quinta-feira, 12 de junho de 2008

Ora, que há com o Antítudo?

Sobre leitores e autores num sentido anti-Antítudo


Já não é a primeira vez que tenho essa inconfortável necessidade anti-precisa (e dessa vez anti não é usado no sentido relativizador com que geralmente o emprego, mas viro-lhe ao avesso e uso ao invés: o de fixador de sentido antitético...) de repensar o que cá nesta bagaça se tem feito.
Ora o Antítudo, como bem propunha sua idéia original, não deve obediência à tema algum. Ora no entanto converte a necessidade de sê-lo em um blogue deveras sem sentido, cujo autor é um dos poucos que o entende. Desabafo e descaio em crença quando isso digo, mas é-o preciso: sinto falta de comentários. Mas não pretendo que este se torne o objetivo de meu - não do meu!... - blogue! Escrever para obter comentários é ser sensacionalista. E o mais: sensacionalista da Hora - perdoe o Pessoa esse emprego da maiúscula, mas ele há-de entendê-lo. Pois o momento, efêmero, não será no futuro talvez mais duas linhas que haverão na história e uma menção como o grande pateta do século.
Este texto mesmo: envergonho-me de tê-lo começado; pois imbuído estava de ser uma crítica do autor-leitor ao autor-coisanenhuma. O leitor..., ora que diabos tem o leitor? Ele é um ente indiscernível, uma coisa pegajosa que se esvai das paredes e pára ao tecto!, e daí cai às costas de quem pretende escrever. É um ultraje, à mente criadora que o quer longe de si. E sua existência não se dá além da linguagem. Que se morra, então e pois logo, a linguagem, ao menos à hora da escrita e que se vá com ela ao longe esta inútil criatura. Barthes matou o Autor e Nietzsche matou Deus; e digo: não resolveram coisa nenhuma. Que se mate a Criatura, que se a deixe definhar enquanto conceito, daí nascerá uma nova interpretação, jogada para o futuro, como deve ser a filosofia - mas sem o maldito, sempre maldito, conceito de progresso...
Finda o medo, pois, do leitor, e abbiamo coraggio per lottare, pois há, no mais meandro dos recônditos da língua, um espaço de possível convivência entre os homens e Deus, uns próximos - e pára cá o clichê, para vossa indignação, mas, pensai, haveis-de ver que o detalhe mecere grande atenção - como o disse alguém, lá nos idos de Augusto de Roma (mas bem longe de Roma, para que não haja qüiproquó de quem seja...).

Sidney Azevedo

Leitor, vás-te!

(Entenda, criadores têm de... criar!)

1 comentário:

Anónimo disse...

Depois de séculos, alguém que não tem escrito muito, percebe um certo comentário que adorna meu Space...

Como havia sugerido, cá estou no seu blogue, mas sem concordar uma ínfima parte sobre nada haver de interessante. Não concordo e não concordarei enquanto existirem meia dúzia de palavras bem escritas.

Gostei muito do que li nesta página e sim, troquemos textos!

Beijos