quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Filosofia poética?

Filosofia dos versos quebrados
O mundo fechar-se a si mesmo:
Sonho inatingível do pensar.
Uma ilha perdida a um
grande oceano negro em viajar.
Sonha-se poder um dia dominá-la.
A ilha? Não, não é ao que me
refiro. É à pensar. Ides à pensar!
Todos vós ides. Sempre quereis
a mesma coisa e teimo em vos não
contar pois já sabeis o que que-
reis. E também sou eu a querê-
la. Esta querela quimérica: a u-
niversalidade. Musa poderosa, so-
nho ideal. Sonho e idéia são
a mesma coisa. Idéia minha que-
brar um texto qualquer, poesia o
tornar, a retornar do formato
prosa. Pois um não mais é que
a outra. Eis o mundo que do-
mino. Todos dominâmo-lo. Pura
linguagem que faz um mundo. Não
será o mundo a fazê-la? Pensar!
Pensar querendo o todo e não conse-
gui-lo, porque o mundo não é a poesia.
A poesia contém um mundo.
Um mundo dentro de outro.
E domínio não é mais que um afirmar e um não o desdizer.
Sidney Azevedo
Poeta do pensar
(Ah!, que pretensão...)

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