sábado, 4 de julho de 2009

Título direto: Má argumentação

A erudição de mim se desprende. É uma pele arrancada que não me doerá mais. Uma pele que já não mais pedirá sangue. Até porque o sangue, o meu sangue, já não agüenta mais mentir.

Uma síndrome de imbecilidade apossa-se-me. É o fim da gloriosa mente. Em névoa caio por incompetência de não saber a hora de agir. Esfumaço-me e descubro que estado de graça é o não-saber. A inconsciência é a virtude-mor dessa hora morta.

De que vale o imperativo categórico de agir na esperança de uma coerência universal inexistente? Primeiro: esperança é um estado permanente de espera. Os atos dos outros dependem de valores que lhes sejam próprios, os quais nem mesmo a maior capacidade de previsão será capaz de mapear completamente. Segundo: mesmo que tal mapa fosse traçável, continua a não nos ser forçoso agir de modo determinado.

Anos e horas de estudo para num ponto deste ver-se idiota, ver-se ridículo. Só por isso mesmo: "ver-se". Bem como o imperativo kantiano: vê se faz aquilo que espera nos outros ver em ato para ti. Ver. Ver não é boa regra. Nunca foi. Pena que só agora me dou conta disso.


Sidney Azevedo
Minhas argumentações seguem cada vez mais pífias.

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