Seres desnecessários
Há, e em muitos cantos, que vejo um ser estático, que parece conseguir entrar no intelecto e perturbar o silêncio reinante que normalmente mantém. Esse ser, cujo nome é incerto, exige dedicação total a tarefas que são fúteis.
Impede-me de escrever aquele texto sobre a sisudez nos ônibus, aquele outro sobre o infeste das baratas e aquele terceiro sobre as paragens de Araque.
Ocorre que já me parou quando fiz parar Kant e Hegel que não se conseguiam entender e logo voltaram a brigar, dando-me mais dores de cabeça. Ele me pára a toda hora, e sem necessidade alguma!…
Se passar à estrada alguma bela moça, perco-a. E por quê?… Alguns de meus mais velhos e considerados camaradas dedicam seu tempo ao melhoramento dessa coisa. Ele me faz passar o tempo, ser asqueroso… Já não consigo nem ter bons jogos de palavras diante dele, e como isto assola… É torturante… Tudo sob a égide da objetividade. Tornar as coisas rápidas Entretanto, minha avó não alterou sua rotina por causa dele. Continua em seu mesmo passo de alguém que só o ignora.
Maldito computador, só me corrói a criatividade, o tempo e a existência. A única defesa que ouço contra a condenação desta merda é a de que é útil. Pois não é, antes dele, ninguém o necessitou, entretanto, nasce já na casa de um. Os meninos de meu tempo falavam sobre videogueimes, os de hoje façam sobre placas-mãe, terabites, jogos que rodam ou não em que configuração, e assim por diante…
O navio já chegou aos limites da terra. Sim, daquela que existia antes de Copérnico. Despenca com a correnteza. Água há muita, e a humanidade a afogar-se…
André: olha só aqueles guris…
Mohandas: fraco!, devem tá na quinta série!…
Renato: se amassam melhor que na Malhação…
Mohandas: mas Malhação é falsidade total, os caras nem sabem interpretar…
Sidney: sabem o que eu acho…
André: o quê, da Malhação?…
Renato: eu acho que o Sidão nem vê tevê…
Sidney: acho que ficamos velhos antes do tempo…
Impede-me de escrever aquele texto sobre a sisudez nos ônibus, aquele outro sobre o infeste das baratas e aquele terceiro sobre as paragens de Araque.
Ocorre que já me parou quando fiz parar Kant e Hegel que não se conseguiam entender e logo voltaram a brigar, dando-me mais dores de cabeça. Ele me pára a toda hora, e sem necessidade alguma!…
Se passar à estrada alguma bela moça, perco-a. E por quê?… Alguns de meus mais velhos e considerados camaradas dedicam seu tempo ao melhoramento dessa coisa. Ele me faz passar o tempo, ser asqueroso… Já não consigo nem ter bons jogos de palavras diante dele, e como isto assola… É torturante… Tudo sob a égide da objetividade. Tornar as coisas rápidas Entretanto, minha avó não alterou sua rotina por causa dele. Continua em seu mesmo passo de alguém que só o ignora.
Maldito computador, só me corrói a criatividade, o tempo e a existência. A única defesa que ouço contra a condenação desta merda é a de que é útil. Pois não é, antes dele, ninguém o necessitou, entretanto, nasce já na casa de um. Os meninos de meu tempo falavam sobre videogueimes, os de hoje façam sobre placas-mãe, terabites, jogos que rodam ou não em que configuração, e assim por diante…
O navio já chegou aos limites da terra. Sim, daquela que existia antes de Copérnico. Despenca com a correnteza. Água há muita, e a humanidade a afogar-se…
André: olha só aqueles guris…
Mohandas: fraco!, devem tá na quinta série!…
Renato: se amassam melhor que na Malhação…
Mohandas: mas Malhação é falsidade total, os caras nem sabem interpretar…
Sidney: sabem o que eu acho…
André: o quê, da Malhação?…
Renato: eu acho que o Sidão nem vê tevê…
Sidney: acho que ficamos velhos antes do tempo…
O discurso do computador é um só: CORRAM! O TEMPO ESTÁ ACABANDO!, como, aliás, tudo o mais da (pós-) modernidade.
Sidney Azevedo
Um tanto nostálgico pela noite…
Um tanto nostálgico pela noite…
(e um algo de irritado com a tecnologia…)
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