sábado, 8 de dezembro de 2007

O Antibelo

Um antíKant
A busca da beleza deve estar livre de preconceitos e estereótipos”.
– ?
Eis algo… O quê, aliás? Mais um eslogam da Natura. E não me venham reclamar da adaptação da palavra, por que o termo deste texto é a adaptação da frase a uma autêntica antipossibilidade.
A beleza é já de si um preconceito, pois exclui a feiúra, independente de como sejam consideradas essas duas coisas. E exatamente por seu hábito de classificação, a beleza é um estereótipo. A frase prova ser contraditória. Mas é verdadeira, e o porque, como me dirão, é óbvio.
A beleza não será preconceituosa se estiver num “espaço ideal”, num vácuo, de outras coisas. Mas, então, não é beleza, posto que não há feiúra. A beleza não se irá distinguir neste espaço exíguo e infinito. Mas não creio que ter atingido a intenção da frase.
Mas qual será, raios!…
Preconceito pode ser um conceito pré-moldado. Eureca!, ID EST: beleza e feiúra são consideradas como massa conceitual informe, anti-cartesianas (escuras e embaçadas). Só assim a beleza é livre. Só assim é possível compreendê-la hoje: ao ser relativizada. Não se sabe mais o que é beleza, pois que pode ser qualquer coisa, desde que “belos” olhos encarem-na.
Agora creio que entendi a frase. Mas a beleza livre não é, então, identificável. Como eles querem vender produtos? Ah, sim, a frase é logo(marcamente) encoberta. Pronto: a publicidade fez lembrar, o que é sua função.
É uma bela frase, não há dúvida. Mas não há dúvida de que pouco se a nota.
Se “belo é o que apraz sem conceito”¹, bela é a pós-modernidade então.
Sidney Azevedo
Um pouco de Contrábelo e Antíbelo.
(Mas favorecem eles suas antíteses…)
¹ Kant. Crítica da faculdade do juízo.

1 comentário:

Anónimo disse...

Feliz Natal...

Com bastante amor e harmonia.