Procura-se Santo Antônio
É estranha a linguagem do bicho. Talvez por ser marginalizada. O bicho está na mata, mas às vezes aparece na nossa casa. O tigre está com uma arara na boca! A tigresa tem muito além de um milhão delas. Sim, aquela que anda na Zona Industrial…
- Dez reais no zero vinte e dois!, porra!, lá!
A virgulação mais indicada para esta frase não é, com certeza, esta! A gramática do êxtase é algo de bastante inflexível para que uma língua qualquer a possa abranger. Mas me pôs intrigado…
Talvez, noutra interpretação, não seja o felino com a ave aos caninos, mas a apurada família real de Araque, em visita à cidade. Viram um séquito de nove pessoas a acompanhar o rei, e viram logo o cumprimentar. Mas não… parece-me pouco provável. Os araquianos não gostam muito de sair de sua terra, nem de ter relações com povos estranhos…
Mas há uma terceira.
Sumiu Santo Antônio!… Sim, sumiu!… Quem entrar à Catedral São Francisco Xavier pela rua do Príncipe (e que, obviamente, faça-o com alguma regularidade…) há-de perceber que o espaço reservado ao santo está vazio. E por quê? Bem, creio que aí a frase nos ajuda… Um grupo de monarquistas tomou as imagens das igrejas e catedrais para retomar o poder perdido por seu glorioso trisavô, a quem chamamos D. Pedro II, através do voto (ou veto…) democrático das desesperadas moças solteiras que sonham encontrar seus maridos em breve tempo. E o zero vinte e dois? É um número simbólico, próximo 22/10 começará o golpe de Estado (é aniversário do marquês de Querala, antiga colônia ultramarina portuguesa sob comando inglês desde um tratado de monopolização do algodão que não sei a quem beneficiou…).
É muita conspiração. Pobre bicheiro ao dizer aquilo, mal sabe que minha imaginação poderia distar tanto. Mas isto foi só para dizer uma coisa, nada há que impeça uma longa e animada teoria. Uma frase aparentemente maluca e explicação para ela ainda mais doida compõem um mundo novo. Occam e sua maldita tesoura, entretanto, mandariam-ma jogar fora. Um disperdício de imaginação. Mas que é útil pela crença na utopia.
E o grande Barbo, filósofo de Araque…, bem, este foi jogar no bicho. Não ganhou que eu saiba. Foi decapitado pelo jacaré…
Sidney Azevedo
Criação de textos inúteis aqui...
(Re-criação de interpretações também)
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