Perder o universal
Perdi um texto. Um grande texto. Um a mudar o mundo. Grande merda és computador. Grande idiota eu. Como poderá a trama da ficção ir ao mundo? Deveria tê-la feito como todos os grandes. Tomado a ti caneta, ou a ti pena, ou à máquina de escrever – que nem mais está aqui –, tomado um papel e um pouco de tinta não difícil de se encontrar, qualquer coisa cujo registro pudesse não se perder, mas reneguei-vos. Tomei a via dos vagabundos e agora entendo que o universal se perdeu em mim.
Ó, rapaz, não te aflijas. Sabes bem tua idéia, e cá estamos a aguardar-te. Tivestes foi é pressa em tuas decisões. O Tempo, e tu mesmo ias a escrevê-lo, é uma trama de ficção. Eu, cá ao canto, como escrita, posso ser uma ficção do passado distante – diz-me a pena. Contigo concordo, não sei que dirá o lápis, a borracha ou a tinta, que pode ser o Tempo senão uma construção em função de uma idéia miraculosa de Progresso, Evolução e Acúmulo. Ficções, aliás, outras. Sei sim, eu li-te.
Ficções que servem umas às outras, no enlevo meramente perspiciente da necessidade de uma atitude religiosa que não há no conhecimento humano para sua plenitude – a do ideário geral. Não, amigos, não desistirei. Sei que cá estou pronto. Dono de uma verdade que só eu pareço saber. Mas acho-me insuficiente para ela. Serei só mais um perdido em seu quarto querendo ser dono de algo, de uma verdade reconhecida? Se for só isso, eu mesmo sou uma trama de ficções.
Ó, rapaz, não te aflijas. Sabes bem tua idéia, e cá estamos a aguardar-te. Tivestes foi é pressa em tuas decisões. O Tempo, e tu mesmo ias a escrevê-lo, é uma trama de ficção. Eu, cá ao canto, como escrita, posso ser uma ficção do passado distante – diz-me a pena. Contigo concordo, não sei que dirá o lápis, a borracha ou a tinta, que pode ser o Tempo senão uma construção em função de uma idéia miraculosa de Progresso, Evolução e Acúmulo. Ficções, aliás, outras. Sei sim, eu li-te.
Ficções que servem umas às outras, no enlevo meramente perspiciente da necessidade de uma atitude religiosa que não há no conhecimento humano para sua plenitude – a do ideário geral. Não, amigos, não desistirei. Sei que cá estou pronto. Dono de uma verdade que só eu pareço saber. Mas acho-me insuficiente para ela. Serei só mais um perdido em seu quarto querendo ser dono de algo, de uma verdade reconhecida? Se for só isso, eu mesmo sou uma trama de ficções.
Sidney Azevedo
Falso filósofo
(ou tentativa de...)
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