Empertigados,
os postes na rua e as placas de sinais contrários,
perturbam e confundem o assignatário
do pacto com o qual a viver é obrigado.
-
Seguia calado,
tendo estante a companhia do medo,
que, alegre, vem-lhe aos calcanhares desde cedo,
em meio à mata urbana de renegados.
-
O pé azul à falta de tepidez
do ar que frige à ausência de porta
de Ninguém que está em tal lar. Falta tez!
Dez horas de humana humidade à horta de líquens ao pé metálico.
-
E está ainda o pé azul,
beira já o roxo.
- O roxo!...,
A baraúna vai em pé...,
permanece a azeveira e
a acridade em seu fruto a
lhe impedir o deguste.
-
Deixa. Assim vai. Sem nota.
Dorme ao banco do ponto
que logo vem o autocarro.
O banco só vive do efêmero
dos que lhe depositam as ancas,
se é que fazem isso, e em ti
encontra o companheiro.
Faz-te! Aquele fruto não é para ti.
-
É-to o mouriscar das obras em devastação,
o inconcluso do verso longo a que se dá,
uma vírgula por falta de compasso melhor.
Nem sempre elas hão em preciso,
e a ti não há tu em precisão.
És-te sem o querer. Mas és...
E que sou eu a dizer isto quando vem o zarco.
Inté, companheiro, que o tenha o cárdio de outrem
que eu não te tenho por coragem.
Vai-te e me some da vista.
Vai-te ao longe, e sou eu a ir-me.
A ir-me segue a saudade de algo que não terei mais.
A vista à barba de um algo que já fui.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Contrarregra (e chega a nova gramática ao Antítudo - mas não muito...)
Andarilho
Sidney Azevedo
- Que vais querer?
(Uma anti-poética para a noite de hoje, por favor!...)
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