Mar sem águas
Não há gosto ao meu nariz. Não há pr'ele cheiro algum. No prelo dos ares, cego de impressões vive. Entre imundices, necrofilias, catingas e boduns quaisquer, vive sem lhe haver o peso do ar de um conhecimento e uma felicidade obrigatórios e imperativos ao resto dos homens.
"Isto de o tanto usar para sumir o mundo é. A tudo te fazes aspirador! Tomas as graças de todos os símbolos e signos que t'ofertam... De que reclamas, se podes negar-se a esse sensacionalismo e ser como nós, altos, magnânimos e superiores, ao invés de te rastejar com tua gente pelas sarjetas?"
O que há? Não agüentai essa denúncia? Pesa-vos lembrar que não podeis tão-só deixar-se a ser tristes e confessar-se da própria ignorância. É preciso que tornai preciosa uma música que o não é só para esta voz gravemente aguda ser silenciada? Parvos! O que não tendes é lá: falta-vos a lã do elã envolvente da memória. Falta-vos preparo para a perda! Falta-vos a derrota!
______________________________"E não posso entrar por que, ham?
Shh...
Só por não ter sapatinhos?
Shh."
Sidney Azevedo
Angloenigma
(sapatinhos, vá à rama qui paris te...)
1 comentário:
Só passando para fazer uma visita.
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