quinta-feira, 4 de junho de 2009

Exemplo de como não fazer poesia?

Para não dizer que não falei de moedas

Uma moeda ao pé me caiu,
um pedaço de metal sórdido,
já por tudo andado,
em andrajosos relevos
que não lhe esquentam as costas,
sujas de terra.

Parou rolando, sim,
rolando ainda,
sob o imponente prédio do antigo hotel
cujo nome nunca soube.

Também pode ser que nunca tenha sido um hotel.
Não, não veio de lá,
até porque, quando a vi,
era já parada no chão,
e que me tenha caído próximo
é efeito de imaginação posterior.
Pois o agradável só me seria vir o dinheiro
e não tê-lo de por aí catar às custas do esforço de inclinação.

Sidney Azevedo
Um texto exemplar
(exemplar tem mais de um sentido...)

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