sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A perda e o vício vaticínico de continuar a dissertar em linhas mortas

A senha de acesso, biltre!...

Não, isto não é sobre computadores... Deveis antes ir a uma suja taberna portuguesa onde o pouco que há de claro é o brilho dos azulejos, limpos, só e diariamente, orgulho exclusivo dos outros ao dono do bar. O contraste das paredes pensa-se do mesmo modo que se pensa a existência, sem perceber-lhe a tolice de ser assim que é antes a inexistência de uma tolice e sim o instar de pensar desse modo.
O mosaico de cores some no copo de ferro enchido de vinho, e quando vazio o tonel foram-se as confissões. "Levai a escada ao fiorro que o cigano disto precisa". O sotaque morto aparece, talvez na resistência sem vontade de um família que insta fiorro a forro, jiogo a jogo e tiomar a tomar.
Sim, chegara um forasteiro vindo de Beja - há sempre de existir um estrangeiro da cidade vizinha a chegar para dar "vida" a um cenário morto -, mas como que inteiro e conhecido, mudado só o que lhe havia de moderno para o pós-moderno e tudo cheirando ainda ao tal extrume da idade média. Não é nada.
Arrasta-se o dono do taberna, toma a escada, e prepara o bolso com os vinténs de escudos já sacados à bolsa do cigano, dividida pelos então presentes que haverá de ganhar daqueles loucos na sua mente insalubre, tomada do pântano de sangue das porradas que levara.
O gajo de Beja quieto no canto, morre aí no texto e na necessidade de pensamento do autor de algum leitor perdido de atenção de haver movimento em momento nenhum por que não é importante.
"Tejo, rio triste dessa gente do fado, me leva embora da saudade de não ter idéias e sonhos para voltar à virgem sensação de não saber as coisas!, se conhecimento é isto, livre-me". berrou o Benteja em Lisboa uns anos antes, antes de ir à gare da praça do Comércio que nunca existiu, rindo-se dele os truculentos matarruanos desta freguesia ridícula de tamanho.
Ó, Benteja, por quê o suicídio?
Parece que não podes responder...
Conhecer é morrer e agora que conheço isto matei a humanidade.

Sidney Azevedo
Deixai-me andar sem me dar conta disto...
(Indiscernibilidade já!...)

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