estar com cores e sombras.Há também traços que aulicamente se arrulham em contendas leves, mas se odeiam profundamente. São os meus. E ainda hoje me veio o lápis a traçar uma mais grossa sobrancelha, refazer um nariz que deveras pequeno pareceu-me, uma curva d'estrada que não tem apóstrofo. Mas não querem tais miseráveis. Olham-me em tom súplice e desisto, pois o texto me não saiu belo, e seu fim, aliás, não mais era pedir que vissem mais atentamente a fotografia. E, é claro, que lessem o poema:

O de fora
_
Não estás dentro.
Mesmo que tenhas p’ra ti o mar
e as estradas ímpias e pias todas
dentro não estás!
_
Mas que és senão o de fora?
Aí hás de ficar sem lastimar
a imensa coisa que tens:
o Infinito.
_
Pois fim não pode ter
essa possibilidade de construir
algo: e eis que tudo tens aí fora.
Vives feliz, mas te lastimas
por não estar cá conosco
a nada fazer.
Sidney Azevedo
Fora da ordem que convém às coisas...
(Como se houvesse azo para tê-la...)

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